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Pânico nas alturas: o avião que perdeu parte da fuselagem e conseguiu pousar em segurança

O acidente entrou para a história da aviação quando o Boeing sofreu uma descompressão explosiva que poderia ter sido fatal

Penélope Coelho Publicado em 04/08/2020, às 17h45

Boeing 737-297 da Aloha Airlines após o acidente
Boeing 737-297 da Aloha Airlines após o acidente - Wikimedia Commons

Em 28 de abril de 1988, tripulantes e passageiros estavam prontos para embarcarem em um voo que tinha tudo para ser rotineiro, porém, esse caso se tornou um marco na história da aviação e dos acidentes aéreos.

A aeronave Boeing 737 da companhia aérea Aloha Airlines saia de Hilo com destino a Honolulu, ambas as cidades localizadas no Havaí. Com 95 pessoas a bordo, o voo de número 243 não teve absolutamente nada de corriqueiro.

Rota do voo 243: Em azul a rota original e em vermelho o desvio feito depois do acidente / Crédito: Wikimedia Commons

 

O acidente

Na manhã do incidente, após uma inspeção na aeronave, nada de anormal foi detectado pelos inspetores. Além, disso as condições meteorológicas também estavam favoráveis naquele dia.

Contudo, após o Boeing decolar normalmente e atingir a altura de 7.300 mil metros, o avião sofreu por uma descompressão explosiva da fuselagem — o que desencadeou na abertura brutal de uma parte do revestimento metálico do teto da aeronave. O que logo se tornou um enorme buraco de cerca de 5 metros.

Em decorrência dessa abertura, uma tripulante foi sugada para fora do transporte aéreo, tratava-se de Clarabelle Lansing, uma aeromoça experiente na profissão. A mulher de 58 anos de idade foi arremessada para fora do avião e seu corpo nunca foi encontrado.

Apesar da triste fatalidade, a profissional foi a única pessoa morta em decorrência do acidente. Outras 94 vidas foram poupadas quando o capitão Schornstheimer conduziu a aeronave para o aeroporto mais próximo, o de Kahului, na ilha de Maui. 

Pouso

Foram 13 minutos apavorantes até o local e o pouso forçado foi realizado com segurança. Após a parada da aeronave, os tripulantes e passageiros foram retirados com rapidez do avião.

No total, 65 pessoas ficaram feridas em decorrência do acidente, oito delas inclusive apresentavam lesões graves. Na época, Maui não era habilitada com um centro de emergência para desastres desse tipo.Por isso, uma verdadeira comoção na cidade teve que ser feita.

As vítimas foram levadas para o hospital mais próximo, muitas foram conduzidas até a clínica através de vans pilotadas por funcionários e mecânicos do aeroporto, já que a cidade contava apenas com duas ambulâncias. Por coincidência, dois paramédicos estavam no local e ajudaram a realizar um processo de triagem dos tripulantes e passageiros, ali mesmo na pista.

A aeronave envolvida no incidente / Crédito: Wikimedia Commons

 

Consequências para a história

32 anos depois dessa tragédia, o incidente resultou em algumas melhorias que se tornaram importantes para os procedimentos de segurança da aviação. Após diversas análises na aeronave, os especialistas chegaram à conclusão que o acidente foi causado por uma deficiência na manutenção e inspeção e por problemas na estrutura da fuselagem.

Até a data do acidente a aeronave da Aloha Airlines já tinha acumulado mais de 35 mil horas de voo, mais do que o dobro do número de ciclos de voo para qual o avião foi preparado para aguentar. Além disso, o Boeing operou por muitos anos em uma área exposta a elementos como sal e umidade — o que colaborou para a corrosão do material.

A partir do acidente, as companhias aéreas passaram e investir na qualidade de programas de manutenção e inspeção a fim de evitar que mais casos como o do voo 243 acontecessem. A aeronave envolvida no incidente foi demolida e além dela, mais dois aviões da Aloha Airlines também foram destruídos, já que apresentavam problemas parecidos.

A tragédia foi relatada algumas vezes em produções audiovisuais, inclusive na famosa série de televisão canadense Mayday, no ano de 2005. Além disso, o episódio também foi retratado em um filme vinculado na televisão e intitulado Miracle Landing - Voo 243: Pouso de Emergência (1990).


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