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Estupro no set: os turbulentos bastidores de O Último Tango em Paris

Famoso ao redor do mundo, o filme deixou eternas cicatrizes na atriz Maria Schneider

Caio Tortamano Publicado em 07/11/2020, às 09h00

Maria Schneider e Marlon Brando em cena de O Último Tango em Paris
Maria Schneider e Marlon Brando em cena de O Último Tango em Paris - Divulgação/Produzioni Europee Associati (PEA)

Apesar de ter sido lançado e feito bastante sucesso em 1972, O Último Tango em Paris voltou a repercutir recentemente. Isso porque um fato sobre os bastidores do filme é extremamente controverso. A atriz principal do longa, Maria Schneider, afirmou ter sido estuprada enquanto trabalhava.

Schneider denunciou o caso em 2007 para o Daily Mail, no entanto, foi somente nove anos depois que deram atenção à denúncia, chegando, inclusive, a Hollywood. “Senti-me humilhada e, para ser honesta, um pouco violentada por Marlon e Bertolucci”, afirmou Maria na entrevista.

Especificamente, a jovem fora violentada por Marlon Brando, protagonista do filme, e Bernardo Bertolucci, diretor da obra. O triste episódio se deu na cena em que o personagem de Brando, Paul, sodomiza o seu interesse romântico por Jeannie, interpretada por Schneider, e penetra o ânus da personagem utilizando manteiga como lubrificante.

Marlon Brando em O Último Tango em Paris / Crédito: Divulgação - MGM

 

Estupro

Segundo Maria, ela não sabia que seria penetrada de fato. Isso mesmo, tanto Marlon quanto Bernardo omitiram a parte que ela seria violentada na cena. O episódio ficou marcado na memória da mulher, que tinha somente 19 anos de idade quando gravou o filme.

Em 2013, mais de 40 anos depois do Último Tango em Paris ter sido lançado, Bertolucci se pronunciou sobre o fato, se defendendo das acusações. Segundo ele, a cena de estupro estava no roteiro, menos a parte da manteiga. A presença do lubrificante nada convencional veio a partir de uma ideia que Brando e o diretor italiano tiveram.

Diretor de cinema Bernardo Bertolucci / Crédito: Wikimedia Commons

 

O objetivo era captar “sua reação como menina, não como atriz”. A declaração, dada em 2013 pelo italiano, escancara o fato de que a cena não foi consentida de nenhuma maneira por Schneider.

A absurda declaração do cineasta foi dada durante uma conferência em Paris. Embora ele tenha admitido ter se sentido, “de certa forma”, terrível pela maneira como tratou Maria, nunca se arrependeu da decisão de não revelar o que aconteceria na cena. 

Resultado

Depois do sucesso do filme, Maria Schneider foi a maior prejudicada em toda essa história. A atriz contou que a cena causou profundos traumas: “me senti humilhada e, para ser honesta, um pouco violentada por Marlon e Bertolucci”, explicou ao Daily Mail. 

Maria Schneider em cena de O Último Tango em Paris / Crédito: Divulgação - Youtube

 

O Último Tango em Paris foi o grande filme de sua carreira, alavancando o status da atriz para o de uma estrela. Entretanto, o custo foi alto, e o abuso sofrido foi decisivo para os problemas que Maria teve ao longo da vida como uso de drogas e depressão — tendo, inclusive, tentado se suicidar.

A artista chegou a participar de outros filmes de sucesso, como Profissão: Repórter, 1975, em que contracenou com Jack Nicholson, contudo, nunca mais se submeteu a nenhuma cena de nudismo. Ela dedicou boa parte de sua vida ao ativismo pelas mulheres que, assim como ela, foram abusadas sexualmente até falecer em 2011, aos 58 anos, em decorrência de um câncer.


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