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Perdida na Amazônia: Juliane Koepcke, a jovem que sobreviveu a uma queda de 3 mil metros de altura

Koepcke sobreviveu a um desastre de avião, no entanto, continuou lutando para sobreviver às perigosas condições da floresta

Penélope Coelho Publicado em 15/06/2020, às 16h55

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Divulgação

A véspera de natal do ano de 1971 representou um marco na vida da jovem Juliane Koepcke, após se tornar a única sobrevivente da queda da aeronave em que estava naquele 24 de dezembro.

Aos 17 anos, Juliane e sua mãe, Maria Koepcke, estavam ansiosas para comemorarem a data em casa e compraram passagens para o fatídico voo 508 da LANSA. No entanto, o sonho se tornou pesadelo. O episódio resultou num grande desastre aéreo que deixou 91 pessoas mortas, entretanto, uma sobreviveu: era Juliane.

Origens

Nascida em 10 de outubro de 1954, em Lima, no Peru, a menina de família alemã era filha única. Seu pai, Hans-Wilhelm Koepcke, era biólogo e sua mãe Maria Koepcke, era ornitóloga.

Por ter crescido em um ambiente familiar diretamente envolvido com a natureza, a garota sabia se virar na floresta. Aos 14 anos, seus pais se estabeleceram em uma estação de pesquisa na Amazônia peruana, por isso, a menina já tinha certo conhecimento com a floresta. Ou seja, em uma possível desventura, a garota saberia se virar.

Aeronave semelhante a do voo 508 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Juliane estava acostumada a viajar e gostava da sensação de estar em um avião, porém, não demorou muito para que ela percebesse que algo não estava certo no voo 508. Os passageiros notaram uma forte turbulência e a aeronave começou a se mover fortemente.

De imediato, a peruana percebeu que presentes de natal começaram a cair dos bagageiros, e os raios tomavam conta do céu naquela noite.

Koepcke segurou firme a mão de sua mãe, mas, não conseguiu proferir nenhuma palavra, até que sentiu um forte baque e ouviu aquela que seria a última frase dita por Maria: “É o fim, tudo se acabou”.

O avião da LANSA tinha acabado de ser atingido por um raio, o que fez a aeronave entrar em colapso. A jovem estava amarrada no banco do avião, e caiu de uma altura de quase 3 mil metros. Koepcke disse que conseguia escutar o barulho do vento enquanto caía, mas, logo a menina ficou desacordada devido ao grande impacto.

Perdida na floresta

A queda da aeronave seria somente o início da luta que Juliane teria que enfrentar para se manter viva. Quando a garota acordou, percebeu que apesar de estar machucada, estava bem.

Com uma fratura na clavícula, o olho inchado, um corte na perna esquerda e no braço direito, a jovem notou que teria que dar um jeito de se manter na floresta, até que alguém viesse resgatá-la.

A menina que estava no meio da floresta amazônica recolheu alguns doces que também caíram da aeronave e manteve-se com isso. Ao mesmo tempo, ela sabia os riscos do local e usava seu sapato para abrir caminho no meio da mata e das vegetações.

Quando os doces acabaram, a peruana passou frio e fome, conforme os dias se passavam. Além, disso ela ainda cruzou com o corpo de algumas vítimas mortas no acidente. Como havia aprendido com o pai, a garota usou a pouca força que ainda a restava para percorrer por um rio em busca de alguém que pudesse salvá-la. 

Juliane Koepcke nos dias atuais / Crédito: Wikimedia Commons

 

Resgate

11 dias após a queda, todos os passageiros já haviam sido dados como mortos. A adolescente se sentia muito sozinha e quase não tinha esperanças de sobreviver, já que além das condições difíceis que ela enfrentava suas feridas também estavam infeccionadas.

Juliane achou que estava tendo alucinações quando avistou de longe, uma embarcação, até que percebeu que tratava-se de um barco. Conforme a menina se aproximava, madeireiros que estavam na floresta, a resgataram e ela usou sua fluência em espanhol para relatar o ocorrido.

Koepcke foi alimentada e seus ferimentos foram cuidados. No dia seguinte ela finalmente pôde ver seu pai, que selou o encontro com um abraço apertado — algo que Hans achava que não iria se repetir.

Após o resgate de Juliane, o corpo de sua mãe foi encontrado sem vida, mas, a mulher continua mantendo vivo o legado de Maria, e atualmente, trabalha como bióloga na Alemanha.

Sua trajetória serviu como inspiração para diversas histórias nas telonas, como o filme Miracles Still Happen (1974) e o documentário Wings of Hope (1998). Hoje, aos 65 anos, Juliane Koepcke continua sendo um grande exemplo de superação.


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