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'Esperando o fim do mundo': a família que teria vivido 9 anos em isolamento

Caso revelado em 2019 chocou ao apresentar a narrativa de uma família que vivia em possível isolamento

Giovanna Gomes Publicado em 17/10/2020, às 09h00

Registro da fazenda onde a família vivia
Registro da fazenda onde a família vivia - Divulgação

Em outubro de 2019, um triste caso foi descoberto na província de Drenthe, localizada na Holanda. Cinco irmãos, os quais tinham entre 18 e 25 anos foram encontrados isolados em uma fazenda com o pai e um homem de 58 anos. A situação foi uma enorme surpresa, pois ninguém - nem mesmo os vizinhos - sabiam da existência da família.

Desde que tinham entre 11 e 16 anos, os irmãos teriam sido isolados, de modo que não apresentavam ter qualquer contato com o mundo exterior. Segundo a rede de TV pública, a família estaria 'esperando o fim do mundo'.

A situação mudou quando o irmão mais velho, que tinha 25 anos, conseguiu fugir do local. Ele foi para uma cidade próxima, Ruinerworld, que tem cerca de 4.000 habitantes.

Placa sinalizando a direção para Ruinerworld - Flickr

 

Quando chegou na cidade, o jovem se viu encurralado. Assim, frequentou uma cafeteria algumas vezes. Segundo Chris Westerbeek, dono do estabelecimento, o rapaz aparentava cabelos e barba enormes e tinha um olhar perdido. Na primeira vez, percebeu que havia algo de estranho naquela situação. 

“Ele veio ao café várias vezes, na semana passada pediu algumas cervejas, mas depois fechamos e ele foi embora. No domingo ele voltou e parecia muito confuso. Tomou cinco cervejas e então eu conversei com ele. Disse que havia fugido e precisava de ajuda. Então chamei a polícia”, relatou o dono do café à rede de rádio e televisão de Drenthe.

“Eu não sabia onde ele estava e me disse que não tinha saído durante nove anos. Também me disse que tinha irmãos e irmãs, que era o mais velho e queria mudar de vida.” Segundo Westerbeek, o jovem também teria afirmado que nunca havia estudado e que queria "acabar com essa situação".

Fim do pesadelo

No dia 13 de outubro do ano passado, o pesadelo da "fazenda do fim do mundo" terminou. Ao chegarem na propriedade, os policiais perceberam que ela estava escondida em meio às árvores e que era preciso atravessar uma ponte sobre um canal para encontrar o local. Eles encontraram uma grande horta e alguns animais: uma cabra, um cachorro e alguns gansos.

Imagem meramente ilustrativa de ponte - Pixabay

 

Além disso, havia espaços isolados no local, sendo que uma escada que ficava escondida atrás de um armário da sala levava a um cômodo secreto onde a família vivia. "As seis pessoas viviam num espaço pequeno da casa que poderia ficar trancado, mas não era um porão", relatou a polícia.

Os familiares foram atendidos em hospitais da cidade. "Eu nunca vi nada como isso", declarou o prefeito Roger de Groot a jornalistas. Segundo ele, nem todos os jovens estavam registrados na administração local. Além disso, afirmou que a mãe dos jovens “morreu anos antes dessas pessoas terem se mudado para a fazenda”. 

O acusado

A sétima pessoa encontrada, o homem que não teria parentesco com a família, foi preso por não colaborar com as investigações. Segundo a imprensa local ele se chamava Josef B e era austríaco.

Segundo relatou o irmão do preso, Franz B, à mídia austríaca, Josef seria uma pessoa inteligente, egoísta e que busca o próprio sucesso sempre. “Quando outro irmão ligou para dizer que nosso pai havia morrido, Josef disse que não se importava. Ele também não foi ao funeral. E quando a nossa mãe morreu, há um ano e meio, ele não apareceu”, explicou. 

Josef se mudou da fazenda que ambos herdaram dos pais, localizada em Viena, e morou em diversos lugares até chegar a casa de uma tia idosa. Quando ela morreu, ele herdou a fortuna, vendeu a propriedade e se mudou para outra cidade. Além disso, segundo Franz, ele teria abandonado as duas filhas que teve com uma mulher que conheceu na seita que frequentava. 

A mídia holandesa afirmou que Josef B e os cinco irmãos encontrados na fazenda faziam parte de uma seita de culto à Lua, a Moonskete. Segundo o portal holandês Nos, eles viviam à base de doações. Também foi revelado que ele teve um derrame e ficou paralisado três anos antes da descoberta da família. 


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