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Mentiras de guerra: Os cinco maiores mitos sobre a Primeira Guerra Mundial

Marcante para a história do século 20, esse conflito gerou narrativas que se espalharam através do tempo

Joseane Pereira Publicado em 18/12/2019, às 09h00

Soldados britânicos nas trincheiras, 28 de outubro de 1914
Soldados britânicos nas trincheiras, 28 de outubro de 1914 - Getty Images

Durante a vida, escutamos muitas histórias sobre a Primeira Guerra, que teria dado início ao “breve século vinte” descrito pelo historiador Eric Hobsbawm. Entretanto, algumas declarações sobre esse trágico conflito não passam de mitos espalhados de geração em geração. Confira abaixo alguns deles.

1. As trincheiras foram moradia de soldados por anos

A primeira coisa que vem à mente quando pensamos nessa guerra é a vida difícil dos soldados nas trincheiras — unidades molhadas, frias e enlameadas diariamente em frente ao inimigo. Entretanto, a verdade é outra: homens do Exército Britânico, por exemplo, entravam e saíam continuamente desses esconderijos, e o tempo máximo que uma unidade passava lá era 10 dias por mês, sendo no máximo três dias na linha de frente.

2. Britânicos e alemães jogaram uma partida de futebol na linha de frente

Tropas usando máscara de gás, 1915 / Crédito: Getty Images

 

Segundo a história, no Natal de 1914 tropas britânicas e alemãs esqueceram a guerra por algumas horas, fazendo uma trégua para jogar futebol no campo de batalha. Propagada por ser muito bonita, simbolizando a união humana em condições extremas, essa história entretanto não tem evidências concretas.

Segundo Dan Snow, historiador e radialista da BBC, “a ideia de uma partida internacional é tão poderosa porque parece ser uma afirmação do que temos em comum. Mas a trégua de Natal é muito maior que uma partida de futebol. É claro que havia confraternização: havia todo tipo de coisas maravilhosas acontecendo, todo tipo de afirmação de nossa humanidade”.

3. Foi a guerra mais sangrenta que o mundo já presenciou até então

Cinquenta anos antes da Primeira Guerra, o sul da China foi palco para a rebelião de Taiping, confronto entre a China Imperial e um grupo inspirado pelo místico Hong Xiuquan. A estimativa de mortes nessas batalhas foi de 30 a 40 milhões de pessoas, enquanto 17 milhões de soldados e civis faleceram em decorrência da Primeira Guerra.

4. As táticas na Frente Ocidental permaneceram as mesmas

Soldados britânicos em tanque de guerra / Crédito: Getty Images

 

Os quatro anos de guerra foram períodos de extraordinária inovação tecnológica. Enquanto em 1914 generais andavam a cavalo pelos campos de batalha e soldados atacavam inimigos usando roupas de tecido e rifles, quatro anos depois era possível ver tropas com capacetes de aço avançando em meio a lança-chamas, metralhadoras e granadas. E aviões com tecnologia inimaginável até então sobrevoavam rapidamente os céus.

5. Foi uma guerra sem vencedores

Após 1918, a Europa estava devastada. Países ficaram em ruínas, e sobreviventes do conflito apresentavam graves problemas mentais. Entretanto, apesar das tragédias, se observarmos do ponto de vista político o Reino Unido e seus aliados saíram vitoriosos. Em setembro de 1918 o governo alemão admitiu sua desistência, sem forçar a continuidade de uma guerra inútil — como o fez Adolf Hitler anos depois.


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A Primeira Guerra Mundial: Os 1.590 dias que transformaram o mundo, de Martin Gilbert (2017)

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