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As principais diferenças entre capitalismo, socialismo e comunismo, na visão de Marx

Saiba mais sobre alguns pontos que diferem esses sistemas

Isabela Barreiros Publicado em 21/08/2020, às 11h44

Símbolo do McDonald's e foice e martelo
Símbolo do McDonald's e foice e martelo - Wikimedia Commons

A sociedade atual possui uma imensa complexidade. O capitalismo fez com que as relações de produção se tornassem cada vez mais complicadas e, por vezes, contraditórias. A fim de transformar essa realidade, muitos teóricos se dispuseram a pensar maneiras de modificar o mundo, pensando não a partir do lucro, mas sim do bem-estar das pessoas.

Frequentemente, lemos os termos capitalismo, socialismo e comunismo. Muitas vezes fora de contexto, usados a partir de uma concepção errada ou até mesmo simplista do que eles realmente significam. Na internet, torna-se cada vez mais difícil construir debates e entender realmente do que o outro está falando.

Aqui, iremos expor algumas principais diferenças entre as expressões apontadas. No entanto, é essencial lembrar que apenas leituras robustas sobre o tema poderão fazer com que entendamos seus significados por completo, a partir de diferentes pontos de vista.

Capitalismo

Talvez esse seja o termo mais fácil de ser compreendido, até mesmo porque é nesse modelo de sociedade em que vivemos atualmente. De maneira simples, é possível dizer que este é o sistema onde a existência da propriedade privada, possuída por poucos, supõe que o lucro é o fator essencial para o desenvolvimento dos mercados.

Para Karl Marx, no entanto, as coisas são um pouco mais complexas que isso. No Manifesto do Partido Comunista (1848), publicado pela primeira vez em fevereiro de 1848 em conjunto com Friedrich Engels, o filósofo expõe a maneira de se pensar o capitalismo por meio do materialismo histórico dialético, a partir de sua formação.

A passagem do feudalismo para o capitalismo contou com o papel revolucionário da burguesia, através de um longo processo de transformação nos modos de produção e circulação de mercadorias. Das corporações de ofício tradicionais e feudais, foi preciso passar para a manufatura e, posteriormente, à maquinaria à vapor devido ao crescimento do comércio, navegação e indústria.

“No lugar da manufatura surgiu a grande indústria moderna; no lugar dos pequenos produtores, os industriais milionários, os chefes de exércitos industriais inteiros, os burgueses modernos”, escrevem no Manifesto. Todo esse processo foi acompanhado por um “progresso político correspondente”, até chegar em sua forma consolidada.

Como é possível perceber a partir das análises de Marx, o capitalismo seria caracterizado pela existência de uma economia de mercado, baseada pelo livre mercado, mas também pela divisão da sociedade entre aqueles que possuem as fábricas — também nomeados “meios de produção” — e aqueles que precisam vender sua força de trabalho para os donos das indústrias para conseguirem sobreviver. Respectivamente, o filósofo os define como “burgueses” e “proletários”.

Na atualidade, os estudos sobre o capitalismo continuam sendo realizados por novos pensadores. O sociólogo estadunidense Erik Olin Wright, que foi um dos principais expoentes na análise das classes na sociedade dos dias de hoje, também toma o sistema principalmente a partir desses dois aspectos: como economia de mercado e pela forma particular de estrutura de classe.

Em Como ser anticapitalista no século XXI (2019), escreve: "[...] a dimensão do mercado identifica o mecanismo básico da coordenação de atividades de um sistema econômico — no caso, a coordenação por meio de trocas voluntárias descentralizadas, com oferta e procura e preços operando — enquanto a estrutura de classes identifica as relações centrais de poder dentro desse sistema econômico — entre detentores da propriedade do capital e trabalhadores".

Socialismo e comunismo

Crédito: WIkimedia Commons

 

Agora que já definimos as relações sociais e econômicas que são perpetuadas dentro do capitalismo, podemos pensar em como filósofos tentaram desenvolver teorias para transformar essa realidade. Entre as mais conhecidas, estão o socialismo (em suas diferentes vertentes), o comunismo e, ainda, o anarquismo. Aqui, porém, falaremos apenas dos dois primeiros.

Dissemos que o socialismo possui vertentes distintas. Ou seja, existem diferentes correntes que pensam o modo como deveria ser a passagem entre o capitalismo e socialismo. Podemos citar algumas das mais conhecidas como o marxismo-leninista, o ecossocialismo, a social-democracia ou, ainda, o socialismo democrático. Todos eles pensam métodos para alcançar uma sociedade socialista.

Mas o que seria uma sociedade socialista? O mais simples é dizer que é uma sociedade onde a propriedade privada seria abolida. No entanto, claro, é mais complexo que isso. Muitas vezes também ouvimos dizer que a diferença entre o socialismo e comunismo é a existência de um Estado. Enquanto o primeiro ainda mantém a instituição estatal, o segundo seria o passo dado para a construção de uma sociedade sem Estado.

Friedrich Engels na obra Anti-Dühring (1877), descreve como seria o processo de transformação, da passagem do capitalismo para o socialismo. "O proletariado assume o poder de Estado e transforma os meios de produção primeiro em propriedade do Estado. Desse modo, ele próprio se extingue como proletariado, desse modo, ele extingue o Estado enquanto Estado".

Trocando em miúdos, o socialismo não é responsável por “manter o Estado”. Ele, na verdade, acabaria com o Estado da burguesia, o que existe no capitalismo. Ocorreria uma substituição do Estado capitalista pelo Estado do proletariado. É o que Marx também define como “ditadura do proletariado”, nada mais do que uma instituição estatal controlada pelos trabalhadores.

O mesmo ocorre com a propriedade. Ainda no Manifesto Comunista, os teóricos escrevem que “o que caracteriza o comunismo não é a supressão da propriedade em si, mas a supressão da propriedade burguesa”.  “O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de produtos sociais, apenas suprime o poder de, através dessa apropriação, subjugar trabalho alheio”.

E o comunismo? Ele é a construção de uma sociedade pós-socialista. No comunismo, vemos o definhamento do Estado proletário, que não tem mais razão para existir. “O Estado burguês, segundo Engels, não 'definha', mas é extinto pelo proletariado na revolução. O que definha depois dessa revolução é o Estado proletário, ou um semi-Estado", escreve Lenin em O Estado e a Revolução (1917).

Se o Estado proletário tem como intuito organizar os trabalhadores e, em conjunto, oprimir a classe da burguesia, que tentaria a todo custo conter as transformações, quando ele passa a, de fato, ser exercido pela maioria, ele deixa de ser necessário. Forma-se, assim, uma sociedade sem Estado e, consequentemente, sem classes. Conforme descreve Lenin:

“[...] uma vez que é a própria maioria do povo que reprime seus opressores, já não é necessária uma 'força especial' para a repressão! É nesse sentido que o Estado começa a definhar. Em vez de instituições especiais de uma minoria privilegiada (funcionalismo privilegiado, comando do exército permanente), a própria maioria pode realizar de forma direta, e, quanto mais a própria realização das funções do poder de Estado se tornar de todo o povo, menos necessário se torna esse poder".

As diferenças entre capitalismo, socialismo e comunismo podem parecer gritantes, ou não. O fato é que, distintos, podem ser entendidos como maneiras de funcionamento de sociedades, sendo o capitalismo a dominante atualmente. Mesmo que tenhamos explicado o básico do socialismo e do comunismo, ainda existem variadas correntes que desenvolvem estratégias diferentes para alcançar essa sociedade transformada, para além do capitalismo.


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Como ser anticapitalista no século XXI?, Erik Olin Wright (2019) - https://amzn.to/2Yihixg

O Estado e a revolução: doutrina do marxismo sobre o Estado e as tarefas do proletariado na Revolução, Vladímir Lênin (2017) - https://amzn.to/31fpdNZ

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