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O que era ensinado nas escolas do Terceiro Reich?

Nas salas de aula da Alemanha de Hitler, todos aprendiam a se juntar em nome da ciência e da raça. Mas também a odiar quem não era nazista.

André Nogueira Publicado em 24/01/2020, às 08h00 - Atualizado às 08h09

"Nós saarlandeses somos alemães": doutrinação nacionalista na escola
"Nós saarlandeses somos alemães": doutrinação nacionalista na escola - Getty Images

A ascensão de Hitler na Alemanha teve um forte impacto no projeto de Educação Pública no país, cujas escolas se tornaram incomparáveis em termos de doutrinação ideológica e desenvolvimento teórico das crianças. O ensino passou a ser pautado em três eixos: conhecimento, ideologia e militarismo.

A principal origem prática dessa nova escola alemã se encontra na indicação de Bernhard Rust, amigo de Hitler e nazista apaixonado, para o Ministério da Ciência, Educação e Cultura, em 1934. A partir de então, foram feitas reformas na Educação que objetivavam a fundamentação do totalitarismo.

Em 1937, uma lei (do Funcionalismo Civil) passou a obrigar os professores a defenderdem e jurarem lealdade ao Fuhrer. Gradativamente, porém com considerável velocidade, todas as escolas da Alemanha estavam alinhadas com o governo, tendo a maioria dos docentes militantes ou integrantes do Partido Nazista.

B. Rust / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com isso, os currículos escolares passaram a apelar para temas que circundavam a ideologia do Estado e do Exército. Era ensinado, desde cedo, os conceitos ideológicos e políticos divulgados no Mein Kampf, destacando o papel de Hitler na condução da Nação. Temas como a superioridade ariana, o Espaço Vital, a música alemã e a cultura nórdica apareciam frequentemente.

Além disso, eram ensinadas as tais Ciências Raciais, que usavam de uma distorção da biologia evolutiva para argumentar a superioridade dos germânicos (incluindo o falseamento dos argumentos arqueológicos, associando os arianos da Ásia Central com a gênese do povo europeu), e ao mesmo tempo ensinar a “compaixão” (ou seja, o sentimento de tutela) por outras raças. Na base dessa pirâmide forjada, ficava o desprezo pelos semíticos.

Em pouco tempo, os alemães passaram a conhecer uma versão própria das ciências. AO invés da visão atual de uma física universal, no Reich eram ensinadas as disciplinas como  química, matemática, física e engenharia. numa “versão alemã”. Ao mesmo tempo, era combatida na sala de aula a “ciência judaica”, que tinha como principal alvo a Teoria da Relatividade de Einstein.

Ao mesmo tempo, o que era ensinado na escola era assim feito com decência e maestria. O objetivo do governo nazista era criar crianças extremamente inteligentes e versadas nessas ciências alemãs, assim como, claro, na ideologia hitlerista e anticomunista.

Às vezes mais importante do que os conhecimentos a se aprender, era ensinado os conhecimentos a se destruir / Crédito: Getty Images

 

A Alemanha então passou a ser vista como uma terra do conhecimento: seus cidadãos seriam extremamente qualificados nas suas versões dos saberes científicos, sustentando a mais sofisticada indústria (inclusive bélica) do mundo.

Isso porque Hitler acreditava que a única maneira verdadeiramente vital de viver com qualidade era através do conhecimento, o valor extremo que caracteriza o homem.

Apoiou-se, por isso, uma visão de filosofia da ciência fechada em si mesma, um compromisso com a criação de alemães eruditos antes de reflexivos. Uma versão simplificada do idealismo hegeliano se tornou elemento motriz da educação pública.

Para além das escolas comuns, a educação no Reich era complementada pela principal instituição doutrinária do governo: a Juventude Hitlerista. Nela, as crianças eram unificadas em pelotões inspirados na Wehrmacht para polirem seu desenvolvimento mental e físico com o compromisso de criar os saudáveis, fortes, belos, inteligentes e sábios alemães perfeitos que Hitler queria.

Juventude Hitlerista / Crédito: Wikimedia Commons

 

Os jovens hitleristas eram submetidos a atividades em grupo controladas por uma força de vigilância rigorosa. Eram ensinados trabalhos manuais básicos (como escoteiros), hinos e conhecimentos aprofundados sobre desenvolvimento de eventos propagandísticos.

Era uma educação fortemente enraizada no totalitarismo. Os jovens aprendiam a efetuar comícios, criar discursos, disseminar a ideologia nazista e eram doutrinados para acreditar na superioridade o elemento nacional em relação à religião, à classe e ao emprego.

Segundo Hitler, “muitos desses meninos e meninas que se juntam às nossas organizações aos 10 anos de idade pela primeira vez na vida recebem um pouco de ar puro. Depois de quatro anos, eles unem-se à Juventude Hitlerista, onde permanecem por quatro anos. Se ainda não tenham se tornado nacional-socialistas por completo, eles entram para o serviço de mão-de-obra, onde serão lapidados por seis ou sete meses. Se ainda sobrar alguma consciência de classe ou status, as Wehrmacht cuidarão disso”.


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