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Marie-Madeleine, a cruel primeira envenenadora em série da História

A marquesa Madeleine era da alta classe francesa e cometeu terríveis assassinatos — e teve um destino brutal

Caio Tortamano Publicado em 15/05/2020, às 13h00

Marie-Madeleine de Brinvilliers
Marie-Madeleine de Brinvilliers - Wikimedia Commons

Filha mais velha de cinco irmãos, Marie-Madeleine, a Marquesa de Brinvilliers, já não era mais virgem aos 7 anos. Possivelmente, seus irmãos foram quem abusaram dela, mas tudo permaneceu em segredo, pois a família era frequentadora assídua das missas.

Com 21 anos — consideravelmente tarde para a época — teve seu casamento arranjado com Antoine Gobelin de Brinvilliers, numa repleta de interesses por parte das famílias e pouca afeição por parte dos casados.

Em uma época em que não havia divórcios, especialmente nas altas classes da França, Marie-Madeleine começou a ter diversos casos extraconjugais, bem como o seu marido, que também não se privava de dar algumas escapadas.  Porém, a infelicidade da mulher em estar casada com o homem surtiu nela um interesse mórbido, e passou a estudar venenos.

Seu principal amante era Sainte-Croix, que também ajudava Madeleine a administrar os venenos.  Os dois, em conjunto, envenenaram o pai de Marie, Antoine d’Aubray, em busca da herança que lhe era prometida. Além do pai, a marquesa — que viria a ser considerada a primeira serial killer por envenenamentos — matou dois dos seus irmãos mais novos, Antoine e François d’Aubray.

Para saber que o preparo de venenos daria certo, Madeleine testava seus compostos em pacientes doentes de hospitais e em seus criados. Como eram apenas tentativas, algumas vezes as cobaias morriam, porém em outras tantas oportunidades elas agonizavam em vida e demoravam até chegar ao óbito.

Depois da morte por causas naturais de Sainte-Croix, ela estava sozinha em sua cadeia de matanças. Porém, ela não contava que com a morte de seu cúmplice seriam encontrados diários e cartas marcadas com “Não abra até a morte dos Brinvilliers”. Sua acusação estava montada.

A fuga

Em 1675, depois de ter sido apontada como culpada pela morte dos nobres franceses e de outras acusações, como incesto, adultério, sodomia, aborto, entre outros, fugiu da França e da justiça.

Ilustração retratando a tortura de Marie-Madeleine / Crédito: Wikimedia Commons

 

Depois de algum tempo em fuga, tentou se disfarçar e recomeçar a vida como uma freira em Liège, na Bélgica. Mas o plano não saiu como o esperado, e foi desmascarada depois de um ano.

De volta para a França, seus pertences foram capturados e, entre eles, uma carta de confissão. Nela, Madeleine confessou que envenenou o pai por interesse financeiro (detalhando até como ela fez um criado colocar o veneno na comida), envenenado seus dois irmãos e ter pensando sobre matar sua irmã, pois considerava que o estilo de vida dela era horrível.

Por último, Marie contava que tentou suicídio algumas vezes, o que acabou se tornando a pior e mais grave acusação contra ela, uma vez que a sociedade ultra religiosa francesa condenava a ação. Nem mesmo sua filha escapou dos planos da mãe, que queria matá-la por inveja de seu corpo.

Seu marido Antoine foi alvo da perversidade da marquesa pelo menos cinco vezes, mas ela sempre se arrependia e provia o antídoto logo em seguida. A sucessão de venenos, entretanto, fez com que o homem vivesse doente.

O julgamento de Marie-Madeleine recebeu atenção especial por se tratar dos crimes cometidos por uma marquesa, a repercussão foi tamanha que é dito que até mesmo o Rei Luís XIV se incomodou com toda a situação.

Marie teve uma postura firme, extremamente orgulhosa de sua posição social, nada disso bastou para que seu destino fosse diferente. A marquesa seria submetida à tortura para que revelasse seus cúmplices, e depois seria decapitada em praça pública.

Em seus últimos dias, na companhia de um padre, ela confessou todos os crimes, menos de ter matado sua irmã mais nova. De acordo com o relato do sacerdote, ela parecia bastante arrependida quando confessava seus delitos sanguinários.

Sua tortura foi beber forçadamente quantidades muito grandes de água (pouco mais de 7 litros), ao ser perguntada se havia algum outro envenenador na corte ela dizia não saber da existência de outros, somente de Sainte-Croix.

Pouco antes da execução, ela se mostrava muito aflita, pedindo para que o padre presente não a abandonasse antes de morrer. A cena causou confusão entre os espectadores, que começaram a se compadecer pela marquesa, que estava prestes a morrer. Depois de ceifada, até mesmo o carrasco afirmou ao padre que pediria que fossem rezadas dez missas para a mulher.


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