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A garota de Qatif: o chocante caso da jovem saudita chicoteada por encontrar um amigo

No ano de 2007, uma jovem saudita foi condenada a receber 90 chibatadas após ter sido estuprada por sete homens, o que gerou imensa indignação

Giovanna Gomes Publicado em 02/01/2021, às 10h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Pixabay

No ano de 2007, uma mulher de 20 anos, que ficou conhecida internacionalmente como 'a garota de Qatif', foi condenada ao chicoteamento após ter denunciado homens que a estupraram na Arábia Saudita.

Conforme noticiado pelo UOL em 2007, o motivo da punição foi ter ficado sozinha com um homem que não era seu marido. O caso ganhou enorme repercussão na época e levantou um intenso debate acerca de uma possível reforma do sistema judicial saudita.

O ocorrido

O estupro ocorreu em 2006 na cidade de Qatif, por isso o nome pelo qual ficou conhecida a vítima. No mês de dezembro daquele mesmo ano, Farida Deif, uma pesquisadora da Human Rights Watch realizou uma entrevista com a jovem, que contou o que aconteceu.

Conforme relatou, a mulher havia combinado de se encontrar com um amigo no carro dele. O seu objetivo era recuperar uma foto que estava com o rapaz, já que a jovem havia se tornado noiva. Porém, quando estavam no veículo, um carro se aproximou e bloqueou a passagem.

Imagem meramente ilustrativa sobre abuso/ Crédito: Pixabay

 

"Duas pessoas saíram do carro que bloqueava a nossa passagem e ficaram uma de cada lado do nosso automóvel. O homem que estava do meu lado portava uma faca. Eu gritei", declarou, conforme noticiado pelo UOL em 2007. Em seguida, ela e o amigo teriam sido levados até um prédio no bairro de Awwamiyah, onde foram estuprados por sete homens durante várias horas.

Em novembro do ano seguinte, quando o caso ainda corria na Justiça, a mulher deu uma entrevista à Associated Press. Ela declarou que estava tendo dificuldades para dormir e que as suas mãos tremiam, já que a sentença era "um grande choque".

Batalha

A jovem, inicialmente, foi condenada a 90 chibatadas. No entanto, a pena foi dobrada após seu advogado, Abdulrahman Al-Lahem, ter recorrido na justiça. Por isso, o profissional ainda teve sua licença cassada.

Ele também foi proibido pelas autoridades governamentais de dar entrevistas. A mulher e seu marido também tiveram de parar de comentar sobre o caso. Tudo foi feito para evitar que o episódio fosse capaz de rodar o mundo.

Imagem meramente ilustrativa de mulher muçulmana/ Crédito: Pixabay

 

Órgãos importantes, como o Ministério da Justiça, sugeriram que a mulher teria agido imoralmente no momento do ataque. O Ministério publicou em sua própria página na internet a afirmação de que a jovem teria confessado estar nua no carro antes do estupro.

A defesa da vítima negou as acusações. O órgão ainda quase a acusou de ter cometido adultério, o que poderia levá-la à pena de morte.

Ibrahim bin Salih al-Khudairi, juiz do Tribunal de Apelações de Riad, disse em uma entrevista ao jornal "Okaz", em novembro de 2007, que se fosse do tribunal de Qatif teria condenado todos os envolvidos, inclusive as duas vítimas, à morte.

As declarações enfureceram ainda mais o advogado, que reclamou que os juízes estableleceram conclusões a partir dos depoimentos dos sete estupradores, os quais foram condenados a penas de cinco a sete anos na prisão. 

Rei Abdullah, da Arábia Saudita/ Crédito: Wikimedia Commons

 

Após apelar da sentença, a Garota de Qatif sofreu punição ainda maior: 200 chibatadas e seis meses de cadeia por tentar influenciar a Justiça através da mídia. Em 2007, o então rei saudita Abdullah 'a perdoou', mas garantiu que o resultado do processo fora justo.

O caso gerou uma imensa indignação entre ativistas dos direitos humanos ao redor do mundo. Até mesmo os candidatos à presidência dos EUA trataram do assunto e condenaram a sentença na época. 


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