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O perigo mora ao lado: a mulher judia que foi vizinha de Hitler

Alice Frank Stock viu o futuro ditador mais de uma vez enquanto andava por sua vizinhança

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 24/02/2021, às 17h13

Fotografia de Alice Frank, vizinha de Hitler
Fotografia de Alice Frank, vizinha de Hitler - Divulgação / Alice Frank Stock

Conhecemos hoje Adolf Hitler como uma figura histórica: um ditador que propagou o ódio contra judeus e a ideologia que acreditava na superioridade da “raça ariana”, instalou um regime sanguinário e impulsionou uma guerra mundial. 

Para Alice Frank Stock, todavia, o nazista foi, antes de tudo, seu vizinho. A situação torna-se particularmente tensa quando se leva em conta que Alice é uma mulher judia. 

Felizmente, a despeito de ter vivido por mais de uma década no mesmo bloco de apartamentos que o futuro ditador alemão, ela foi capaz de evitar a horrível experiência do Holocausto fugindo para a Inglaterra antes de ser capturada. 

Em 2020, o jornal inglês Bristol Post publicou sua história. Stock já estava então com 101 anos de idade. 

Vizinho perigoso 

O prédio de Alice ficava na cidade alemã de Munique. “Eu morava em um apartamento adorável, com quatro ou cinco quartos, um grande salão e uma sala de jantar”, contou ela ao veículo britânico. 

Fotografia mostrando bloco de apartamentos onde Alice morou / Crédito: Divulgação/ Alice Frank 

 

Na época, a jovem judia não tinha certeza do apartamento de Hitler, porém era capaz de identificar sua presença pelos avistamentos cada vez mais frequentes de soldados da SS que escoltavam o tirano enquanto circulava por locais públicos. 

Ela também chegou a se deparar com o futuro Führer quando estava nas redondezas de seu prédio. “Uma vez que fui à ópera - consegui os ingressos na escola. Fiquei muito satisfeita. Eu cheguei lá à noite e havia homens da SS dizendo: 'Você não pode entrar aqui - desça.' Quando a cortina abriu, olhei para o camarote - e lá estava Hitler sentado”, relatou Stock

Naquela época, vale dizer que já havia um episódio perturbador relacionado ao nazista: a morte de sua sobrinha, Geli Raubal, que teria se suicidado.

A moça de apenas 23 anos também teria morado com o seu tio por cerca de cinco anos antes de cometer o ato. Todavia, pouco se sabe realmente sobre a ocasião, que é alvo de discussão por parte de historiadores até os dias de hoje. 

"Especulou-se como e quando ela morreu. Mas nunca houve confirmação - e você não podia falar disso abertamente", comentou Stock para o Bristol Post. 

A ponto de explodir

Hitler assumiu o cargo de chanceler da Alemanha em 1933. O país era então um terreno fértil para o ódio e a intolerância, e a hostilidade direcionada à comunidade judaica cresceu vertiginosamente durante os anos seguintes, alcançando um pico na Noite dos Cristais, em 1938, um violento episódio em que as vitrines de lojas com donos judeus foram estilhaçadas. 

Fotografia de loja quebrada após Noite dos Cristais / Crédito: Divulgação 

 

A ocasião triste ficou marcada na memória do país e da própria Alice: “No dia seguinte à Noite dos Cristais, um amigo de meus pais ligou para eles dizendo que seu marido havia sido levado para um campo de concentração”, relembrou ela para o Bristol Post. 

Não muito depois, o próprio pai da judia acabou tendo o mesmo destino, de forma que Stock e sua família organizaram uma fuga para a Inglaterra antes que fosse tarde demais.

Na época, era preciso dar mil euros para buscar refúgio em solo britânico, uma quantia que não possuíam. Para resolver a questão, foi necessário trocar o raro e valioso violino do pai de Alice pela viagem em direção à segurança. 

A moça judia e seus parentes escaparam por pouco: partiram em um dos últimos trens que saiu da Alemanha para Londres. Dias depois, a Segunda Guerra Mundial teria início. 

Vida posterior 

Depois de passar alguns anos na Inglaterra, Alice se mudou para a França, onde casou-se com Roy Macdonald Stock. Eles voltaram a morar em território inglês em 2009, instalando-se na cidade de Bristol. 

Questionada pelo repórter do Bristol Post se teria tentado confrontar seu vizinho Hitler caso soubesse as atrocidades que ele cometeria no futuro, Stock negou: “Eu não gostaria de falar com ele porque meus sentimentos seriam muito fortes. Eu não poderia”, concluiu ela.


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