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Elizabeth Heyrick: a saga da mulher que enfrentou a escravidão na Inglaterra

Crescendo diante de ideais revolucionários, Heyrick defendia a abolição imediata da escravidão

Caio Tortamano Publicado em 22/09/2020, às 16h55

Elizabeth Heyrick em pintura
Elizabeth Heyrick em pintura - Wikimedia Commons

Um dos primeiros países colonizadores a abolirem a escravidão, a Inglaterra, teve uma história conturbada até que o fim desses anos de opressão pudessem ser, de fato, finalizados. Diversas foram as figuras que lutaram politicamente para que o ato fosse praticado por todo o império britânico, uma delas se destaca dentre tantos homens abolicionistas. Era Elizabeth Heyrick.

Heyrick nasceu em Leicester. Filha de John Coltman, seu pai era um importante fabricante de roupas de lã, enquanto sua mãe, Elizabeth Cartwright, era poeta e escritora, altamente letrada e culta na época.

Revolucionária

Desde cedo, Elizabeth foi criada em meio à ideais reformistas radicais, que tinham o objetivo de mudar radicalmente a política do Reino Unido. Heyrick teve contato com a obra de Thomas Paine, um dos pensadores que mais influenciou os americanos a buscarem sua independência dos britânicos.

Além desses ideais, Paine desenvolveu uma notável obra acerca de percepções sobre direitos humanos que, até então, não eram percebidas com atenção.

Foi do britânico, inclusive, a obra Direitos do Homem, na qual apoiava suas teses a respeito de revoltas populares de nações onde os direitos básicos de seus cidadãos eram violados. Além dos americanos, Paine defendeu e idealizou juntos aos franceses a revolução. Foi diante dessas ideias que a jovem britânica cresceu.

Casamento e vida política

Aos 18 anos, quando já trabalhava como professora em uma escola infantil,  Elizabeth se casou com John Heyrick, em 1787. Seu marido, advogado, era um descendente direto de Robert Herrick, notório poeta do século 17. Era mais uma conexão que a jovem apresentava com o mundo das artes, uma vez que sua mãe vivia de poesia e a própria moça era uma exímia pintora de paisagens.

O casamento, no entanto, não durou muito. Quando a esposa tinha apenas 25 anos de idade, Robert falece. Com a morte do marido, Elizabeth passou a atuar como membro da ordem dos Quaker — um grupo religioso protestante que defende, entre outras coisas, o pacifismo e a filantropia.

Foi a partir de conexões com o Quaker, que ela ingressou nos movimentos de reforma social, que eram cada vez mais relevantes na Inglaterra do século 18 e 19. Seu caminho começou a ser trilhado nesse momento, até ser considerada uma das mulheres ativistas mais proeminentes de toda a década de 1820.

Luta contra escravidão

Foi nesse período, inclusive, que Elizabeth entraria para a Sociedade Anti-Escravismo, em 1823. Os líderes do movimento, William Wilberforce e Thomas Clarkson, acreditavam que com a resolução de 1808 que acabava com o tráfico de escravos, a posse acabaria decaindo gradativamente até a escravidão ter fim.

Todavia, isso não aconteceu, até porque nas Índias Orientais e em outros territórios do Império a escravidão permanecia no mesmo ritmo, apenas não contava com a chegada de novos sequestrados. 

Pensando nisso, Heyrick tinha uma opinião sólida em relação a escravidão. Ela acreditava que somente a abolição completa e imediata da escravatura resolveria a situação, e a falha da abolição parcial era cada vez mais evidente. Acreditando ser possível fazer a diferença para os africanos, especialmente apoiando a emancipação dos mesmos, Elizabeth assumiu a liderança da Sociedade.

Em 1824, a líder do movimento publicou o folheto “Abolição imediata, não gradual” atacando a abordagem anterior da suposta luta anti-escravista, que focava muito mais no comércio do que na situação desumana e precária que os escravizados viviam.

Folhetim de Heyrick / Crédito: Divulgação

 

Politizada, Heyrick sabia que a raiz do problema da escravidão estava naqueles que encontravam eram favorecidos com aquilo. Eram os agricultores, que utilizavam a mão de obra gratuita para prosperar os seus negócios. Pensando nisso, a revolucionária mirou em campanhas de conscientização, e encorajou o boicote popular a todo açúcar que era trazido do Caribe extraído graças ao trabalho escravo. 

Durante a campanha, Elizabeth até visitou grandes armazéns e lojas de Leicester para que eles não vendessem esses produtos. Uma de suas frases mais icônicas chamava as mulheres para as transformações sociais, afirmando que elas “não deveriam apenas simpatizar com o sofrimento, mas também exigir melhoras na vida dos oprimidos”.

No entanto, Heyrick não viveu o suficiente para ver o Ato de Abolição Escravista de 1833 ser assinado e praticado, falecendo dois anos antes, aos 62 anos de idade.


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