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Medo do mundo exterior: a história real por trás de Nada Ortodoxa, nova minissérie da Netflix

Criada por avós sobreviventes do Holocausto, a narrativa se baseia na história de uma jovem judia que foge de uma comunidade judaica ultra-conversadora nos Estados Unidos

Fabio Previdelli Publicado em 18/04/2020, às 00h00

Cena da minissérie Nada Ortodoxa
Cena da minissérie Nada Ortodoxa - Divulgação/ Netflix

Recentemente, a Netflix disponibilizou para os assinantes a minissérie Nada Ortodoxa, que conta, em quatro episódios, a trajetória de uma jovem judia, de 19 anos, da comunidade ultra-ortodoxa hassídica em Williamsburg (no Brooklyn, Estados Unidos), que foge para a Alemanha para escapar de sua vida e de seu casamento sem amor.

No entanto, o que poucos sabem, é que a narrativa foi baseada na história real de Deborah Feldman que, em 2012, publicou o livro Unorthodox: The Scandalous Rejection of My Hasidic Roots.

A versão audiovisual da trama segue a vida de Esther Shaprio que, assim como Feldman, também é uma judia de 19 anos que vive um casamento arranjado em uma comunidade do Brooklyn. As duas também foram criadas pelos avós, que são sobreviventes do Holocausto.

Cena da minissérie Nada Ortodoxa / Crédito: Divulgação/ Netflix

 

Apesar da união já durar um ano, Esther e seu marido ainda não fizeram sexo e o casal se vê cada vez mais pressionado a consumar o ato e, enfim, formar uma família. Dias após uma noite curta e dolorosa, a moça descobre que está grávida no mesmo dia que seu companheiro pede o divórcio. Assim, Esty, como é apelidada, foge de casa rumo a Berlim, onde sua mãe vive há anos.

A comunidade hassídica de Williamsburg segue um viés estritamente tradicional e ultra-ortodoxo que foi formado na Europa no século 18. Sua crença fundamental se baseia no “não mude nada” e continue seguindo os mesmos estilos de vida que surgiram quando o grupo começou. Os hassídicos, por exemplo, acreditam que a Torá é a palavra literal de Deus.

Segundo a escrita, homens e mulheres devem seguir os papéis tradicionais de seu gênero e são frequentemente separados, particularmente no culto e na escola. As crianças frequentam escolas particulares, onde passam muito mais tempo estudando sua religião do que aprendendo disciplinas ensinadas em escolas públicas.

Por lá, casamentos arranjados são uma prática comum e a maioria dos judeus hassídicos firmam laços depois de se conhecerem apenas algumas vezes antes da cerimônia. Existe também uma forte ênfase em iniciar uma família rapidamente após o casamento, pois a Torá instrui os seguidores a “serem frutíferos e se multiplicarem”, tornando a incapacidade de Esty de engravidar durante o primeiro ano de seu casamento um problema sério em sua comunidade.

As comunidades judaicas hassídicas não são apenas altamente tradicionais, mas são extremamente unidas, o que significa que a partida para uma vida secular é rara. Aqueles que optam por deixar a comunidade são frequentemente evitados por sua família, ostracizados por seus amigos e negados a custódia de seus filhos.

"É preciso uma quantidade enorme de coragem, inteligência e coragem", disse a ex-judia ortodoxa Lynn Davidman ao The Cut no que diz respeito a deixar a comunidade hassídica. “Eles são ensinados que o mundo exterior é perigoso, que precisam permanecer juntos porque Deus os escolheu e, se não seguirem os mandamentos de Deus, serão terrivelmente punidos. Eles crescem com um tremendo medo”.

Cena da minissérie Nada Ortodoxa / Crédito: Divulgação/ Netflix

 

O divórcio nesta comunidade também é muito raro. Quando o marido pede a separação, Esty, chocada, planeja fugir em silêncio. Ao chegar na Alemanha, a jovem tem poucos bens em seu nome, pouca educação e praticamente não conhece ninguém no país.

Porém, rapidamente faz amizade com alguns alunos da mesma idade em um conservatório de música. No entanto, o problema segue quando o marido e o primo dele, que pretendem arrastá-la de volta a Williamsburg, a procuram quando descobrem sua gravidez.

Embora Feldman tenha desempenhado um papel informal na produção da minissérie, os eventos que acontecem em Berlim são onde sua história e a trajetória de Esty se separam. Os cineastas explicam que apenas a vida de Esty em Williamsburg é baseada na vida de Feldman, enquanto sua trajetória na capital alemã é inteiramente uma ficção.

"Tivemos muitas discussões sobre quando você pode sacrificar a precisão e quando não", explicou Feldman ao New York Times. "Concordamos que você pode sacrificar a precisão, desde que isso não afete a narrativa".


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