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George Harrison, o outro integrante dos Beatles que quase foi morto por um lunático

Assim como John Lennon, o músico foi surpreendido por um criminoso psicótico, no entanto, seu destino foi diferente

Fabio Previdelli Publicado em 09/05/2020, às 08h00

O ex-Beatle George Harrison
O ex-Beatle George Harrison - Wikimedia Commons

O próximo dia 29 de novembro marcará 19 anos desde que o ex-Beatle George Harrison morreu em decorrência de um câncer na garganta, em 2001, aos 58 anos. Entretanto, a vida de Harrison poderia ter sido mais curta e acabado de forma muito mais trágica — assim com de seu colega de banda, John Lennon.

Isso porque, dois anos antes, em 1999, ele e sua esposa, Olivia, foram violentamente atacados por um fã maluco. Na época, os dois disseram que estavam certos que nenhum deles sobreviveria à noite, o que evidencia a clara intenção do agressor em acabar com suas vidas.

O que aconteceu em 30 de dezembro de 1999?

O julgamento do homem que invadiu a mansão vitoriana de Friar Park — que possui mais de 120 quartos —, que eles conheciam como Michael Abram, foi realizado em 2000. Na ocasião o ex-Beatle contou ao tribunal o que aconteceu naquela noite.

A mansão vitoriana de Friar Park / Crédito: Wikimidia Commons

 

O relato de Harrison começa a partir do momento em que ele tranca a porta da casa e se junta à esposa na cama por volta das duas horas da manhã. Cerca de 60 minutos depois, Olivia ouviu o que parecia ser o barulho de um vidro sendo quebrado. Ainda meio grogue, ela pensou que talvez um lustre tivesse caído ou algo do tipo, mas logo percebeu que alguém havia invadido sua casa.

Nesse momento, George desceu para investigar a fonte do estrondo enquanto Olivia chamava a polícia. Do patamar do último andar, o músico conseguiu notar a presença de um intruso. Houve até uma tentativa de conciliação, mas o invasor começou a gritar desesperadamente.

O criminoso subiu as escadas com uma faca na mão. O ex-Beatle não pensou duas vezes e numa decisão irracional se lançou contra o sujeito na esperança de desarmá-lo. Em vez disso, Abram, cruelmente, começou a esfaqueá-lo na parte superior do peito. “Eu acreditava que tinha sido esfaqueado fatalmente”

Apesar de ferido, George continuou lutando com o homem de 33 anos, que Olivia mais tarde descreveu como tendo cabelos desgrenhados, parecidos com palha, e com olhos “selvagens e mal encarados”.

“Caímos no chão”, continuou a declaração do músico. “Eu estava evitando golpes com as mãos. Ele estava em cima de mim esfaqueando minha parte superior do corpo”. Olivia bateu nele com um pequeno bastão do Crupiê. Então, Abram a perseguiu e começou a sufocá-la.

George Harrison e Olivia / Crédito: Divulgação

 

Harrison, então sangrando e muito enfraquecido, tentou contê-lo, mas tropeçou no meio do caminho. “Eu me senti exausto e pude sentir o vigor drenando de mim. Lembro-me vividamente de um impulso deliberado no meu peito. Eu podia ouvir meu pulmão expirar e sangue na boca. Eu acreditava que tinha sido esfaqueado fatalmente”.

Por sorte, Olivia o deixou inconsciente quando o golpeou com uma lâmpada de bronze na cabeça, o que parou o ataque.

A setença

A defesa de Michael Abram, durante o julgamento, alegou que seu cliente tinha um quadro de insanidade, mas ele acabou detido “por um tempo não especificado”. Segundo o agressor disse às autoridades, assim que saiu do episódio psicótico em que participara: “No começo, ouvi a música [dos Beatles] e achei que eram boas. Mas então comecei a separar as letras de seus nomes e melodias e percebi que elas eram más”.

Abram foi inocentado da acusação de tentativa de assassinato, mas foi encaminhado para um tratamento psicológico, onde ficou por quase dois anos — sendo libertado pouco depois da morte de George Harrison.

"Se eu pudesse fazer o relógio voltar no tempo, daria tudo para não ter feito o que fiz. Mas hoje percebo que estava muito doente naquela época e totalmente fora de controle", declarou. "Muitos podem duvidar, mas com a ajuda dos remédios que estou tomando, tenho certeza de que poderei levar uma vida normal. Quero ser apenas um cara normal”.

“Só espero que a família Harrison possa, de alguma forma, encontrar em seus corações uma forma de aceitar minhas desculpas”.


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