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Pequena notável: Por onde anda Daiane dos Santos?

A gaúcha foi a primeira campeã mundial de ginastica artística pelo Brasil e ainda participou de três Olimpíadas

Fabio Previdelli Publicado em 25/07/2021, às 00h00

A ginasta Daiane dos Santos
A ginasta Daiane dos Santos - Getty Images

Em 24 de agosto de 2003, Daiana dos Santos se preparava para disputar a Final do Campeonato mundial de Ginastica Artística, que estava sendo disputada na cidade de Anaheim, que fica no estado americano da Flórida.  

Ao som de 'Brasileirinho', a gaúcha de 1 metro e 46 de altura mostrou toda sua grandeza ao executar com perfeição o duplo twist carpado, acrobacia de sua autoria desenvolvida com a ajuda de seu treinador Oleg Ostapenko

Daiane superou Ponor e Gomez no Mundial de Anaheim/ Crédito: Getty Images

 

Sua apresentação lhe fez desbancar suas principais concorrentes, as ginastasCatalina Ponor e Elena Gómez, na final da categoria solo. Naquele dia, Daiane entrava para a história do esporte brasileiro ao se tornar a primeira campeã mundial de ginastica artística pelo Brasil. Mas o que aconteceu com ela após todos esses anos? 

O início de uma carreira vitoriosa 

Segundo artigo publicado na Revista Brasileira de Educação Física e Esporte em julho/setembro 2010, grande parte dos técnicos de ginastas acreditam que a idade ideal para um atleta começar no esporte é entre 5 e 7 anos. 

Mas com Daiane as coisas foram muito mais tardias, o que tornou sua trajetória muito mais impressionante. A menina, nascida em Porto Alegre, em 1983, começou sua preparação quando já tinha 11 anos de idade, como explica matéria do Terceiro Tempo. 

Em 1994, Dos Santos foi descoberta pela professora Cleusa de Paula e começou a treinar no Centro Estadual de Treinamento Esportivo. Pouco depois, ela acabou se transferindo para o Grêmio Náutico da União.  

Em 1999, a ginasta já começou a colher os frutos de seu trabalho. Ao participar dos Jogos Pan-americanos de Winnipeg, conseguiu uma impressionante medalha de prata no salto individual e uma de bronze na competição por equipes.  

Em 2001, aponta matéria do UOL, ela participou de seu primeiro mundial, o Campeonato de Gante, disputado na Bélgica. Nessa oportunidade, ficou em quinto lugar do mundo disputando na modalidade que seria sua principal especialidade, o solo.  

Dois anos depois, Daiane deu mais um passo importante em sua carreira, se mudou para Curitiba, onde a seleção brasileira treina no Centro de Treinamento da cidade, como recorda o ClicRBS.

Nesse novo estágio, Dos Santos voltou a participar dos Jogos Pan-americanos, desta vez disputados em Santo Domingo, na República Dominicana, onde repetiu os resultados da edição anterior (prata no salto e bronze em equipes). 

Mais o passo mais ousado de sua carreira estava por vir meses depois, no Mundial de Anaheim, quando se tornou a primeira brasileira a conquistar uma medalha de ouro na competição. Com o inédito duplo twist carpado, que mais tarde seria batizado com seu nome, Dos Santos I, a gaúcha bateu a romena Catalina Ponor e a espanhola Elena Gómez

No ano seguinte, conquistou diversas medalhas em etapas de Copa do Mundo. Ainda em 2004, se preparou para a primeira vez que disputaria os Jogos Olímpicos, sediado em Atenas, na Grécia. Apesar de ser uma das favoritas para conquistar medalha, ela chegou lesionada para a competição, aponta o UOL.  

Daiane dos Santos em apresentação das Olimpíadas de Atenas/ Crédito: Getty images

 

Infelizmente, Daiane conseguiu somente a quinta colocação no solo feminino. Apesar de não conquistar nenhuma medalha, foi capaz performar seu segundo movimento, o Dos Santos II — ou duplo twist esticado.  

Após mais medalhas em etapas da Copa do Mundo, a ginasta começou o ano de 2006 com uma nova rotina de apresentação. Ao trocar o som de ‘Brasileirinho’ por ‘Isso aqui o que é?’, de Ari Barroso, ela ficou em quarto lugar do Mundial de Aarhus, na Dinamarca. No fim do ano, ganhou sua segunda medalha de ouro na Copa do Mundo, na modalidade solo.  

Do Rio a aposentadoria 

Em 2007, Daiane já era um dos principais nomes do esporte brasileiro e as expectativas para sua participação nos Jogos Pan-americanos do Rio eram enormes. Com uma lesão no joelho, ela terminou a competição com uma medalha de prata, sendo superada pela equipe norte-americana, recorda o UOL. 

No ano seguinte participou de sua segunda Olimpíadas, em Pequim, na China, onde fez história novamente ao participar da primeira final coletiva da história da ginástica artística brasileira — elas ficaram na oitava colocação. No solo, Dos Santos ficou em sexto. 

Os meses seguintes não foram nada fáceis para a atleta. Ainda em 2008, em outubro, conforme aponta o portal A Notícia, ela passou por uma cirurgia no joelho direito. O procedimento corrigiu o alinhamento de sua perna, que estava desviada angularmente em dez graus.  

Meses depois, já em 2009, passou por outra intervenção, desta vez para retirar a placa de titânio colocada na cirurgia anterior. 

Sua reintegração a seleção brasileira só aconteceu em maio de 2011, informa o Sport News. Ainda assim, fez parte da delegação que participou dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, quando terminou na 12ª colocação por equipes. Após uma nova cirurgia no joelho, decidiu se aposentar do esporte que se dedicou durante anos.  

Daiane em Londres 2012/ Crédito: Getty Images

 

“Foi um processo que amadureceu aos poucos. A decisão da hora de parar de competir tem que ser muito madura”, diz em entrevista à Boa Forma.

“Comecei a pensar [na aposentadoria] em 2008, vim maturando essa ideia durante esses quatros anos, me preparando de todas as formas para uma vida pós-carreira de atleta”, conta ao dizer que isso ajudou a eliminar qualquer arrependimento da situação. 

Atualmente, Daiane dos Santos trabalha como educadora física e palestrante, além de dedicar um tempo para a gestão do seu projeto social, o Brasileirinhos. Em 2014, Daiane estreou na TV Globo como comentarista no Mundial de Ginastica, função que exerce novamente durante os Jogos Olímpicos de Tóquio.

 
 
 
 
 
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