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Dinheiro jogado pela chaminé: São Nicolau, o bom velhinho da 'vida real'

Nascido no século III na Turquia, São Nicolau se tornou conhecido por ajudar pessoas necessitadas e entregar presentes

Giovanna Gomes Publicado em 12/12/2020, às 08h00

Representação de São Nicolau
Representação de São Nicolau - Wikimedia Commons

Conhecido como um bom velhinho, que entrega pesentes para crianças do mundo todo no Natal, o Papai Noel é uma das mais famosas figuras do imaginário popular. Em diversos, países, entretanto, o velho barbudo é associado a São Nicolau, bispo que viveu na Turquia no século IV e era conhecido por ajudar pessoas, sobretudo, crianças.

Nicolau nasceu em 15 de março de 270 em Patara, Lykia (atual Turquia, na época, parte do Império Romano). Acredita-se que seus pais eram ricos e pertenciam à nobreza.

Assim, o santo teria doado toda sua herança aos pobres. No entanto, alguns acreditam que houve uma confusão e que tal informação pertence à história de outro santo, São Basílio de Cesareia. 

São Nicolau/ Crédito: Wikimedia Commons

 

Durante o século IV, seguiu os conselhos de um tio para que viajasse à Terra Santa. A narrativa diz que, durante o percurso, ocorreu uma forte tempestade. Bastou apenas uma oração de São Nicolau para que tudo se acalmasse novamente. Dessa forma, ele se tornou padroeiro dos marinheiros e mercadores. 

Além disso, dizem que o santo livrou três moças de serem forçadas pelo pai a se prostituírem, devido à extrema pobreza em que se encontravam. O pai não tinha meios de pagar o dote de suas filhas para que casassem.

Assim, num ato heroico, São Nicolau teria jogado três sacos de moedas de ouro pela chaminé da casa da família, que caíram em cima de algumas meias que haviam sido colocadas na lareira para secar.

O gesto foi repetido por três vezes. Na última, porém, o doador foi flagrado pelo vizinho, que lhe beijou os pés em agradecimento. A generosidade de Nicolau acabou transformando-o, com o passar do tempo, na lenda do Papai Noel.

Pintura retratando a doação de dotes por Nicolau / Crédito: Wikimedia Commons

 

Através de lendas, as pessoas passaram a associá-lo a um bom velhinho com um saco de presentes nas costas e que vestia batina branca, estola vermelha e uma mintra, ornamento para a cabeça. Além disso, portaria um cajado como os dos pastores de ovelha. 

Nicolau fez uma peregrinação pelo Egito e Palestina e frequentou um monastério perto de Mira (na atual Turquia), tornando-se abade e, mais tarde, o bispo da cidade. 

Contudo, a devoção a Nicolau teve início no século 6, no Leste Europeu e na Ásia Menor. Tornou-se um santo adorado pelos ortodoxos. Sua popularidade na Rússia só é menor que a dos apóstolos. No Brasil, sua festa chegou com imigrantes do leste europeu e ele sempre é lembrado pelos ucranianos ortodoxos e poloneses católicos.

Os holandeses levaram o culto do santo a Nova York, no século 17. Lá, virou Santa Claus e foram acrescentadas lendas nórdicas a sua história. Ele seria um velhinho que punia meninos maus e presenteava os bons. A mistura deu no Papai Noel.

Canonização 

Após diversos relatos de milagres, seus restos mortais foram transferidos para a cidade de Bari, na Itália, em 1807 e foi canonizado pela Igreja. Desde então, no dia 6 de dezembro, data de sua morte, é celebrado o Dia de São Nicolau.

Por causa da personalidade dócil, o santo ainda passou a ser um exemplo da educação e da moral, de modo que estudantes europeus começaram a reverenciá-lo.

Papai Noel/ Crédito: Wikimedia Commons

 

O ajudante 

Com o tempo, o imaginário popular ainda trouxe elementos do folclore europeu para a crença. Passou-se a difundir a ideia de que não eram todas as crianças que poderiam ganhar presentes, mas apenas as que se comportassem bem durante o ano todo. Assim, foi criada a imagem do ajudante de São Nicolau.

Na Holanda, por exemplo, esse ajudante é chamado Zwarte-Piet (Pedro Preto), que tem essa cor por causa das 'cinzas das chaminés' por onde ele passa. Como a escolha das crianças merecedoras dos presentes é atribuída a ele, o personagem é constantemente associado à figura do Bicho-Papão ou do Homem do Saco, de modo que as crianças têm medo.

Por causa dessa associação, e principalmente pela figura ser interpretada por um homem branco que pinta o resto, em um ato de blackface, recentemente houve protestos no país pedindo que o personagem fosse eliminado dos festejos natalinos, devido ao cunho racista da lenda. 


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