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Kiki Camarena, o agente da inteligência americana que foi morto por narcotraficantes no México

O oficial foi brutalmente torturado e assassinado em 1985, após investigar cartéis de drogas na cidade mexicana Guadalajara

Victória Gearini Publicado em 27/12/2020, às 11h00

Kiki Camarena, agente americano morto no México
Kiki Camarena, agente americano morto no México - Wikimedia Commons

Em 1985, a imagem de Enrique "Kiki" Camarena Salazar estampou os principais noticiários internacionais. Na época, o oficial da inteligência americana da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) foi encontrado morto pelas autoridades, após ter sido sequestrado, torturado e assassinado por narcotraficantes de Guadalajara, no México.

As investigações e o crime

Nascido em 26 de julho de 1947, em Mexicali, México, Camarena imigrou para Califórnia quando ainda era criança. Já na fase adulta ingressou para a Marinha dos Estados Unidos e após sua dispensa em 1970, ingressou no departamento de polícia. Mais tarde, o agente passou a integrar a Drug Enforcement Administration (DEA), um programa de contratação para agentes de língua espanhola.

Preocupados com o aumento da produção de heroína e maconha no México e alta comercialização nos Estados Unidos, ambos países iniciaram um trabalho em conjunto durante a década de 1970 para conter o narcotráfico. Sob forte pressão das autoridades estadunidenses, o governo mexicano iniciou em 1973 o DEA, um programa de erradicação de plantações de drogas em todo o território.

Kiki Camarena na capa da revista TIME, em 1988 / Crédito: Divulgação / Youtube / Mark Marquez

 

O agente Kiki Camarena assumiu o cargo no escritório de Guadalajara no verão de 1980, quando o tráfico de drogas no México havia aumentado de maneira exponencial. Em seguida, o oficial passou a investigar as principais plantações de maconha que surgiram no país.

Já em 1984, cerca de 450 soldados mexicanos destruíram uma plantação de maconha de mil hectares em Allende. Como represália, Camarena foi sequestrado em plena luz do dia em 7 de fevereiro de 1985. Suspeito de ter vazado informações, o homem foi raptado por oficiais corruptos que trabalhavam para os principais narcotraficantes do México.

Naquele fatídico dia, o agente foi levado à propriedade de Rafael Caro Quintero, o co-fundador do agora desintegrado Cartel de Guadalajara. No local, ele foi torturado durante 30 horas seguidas, tendo seu crânio perfurado por um objeto de metal e suas costelas quebradas. Seu corpo foi encontrado somente em 5 de março de 1985, enrolado em um plástico na zona rural do estado de Michoacán.

Justiça e legado

Após encontrarem os restos mortais de Camarena, as autoridades implementaram a Operação Leyenda, que foi consierada a maior investigação de homicídio da DEA já realizada até então. Em seguida, identificaram Miguel Ángel Félix Gallardo e seus dois associados próximos, Ernesto Fonseca Carrillo e Rafael Caro Quintero, como os principais autores do crime.

Enterro de Kiki Camarena em 1985 / Crédito: Divulgação / Youtube / Mark Marquez

 

Além disso, o médico Humberto Álvarez Machaín foi detido pela DEA, como suspeito de ter prolongado a vida da vítima para que a tortura pudesse prosseguir. No entanto, após o julgamento realizado em 1992 foi libertado por falta de provas contundentes que provassem seu envolvimento no crime. Já os demais réus foram condenados pelo sequestro e assassinato de Camarena.

Posteriormente, o agente foi condecorado com vários prêmios pelo seu trabalho e chegou a estampar a capa da revista TIME, em 1988. Diversas outras homenagens foram feitas ao longo das décadas e a história do oficial chegou a ser retratada na minissérie The Last Narc, lançada em 2020 pelo Amazon Prime Video.


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