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Há 213 anos, a família real chegava ao Brasil fugindo do exército de Napoleão Bonaparte

Relembre o episódio que causou uma série de mudanças não apenas no Brasil, mas no mundo

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 22/01/2021, às 08h13 - Atualizado às 11h35

Navios da Coroa Portuguesa em Salvador, 1808
Navios da Coroa Portuguesa em Salvador, 1808 - Wikimedia Commons

Napoleão Bonaparte foi um comandante militar que liderou a França em um projeto expansionista que tomou boa parte da Europa. O feito foi tão impressionante que suas estratégias de batalha são estudadas até hoje por militares em treinamento ao redor do globo.

Assim, quando o famoso general invadiu Portugal em 1807, o Príncipe Regente João de Bragança, que estava exercendo os deveres reais no lugar de sua mãe, a Rainha Maria  - que era apelidada de Maria Louca devido a seus supostos problemas mentais - tomou uma decisão inusitada. 

Covardia estratégica 

Ao invés de lutar e enfrentar a possibilidade da derrota, o membro da realeza escolheu um caminho mais seguro: a fuga. Assim, quando as tropas francesas marcharam para  Lisboa, onde ficava a corte real, a encontraram vazia. 

Pintura de D.João / Crédito: Wikimedia Commons

 

Isso porque não apenas os Bragança, mas também várias outras famílias nobres importantes de Portugal haviam previamente abandonado o país em uma partida improvisada. Segundo estimativas posteriores, a comitiva real somava entre 10 e 15 mil pessoas, o que na época representava 5% da população portuguesa. 

A viagem pelo oceano Atlântico guardava muitos perigos, como tempestades, a possibilidade de doenças espalharem-se entre os passageiros das embarcações - cujas condições sanitárias não eram grande coisa -, além de ataques em alto-mar. Contra esse último risco, ao menos, a frota real portuguesa podia contar com o Reino Unido, que ofereceu navios da Marinha britânica para escoltá-los até seu destino. 

Esse destino, evidentemente, era a colônia de dimensões continentais que mais tarde ganharia o nome de Brasil. 

Chegada ao Brasil 

Em 22 de janeiro de 1808, após mais de cinquenta dias de viagem, a Família Real finalmente chegou ao território de clima tropical. 

Uma curiosidade é que, como foi tudo planejado em cima da hora, não haviam ainda palácios para abrigar as centenas de nobres que aportaram no Rio de Janeiro. Assim, a solução encontrada consistiu em soldados da guarda real pintando as letras “P.R” na frente de residências que eram escolhidas para a tarefa. 

O significado da sigla era “Príncipe Regente”, e o que isso queria dizer era que seus moradores tinham cerca de 72 horas para abandonar sua casa e tudo que existia dentro dela - a partir de então, era posse da Família Real Portuguesa. 

Não demorou muito para que a sigla de implicações desagradáveis fosse ressignificada pelos brasileiros que viviam ali, sendo chamada de: “Ponha-se na Rua”. 

Mudanças político-econômicas 

Logo, a cidade do Rio de Janeiro foi transformada em uma espécie de capital do reino português, configurando uma situação inédita: agora, as ordens reais vinham da colônia para a metrópole. 

A mudança na dinâmica de poder teve grande importância para a posterior independência brasileira, uma vez que, entre outras transformações, gerou a quebra do pacto colonial, que dizia que o Brasil podia apenas fazer trocas comerciais com Portugal. 

Em vez disso, veio a abertura dos portos brasileiros para as “nações amigas” - como por exemplo a Inglaterra, que estava então sofrendo com o Bloqueio Continental imposto por Napoleão Bonaparte

Pintura mostrando Napoleão Bonaparte / Crédito: Wikimedia Commons

 

A medida consistia em uma tentativa do líder francês isolar o Reino Unido economicamente, ao impedir que a nação britânica fizesse comércio com a Europa. O que o general não contava, todavia, era com o mais novo parceiro comercial deles: o Reino do Brasil. 

Assim, a partida da Família Real Portuguesa para o Brasil gerou uma série de mudanças não apenas para a colônia, mas para o próprio cenário internacional.


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