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Matérias / Civilizações

Os maias tentaram prever o fim do mundo?

A verdade sobre a teoria atribuída a antiga civilização

José Francisco Botelho, Arquivo Aventuras na História Publicado em 04/01/2022, às 13h58 - Atualizado em 17/06/2022, às 09h00

Cena do filme '2012' - Columbia Pictures
Cena do filme '2012' - Columbia Pictures

Muita gente já tentou antecipar a data do fim - evidentemente, ninguém acertou. Isso não diminuiu a atração por ele (e as especulações sobre quando virá). O tema voltou com tudo após a estreia de Don't Look Up (Não Olhe para Cima, em português), filme lançado pela Netflix no final de 2021.

Na produção cinematográfica, o cenário catastrófico e ficcional é usado como pano de fundo para evidenciar a gravidade do negacionismo nos dias atuais. Com o lançamento, muitos relembram que o ano de 2012 foi marcado por uma data peculiar: uma falsa previsão sobre o fim do mundo. 

Uma data que chamou atenção foi 21 de dezembro de 2012, alimentada por livros, sites e até por uma megaprodução hollywoodiana, todos baseados numa suposta lenda da antiga cultura maia.

Nas últimas décadas, várias teorias catastróficas surgiram em torno dessa data, de terremotos dantescos a mortíferas tempestades solares. Mas o que os maias realmente previram?

Complexos métodos

É fato que dominavam a astronomia e desenvolveram complexos métodos para contar o tempo. Eles adotavam quatro calendários diferentes - entre eles, o Tzolkin e a Conta Longa, destinada a medir grandes períodos.

O primeiro registro maia de seu uso é do século 3. Composta de uma combinação de cinco algarismos, ela era gravada em templos para comemorar grandes eventos.

Os algarismos aumentam da direita para a esquerda, começando em 0.0.0.0.0. Após 1 milhão e 872 mil dias (5125,37 anos), a marcação volta a zerar. Para os maias, o período entre as duas "datas zero" equivalia a um Grande Ciclo ou Era - a cada rodada de zeros, o Universo seria renovado pelos deuses.

No século 20, foi descoberta a sincronia entre a Conta Longa e o calendário gregoriano. Assim, a "data zero" inicial seria 11 de agosto de 3114 a.C. Para os maias, essa era uma referência sagrada, o início do ciclo que terminaria na próxima "data zero": 21/12/2012. Mas estudiosos já contestam esse cálculo e, sobretudo, os maias jamais previram o fim do mundo!

Nada disso!

Os maias acreditavam num tempo cíclico, mas sem as repetidas destruições da religião hindu, que, aliás, tinha similaridades com a mitologia dos astecas, segundo os quais o mundo já fora arrasado quatro vezes.

No século 16, quando os espanhóis invadiram o México, os astecas viviam na Era do 5o Sol. "Os antigos maias viam a mudança de ciclos como períodos de transformação e renovação. O ano de 2012 seria simplesmente o momento de retomar antigos ensinamentos espirituais por meio de cerimônias e celebrações", explicou o pesquisador John Major Jenkins.