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O que acontece com o seu corpo 100 anos após a morte?

De um corpo completo e saudável, voltaremos ao pó. Entenda como funciona o processo de decomposição dos cadáveres

André Nogueira Publicado em 04/01/2020, às 08h00

Representação de um cadáver
Representação de um cadáver - Getty Images

Você está morto. Dentro de um caixão. Apesar de não ser capaz de perceber isso, como é da natureza de seu estado, vejamos o que acontece em seu corpo pelos próximos 100 anos. Então, ao verme que primeiro comerá as frias carnes de seu cadáver, dedica-se esse artido tenebroso.

Após alguns minutos do falecimento, já começam os resultados inicias: com o fim das batidas do coração, o fluxo sanguíneo é interrompido. Assim, o transporte de oxigênio para seu cérebro deixa de existir. A massa cerebral, que exige muito oxigênio, é o primeiro a se decompor, pois suas células - que são 70% água - se destroem e liberam o líquido interno. Resultado: sua cabeça exala líquidos dentro do caixão.

O próximo é o seu intestino. Quando você era vivo, seu sistema imunológico equilibrava a relação com os trilhões de micróbios que já viviam em seu corpo e colaboravam na digestão. Agora, eles são liberados pelo corpo e fazem o que melhor fariam: comer. Atravessando seu intestino grosso, veias, fígado e vesícula, os micróbios vão consumindo seu frio corpo até estourarem a vesícula biliar: depois disso, o cadáver é inundado pelo líquido verde-amarelado.

Crédito: Reprodução

 

Em quatro dias, essas criaturas tomaram seu corpo inteiro. Produzindo gases tóxicos, como amônia, metano e sulfeto de hidrogênio, elas geram um forte inchaço em seu cadáver que resulta em um mal cheiro quase insuportável.

Em quatro meses, seu tom verde-amarelado deixa de existir, sendo substituído pela mórbida cor preta-acastanhada, resultado de derramamento do ferro sanguíneo das vias vasculares decompostas. Depois de liberado, esse ferro oxida, criando a clássica cor de pele das carcaças. Ao mesmo tempo, toda a sustância de teu corpo, antes unida em tecidos segurados pelas estruturas celulares, se torna um indiscernível muco aquoso, pelo colapso das células também destruídas pelo tempo.

Em menos de um ano, a bela roupa que sua família escolheu já está se desintegrando, por causa das toxinas ácidas geradas pela sua própria decomposição. Só restará o nylon. A partir daí, sua deterioração deixa de ser bruscamente interessante, passando por um monótono processo de diluição. Após 10 anos, a umidade e a falta de oxigênio possibilitarão que sua gordura se transforme em uma estranha substância chamada adipocere, ou cera cadavérica.

Na Indonésia, os corpos mortos voltam com roupas novas e trocadas / Crédito: Reprodução

 

Se você foi sepultado em um local muito seco, seu corpo caminhará no sentido oposto: a mumificação. Sem necessidade das ceras e ataduras clássicas do mundo egípcio, sua água irá evaporar através da pele em regiões como nariz e ouvidos. Resultado: um corpo seco e sem espaço para a decomposição bacteriana.

Em 50 anos, seu efêmero corpo já terá sumido: a liquefação dos tecidos levou à decomposição completa de suas partes moles. Sobram alguns tendões, sua pele e seu esqueleto. Mais alguns anos e nem eles sobrarão, apenas um punhado de ossos quebrados: resultado da deterioração do colágeno, que faz sobrar uma solitária estrutura de cálcio quebradiça (a parte mais dura do esqueleto).

Após a passagem do seu século de putrefação, o último resquício de ossos irá colapsar em pó. Você estará irreconhecível. Irão sobrar apenas as partes mais duráveis do organismo: a adipocere e os dentes. Junto a eles, talvez haja remanescentes dos fios de nylon que compunham sua roupa. Além disso, mais nada.


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