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O adeus do Cowboy: como John Wayne acabou sendo morto pelo próprio filme

Considerado um dos piores filmes da década de 1950, The Conqueror, gerou graves consequências para os envolvidos nas filmagens

Penélope Coelho Publicado em 28/10/2020, às 15h35

Pôster de The Conqueror (1956)
Pôster de The Conqueror (1956) - Divulgação

O ator norte-americano de filmes de cowboy, John Wayne, é conhecido por ser um dos maiores intérpretes nas produções de faroeste com mais de 200 filmes em sua carreira. Contudo, o homem também está envolvido em diversas polêmicas em relação ao seu posicionamento político, falas racistas e homofóbicas.

Até mesmo sua morte está relacionada a um episódio conturbado. O ator faleceu em 1979, em decorrência de um câncer no estômago. Apesar de fumar mais de seis maços de cigarro por dia, o que provavelmente causou a doença no astro foi um de seus papéis no cinema.

Cena do filme The Conqueror / Crédito: Divulgação / RKO Radio Pictures / Universal Pictures

 

Filme radioativo

Lançado em 1956, o filme The Conqueror (Sangue de Bárbaros, em tradução livre) contou com elenco de peso, além de Wayne, atores como Susan Hayward, Agnes Moorehead, John Hoyt e Pedro Armendáriz também participaram do longa. Na época, o papel de Wayne como um homem branco disfarçado de asiático não convenceu - e hoje muito menos. 

Contudo, apesar do elenco, o filme não agradou e foi considerado um dos piores já realizados durante a década de 1950. Entretanto, a maior polêmica de The Conqueror (1956), está bem longe de ser seu fracasso crítico.

Durante 13 semanas, o elenco e a produção filmavam o longa no Parque Estadual de Snow Canyon, perto de St.George, Utah. Acontece que essa localização estava muito próxima da Área de Testes de Nevada, região conhecida pela realização de testes nucleares ao ar livre nos Estados Unidos.

Acredita-se que através do vento, a área onde o filme estava sendo gravado foi contaminada, prejudicando a equipe de maneira geral. Ao todo, 91 pessoas que estavam de alguma forma envolvidas com o filme acabaram desenvolvendo câncer em algum momento da vida. Isso inclui WayneHayward, Moorehead, Armendáriz e o diretor Dick Powell.

A tentativa de se livrar da doença

Fotografia de  John Wayne / Crédito: Getty Images 

 

John foi um fumante compulsivo e fazia uso do cigarro desde muito jovem. No ano de 1964, ele foi diagnosticado com câncer pela primeira vez. Na ocasião, os médicos do ator perceberam que a doença tinha acometido seu pulmão.

O intérprete passou por uma cirurgia e removeu todo o órgão da parte esquerda, o procedimento foi bem sucedido. Na época, o homem que se referia a doença como “The Big C”, veio a público para falar sobre o assunto e convocou os admiradores de seu trabalho para fazerem exames preventivos. Depois de cinco anos, os doutores que cuidavam de Wayne informaram que ele estava livre do câncer.

Mesmo assim, o norte-americano decidiu se candidatar em um estudo experimental para uma vacina contra o câncer, na tentativa de evitar a volta da enfermidade, contudo, não demorou muito para que a doença se manifestasse novamente. Wayne não resistiu ao câncer de estômago e morreu no dia 11 de junho de 1979, aos 72 anos de idade.

O ator por sua vez, não acreditava que as doenças estivessem relacionadas à exposição nuclear a que ele foi submetido nas gravações de The Conqueror (1956). John costumava dizer que as enfermidades haviam sido causadas por seu vício em cigarro.

Entretanto, para Robert Pendleton, na época professor de biologia da Universidade de Utah, as mortes dos envolvidos na filmagem podem ser consideradas uma epidemia.

"Tem sido praticamente impossível provar a conexão entre a radiação e o câncer desenvolvidos em casos individuais. Mas em um grupo desse tamanho, você esperaria que apenas 30 casos de câncer fossem desenvolvidos. Com 91 casos, acho que o vínculo com a exposição no set de filmagens de The Conqueror (1956) deveria ser levado ao tribunal”, afirmou Pendleton.


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