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Freud realmente deu aval à cocaína?

Nova série da Netflix, que abusa da ficção ao reproduzir a saga do o pai da psicanálise, levantou a dúvida

Penélope Coelho Publicado em 01/04/2020, às 13h28

Sigmund Freud em 1905
Sigmund Freud em 1905 - Wikimedia Commons

Recentemente, a Netflix lançou uma nova produção baseada na vida de Sigmund Freud. Apesar de ser uma ficção histórica - na série intitulada Freud -, nem tudo o que é retratado aconteceu de fato. No entanto, internautas levanataram uma dúvida: Freud era viciado em cocaína?

Robert Finster, interpretando Freud em série da Netflix / Crédito: Divulgação 

 

Logo nos primeiros minutos da série, que estreou há algumas semanas, Freud, interpretado pelo ator Robert Finster, é visto tomando uma solução de cocaína diluída em água. A substância volta a aparecer várias vezes ao longo dos episódios. O que deixou claro a relação contínua do psicanalista com a droga. E na vida real, o pai da psicanálise, de fato, deu seu aval para a droga. 

Em 1856, na cidade de Freiberg, Morávia, o que hoje é reconhecido como a República Checa, nascia Sigmund Freud. O homem que mudou para sempre a história da psicanálise, pela revolução através dos estudos sobre a mente humana. Algumas peculiaridades do médico são pouco comentadas, porém, instigam grande curiosidade. Uma delas, por exemplo, refere-se ao uso que fazia de cocaína.

O homem usou, receitou e defendeu a droga, anos antes que ela fosse banida das prateleiras das farmácias e passasse a ser considerada ilegal, em 1914. A defesa do uso da cocaína nunca foi algo que Freud escondeu, muito pelo contrário.

Foto do arquivo pessoal de Freud / Crédito: Wikimedia Commons

 

Freud e seu estudo sobre a cocaína

Ainda jovem, com mais ou menos 28 anos, Sigmund Freud, então neurologista em Viena, se interessou muito pelo pó, antes mesmo de desenvolver seu trabalho com a psicanálise. Ele chegava a afirmar que a droga era mágica, e a receitou para seus pacientes, e ironicamente até para os que estavam viciados em morfina. Na época, ele não sabia que poderia causar outro vício.

Em 1884, Freud, publicou um artigo chamado Über Coca, (Sobre a Coca, em tradução livre). Na obra, ele discutia o potencial da cocaína para a cura da histeria e outras doenças mentais. O profissional acreditava que o pó fosse um remédio ainda não testado para diversos tratamentos. Então, além de ser um usuário fiel, ele também receitava a droga até mesmo como analgésico. Porém, diferente da psicanálise, essa pesquisa não foi tão popular.

Imagem ilustrativa de cocaína / Crédito: Pixabay

 

Na bibliografia Freud e a Cocaína (2014), escrita por David Cohen, um dos autores que mais escreveu perfis biográficos de psicólogos do século 20, o escritor expõe suas conclusões sobre a perigosa relação de Freud com a droga. O livro mostra alguns erros do médico, que nunca reconheceu seu vício em cocaína. Ele se declarava apenas viciado em charutos, o que causou o câncer de mandíbula.

Além disso, Freud acabou perdendo um amigo e paciente que ele tratava com cocaína. Ernst Von Fleischl-Marxow, também era médico e viciou-se na droga por conta do tratamento que fazia com Freud, contra a dor de uma amputação de um polegar. Ele morreu aos 45 anos de idade em decorrência do uso abusivo.


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