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Molestada e condenada à prisão: O terrível caso Chrystul Kizer

Uma garota menor de idade se relacionou com um homem que passou a prostituí-la, e depois de matá-lo ela recebeu uma sentença severa

Caio Tortamano Publicado em 07/07/2020, às 18h00

Foto de arquivo pessoal da garota abusada
Foto de arquivo pessoal da garota abusada - Divulgação - Change.org

No dia 5 de junho de 2018, um homem foi alvo de dois tiros na cabeça, teve seu corpo incendiado e o responsável pelo episódio, ocorrido na cidade de Kenosha, nos Estados Unidos, fugiu no veículo do morto, Randall Volar.

O detalhe é que a autora do crime era uma jovem americana de 17 anos chamada Chrystul Kizer, que desde os seus 16 anos era explorada sexualmente pelo homem que havia matado. Desde que se conheceram, o homem, com 33 anos na época, tinha abusado da jovem inúmeras vezes, e filmado essas ações violentas sem nem mesmo a garota saber.

Em fevereiro de 2018, Volar chegou a ser preso por assédio sexual e pedofilia, mas foi liberado logo em seguida . Isso porque Kizer não foi a única, uma lista de outras menores de idade estavam entre as vítimas do homem branco — todas negras.

Angustiada e injuriada pela descabida decisão do seu perigoso agressor ter sido liberado sem nem ao menos ter que pagar fiança, Chrystul não teve dúvida e foi até a casa do homem em uma noite de junho e atirou duas vezes na sua cabeça.

As investigações iniciaram, e não demorou para que a garota confessasse de que tinha sido ela a autora do crime. Porém, nunca deixando de ressaltar que agiu em legítima defesa, uma vez que na noite do ocorrido ela tinha se recusado a fazer sexo com Volar, fazendo o homem forçar ela contra o chão para estuprá-la.

Ela acabou sendo acusada por incêndio criminoso e homicídio doloso em primeiro grau pela justiça de Wisconsin. Caso condenada, esses crimes poderiam render a garota uma sentença de prisão perpétua.

Wisconsin é um dos muitos Estados americanos onde uma vítima de tráfico sexual pode provar que cometeu um crime por estar sendo traficada, validando a prerrogativa de legítima defesa. No entanto, o fato de que foi Kizer quem se envolveu inicialmente complicou o caso na visão da justiça, onde foi alegado que o assassinato fora premeditado.

Conturbada relação

A relação entre os dois começou com uma grande mentira, o homem afirmou que tinha 19 anos quando, na verdade, tinha mais de 30, tudo para não assustar a garota. O que não fez sentido uma vez que, antes de ser preso, a relação entre os dois ficava cada vez mais agressiva, com Volar obrigando Chrystul a fazer cada vez mais coisas como forma de recompensá-lo por tirar a menina da miséria.

Tanto a suposta ajuda do homem — que encontrou a garota em uma situação delicada, com a família desestruturada — quanto ele ser mais velho que ela, faziam com que Kizer se submetesse a obedecer tudo que ele lhe mandasse.

E foi assim que ela aceitou fazer programas para levantar dinheiro para os dois. Aparentemente, investigações póstumas mostraram que Chrystul não era a única, haviam outras garotas menores de idade envolvidas. A menina se encontrava com homens em motéis na presença de Randall que só pegava o dinheiro.

Randall Volar em mugshot / Crédito: Divulgação - Kenosha County Sheriff

 

Depois da prisão do traficante sexual a garota tentou mudar de vida e se distanciar cada vez mais de quem era antes. Por isso, até arranjou um namorado um pouco mais velho — esse sim, de fato um pouco mais velho — e passou a morar com ele. Porém, certo dia depois de uma suposta briga, ela foi para a casa de Volar em busca de outra companhia.

Dessa vez, entretanto, estava com uma pistola na bolsa que seu namorado tinha dado pra ela se proteger de possíveis agressores. Isso foi justamente o que ela encontrou naquela fatídica noite de 5 de junho, em que Volar insinuava querer sexo e Rizer deixando claro que não queria.

Supostamente, Randall teria drogado ela com ácido, então a menina dizia estar se sentindo "estranha". Quando o homem foi para cima dela a reação foi instintiva, ao que ela diz nem mesmo lembrar de ter feito os disparos.

Julgamento

Enquanto o processo decorria a história da menina começou a ficar famosa, e instituições humanitárias e algumas manifestações foram feitas em seu nome. Algumas trocas de mensagem apontam que o assassinato foi premeditado, com a menina conspirando em como seria a melhor maneira de realizar o crime.

Isso foi o suficiente para que Chrystul Kizer fosse condenada a prisão perpétua em 2019, gerando grande comoção por parte de ativistas. A criação de uma petição online gerou milhares de assinaturas, aumentando ainda mais a notoriedade do caso.

Porém, em 2020, a garota que já estava sob prisão preventiva enquanto esperava pelo julgamento teve a sua fiança paga por meio de uma ONG que angariou os fundos em financiamento coletivo. 

Com isso, agora a menina aguarda seu julgamento terminar para que o pagamento de 400 mil dólares da organização Chicago Community Bond Fund possa ser utilizado para a criação de um fundo de ajuda para meninas na mesma situação.

A instituição afirmou por meio de nota: “Ninguém deve ser preso por sobreviver à violência contra si próprio. Muitas das vezes, sobreviventes de violência — especialmente jovens e mulheres negras — são punidas por se defenderem”.


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