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O primeiro negro no poder: Há 11 anos Barack Obama se tornava presidente dos Estados Unidos

“O mundo mudou e precisamos mudar com ele”, declarou Obama em seu primeiro discurso

Fabio Previdelli Publicado em 20/01/2020, às 10h00

Barack Obama ao lado de Michelle durante cerimônia de posse
Barack Obama ao lado de Michelle durante cerimônia de posse - Getty Images

20 de janeiro de 2009, cerca de 2 milhões de pessoas enfrentaram o frio de 6ºC negativos em frente ao Capitólio, em Washington. Veículos de mídia do mundo inteiro se reuníram ao redor do National Mall. Em festa, centenas de vozes cantaram slogans como “Yes, We Can” e “USA, USA”. Todos queriam ver o presidente, todos queriam saudar Barack Obama.

Há exatos 11 anos, Barack Hussein Obama tomava posse como o 44º presidente do país, o primeiro — e único — negro entre eles. O início da cerimônia de posse começou com um ofício religioso acompanhado de sua mulher, Michelle.

Logo em seguida, o casal chegou à Casa Branca para um café com Laura e George W. Bush, que se despediam da residência oficial. Sorridente, Obama beijou Laura no rosto e cordialmente apertou a mão de Bush, que retribuiu com um tapinha no ombro. Michelle também cumprimentou o casal e entregou um presente a Laura.

Pessoas reuniadas durante a posse de Barack Obama / Crédito: Getty Images

 

Uma hora depois, sob forte esquema de segurança, Obama chegou ao Capitólio acompanhado de Bush. Saudado por uma multidão ele fez o juramento de posse junto de seu vice, Joe Biden. A partir desse momento, os Estados Unidos começaram a viver algo inédito: um presidente que não era branco e nem pertencia à elite.

Chamado de O Renascer da Liberdade, Obama aproveitou seu discurso de posse para relembrar os fundadores dos Estados Unidos e, também, para direcionar seu discurso aos não-americanos. "A América é amiga de toda nação em busca de paz e prosperidade".

Obama aproveitou o momento para fazer uma reflexão sobre o momento do país e para reafirmar sua promessa de campanha de deixar o Iraque e levar paz ao Afeganistão. "A América precisa desempenhar o seu papel de trazer essa nova era de paz. O mundo mudou e precisamos mudar com ele. Vamos começar a deixar responsavelmente o Iraque."

Ao falar sobre a economia, Obama citou o medo e a esperança. "Nós escolhemos a esperança sobre o medo. Sabemos da gravidade da crise, pois vemos a situação que vivemos, com milhares de empregos perdidos. Mas juntos conseguiremos sair dessa crise".

“Nossa economia está enfraquecida pelas escolhas de alguns. Os problemas não serão enfrentados em pouco tempo ou facilmente, mas, saiba disso América: serão enfrentados”, disse o presidente. “Teremos que enfrentar dogmas que por muito tempo impediram nossa nação de funcionar melhor. Nosso momento de defender interesses estreitos e pequenos acabou. O Estado da economia precisa de ação corajosa, e vamos agir."

Barack Obama durante discurso  / Crédito: Getty Images

 

Citando os ideais da Constituição americana, Obama saudou as diferenças culturais do país. “Sabemos que a multiplicidade de nossas heranças é fonte de força e não de fraqueza. Somos um país de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus — e descrentes. Fomos influenciados por todos os idiomas e culturas, vindos de todos os quadrantes da terra”.

Por fim, já emocionado, Obama citou seu pai que, há alguns anos, não poderia sequer comer em um restaurante, mas que, agora, via seu filho no Capitólio tomando posse como presidente.

A oração invocatória contou com a participação do reverendo Rick Warren, que afirmou que “o povo americano é grato por viver em uma terra de oportunidades, onde alguém como Obama pode tornar-se presidente”.  Logo em seguida, a rainha do soul Aretha Franklin cantou "My country 'tis of thee” — uma música patriótica que fala sobre a liberdade.

A posse foi acompanhada por membros do governo de George W. Bush, como Condoleezza Rice, secretária de Estado, além de Arnold Schwarzenegger, que na época era governador da Califórnia, os democratas Ted Kennedy e Al Gore, além dos pais de Bush, George Bush — que foi presidente 1989 a 1993 — e Bárbara Bush.