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A inovadora pirâmide do faraó Djoser, a mais antiga do mundo

Construído durante o reinado de 2667 a 2648 a.C., o monumento está muito além dos olhos: no subsolo, existe um impressionante labirinto de câmaras mortuárias

Isabela Barreiros Publicado em 30/06/2020, às 07h00

A pirâmide de Djoser
A pirâmide de Djoser - Charles J Sharp/Wikimedia Commons

No Egito Antigo, pirâmides não eram construídas somente para guardar os restos mortais de seus faraós e nobres. Na verdade, seu objetivo era muito maior: os complexos deveriam ter estruturas consideradas importantes para a vida após a morte de quem eles acomodavam. Elas tinham como intuito facilitar as funções reais depois do indivíduo falecer.

A pirâmide de Djoser é um bom exemplo disso porque possui inúmeras câmaras com propósitos muito específicos e essencialmente simbólicos para honrar o faraó que ordenou sua construção e descansou dentro dela após a morte.

Crédito: Olaf Tausch/Wikimedia Commons

 

Djoser foi o primeiro ou o segundo rei da 3ª Dinastia do Egito Antigo, que remonta a 2686 e 2125 a.C.. Egiptólogos acreditam que ele tenha governado pelo menos 19 anos, o que fez com que ele tivesse muito tempo para construir o monumento que quisesse. Foi assim que o faraó planejou levantar o que hoje é considerada como a mais antiga pirâmide do Egito.

Dentro da estrutura, o rei não é chamado pelo nome que é reconhecido atualmente. Em diversas paredes e monumentos, lê-se Horus Netjeriykhet, sua denominação original. Pelo que se sabe, ele passou a ser conhecido por Djoser milhares de anos depois de morto, quando visitantes do Novo Reino o apelidaram.

A pirâmide

Corredor no subsolo da pirâmide / Crédito: Maveric149/Wikimedia Commons

 

O faraó é lembrado nos dias de hoje principalmente por ter inovado na construção de pirâmides. Em um projeto ambicioso e grandioso, o rei desenvolveu formas para a estrutura diferentes do que se fazia anteriormente no Egito Antigo. Localizada na necrópole de Saqqara, a noroeste da cidade de Memphis, ela surpreende por estar longe do que a arquitetura tradicional estava condicionada.

Ela é considerada ousada principalmente pelo material que foi utilizado para levanta-la. Até onde se sabe, é muito possível que a pirâmide tenha sido a primeira estrutura monumental feita de pedra construída no Egito.

Originalmente, o local tinha 62,5 metros de altura de altura, com uma base de 109 m × 121 m. Mas, ao longo dos anos, passou por inúmeras reformas que aumentaram ainda mais seu alcance. O monumento também era revestido de calcário branco polido que, com o tempo, foi desaparecendo das paredes.

O crescimento da pirâmide se torna claro quando observamos seu subsolo. Sob a estrutura, existe um enorme complexo mortuário que possui um enorme pátio, que contém itens cerimoniais e de decoração, além de inúmeras câmaras que guardam objetos importantes para a passagem do faraó para a vida após a morte.

Inscrição do faraó dentro da pirâmide / Crédito: Juan R. Lazaro/Wikimedia Commons

 

Embaixo do solo, o monumento se parece mais com um labirinto de compartimentos como câmaras e túneis. Ao total, essas passagens têm quase seis quilômetros de comprimento e, ao percorrer todo esse caminho, chega-se em uma sala central que possui sete metros quadrados e 28 metros de profundidade.

A construção também foi responsável por formar algumas características que seriam mantidas durante muitos anos depois de seu desenvolvimento. Por exemplo, a entrada para esse labirinto no subsolo foi construída ao lado norte da pirâmide, o que ficou na mentalidade egípcia e se tornou o comum nos projetos desses monumentos. Além disso, as paredes dessas passagens são feitas de calcários e possuem inúmeros azulejos de faiança azul.

O corpo mumificado do faraó foi guardado em uma dessas salas, mas se tornou quase impossível encontrar algo que restasse de sua múmia. Assim que ele foi colocado no local, que pode ser descrito como uma espécie de cofre revestido por granito, sua câmara funerária foi trancada com um bloco de pedra que pesava mais ou menos 3,5 toneladas.

Mesmo que não tivesse sido selada, pouco haveria para se ver dentro do ambiente. A verdade é que, ao longo dos séculos, muitos ladrões de tumba roubaram inúmeros objetos raros e importantes que estavam dentro da pirâmide, inclusive os restos mortais embalsamados de Djoser e dos membros da família real egípcia, que também foram enterrados no subsolo do grandioso monumento.


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