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No século 20, ditadores foram indicados ao Prêmio Nobel da Paz

Contraditório ou não, alguns dos mais sanguinários líderes políticos já foram cotados para receber o notório prêmio norueguês

Isabela Barreiros Publicado em 09/10/2019, às 08h00

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- Wikimedia Commons

Adolf Hitler já foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz, por mais incorreto que isso possa parecer. Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, há cerca de 80 anos, o líder nazista foi considerado para concorrer ao prêmio — demonstrando como os critérios para tal escolha podem ser totalmente arbitrários.

A proposta foi feita pelo o deputado social-democrata sueco Erik Brandt, em janeiro de 1939, poucos meses antes da invasão alemã da Polônia. Brandt descreveu Hitler como “o Príncipe da Paz na Terra", elogiando-o do "brilhante amor pela paz no Terceiro Reich".

Ao final, o nome foi retirado das possibilidades, mas ainda permanece no registro de candidaturas ao Nobel da Paz.

Crédito: Wikimedia Commons

 

"Há tantas pessoas que têm direito a propor um nome que não é difícil ser indicado", comentou Olav Njølstad, historiador e diretor do Instituto Nobel Norueguês. Ministros e parlamentares de todos os países, inúmeros professores universitários e membros ou ex-membros do comitê do prêmio podem sugerir nomes.

Como são milhares as pessoas capazes de propor uma indicação, pode-se observar como as personalidades indicadas às vezes são, no mínimo, contraditórias por se tratar de um prêmio sobre paz. Outros ditadores também foram sugeridos.

O político fascista Benito Mussolini foi indicado, em 1935, por pesquisadores da Alemanha e da França. Nomeação irônica ou não, o historiador Asle Sveen analisa que essa situação, como a de Hitler, "mostra o quão perigoso pode ser usar a ironia em um ambiente político acalorado".

Mas além dele, Stalin também foi cotado para concorrer o prêmio — duas vezes. Nos anos de 1945 e, depois, em 1948, alguma pessoa pareceu achar o líder soviético digno de concorrer ao Nobel da Paz.

Crédito: Wikimedia Commons

 

"Nem Hitler, Stalin nem Mussolini foram seriamente considerados para o Prêmio da Paz. O que mais me surpreende é que muitos ditadores ao redor do mundo se abstiveram de serem nomeados", analisa o historiador Geir Lundestad, que foi diretor do Instituto até 2014.

A organização norueguesa aceita todos os nomes, desde que as pessoas que tem direito à nomeação enviem as propostas até o prazo, normalmente no dia 31 de janeiro. Mas apenas algumas passam pelas análises da comissão, por isso nem Hitler, nem Stalin e Mussolini puderam ganhar o famoso prêmio.