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Perigosa admiração: A intensa saga de Carole Boone, esposa de Ted Bundy

A mulher chamou atenção da mídia por ter ido contra os indícios e acusações que seu grande amor recebeu durante a vida de que era um sanguinário serial killer

Caio Tortamano Publicado em 04/06/2020, às 19h00

A esposa de Bundy, Carole Boone
A esposa de Bundy, Carole Boone - Divulgação

Apesar de ter assassinado confessadamente mais de 30 mulheres ao longo de sua vida, Ted Bundy foi um fenômeno entre as moças por conta de seu charme e lábia. Tanto é que, durante seu julgamento, Bundy chegou a se casar com Carole Ann Boone.

E mais, os dois pombinhos arranjaram um jeito de conceber uma criança enquanto o psicopata estava preso, a espera de um resultado — que seria a execução por cadeira elétrica. Em meio a toda essa loucura, Boone sempre permaneceu ao lado de Ted.

Fascínio

Em 1974, muito antes de virem a público os casos horrendos de Bundy, Carole cultivava apenas uma amizade com o rapaz enquanto trabalhavam no Departamento de Serviços de Emergência de Olympia, em Washington.

De acordo com o livro The Only Living Witness: The True Story of Serial Killer Ted Bundy, Boone é descrita como um espírito livre, que estava no seu segundo divórcio quando conheceu o assassino. Bundy, por sua vez, estava em um relacionamento nesse tempo, mas dava traços de interesse pela mulher, que recuava.

O relacionamento em questão era com Elizabeth Kloepfer, a quem Ted desempenhava um papel de figura paterna para a filha da mulher, que era mãe solteira.

Bundy e Elizabeth Kloepfer / Crédito: Divulgação

 

Nenhuma mulher podia imaginar que aquele sedutor rapaz era na verdade um sanguinário assassino, muito por conta do distanciamento que ele próprio criava entre seus comportamentos doentios e as pessoas a quem era mais próximo e apegado.

Primeira prisão

A primeira vez em que Bundy foi preso aconteceu em 1975, quando a polícia estava atrás do homem que teria sequestrado e agredido uma menina de 12 anos. Em seu fusca, foram encontrados uma máscara de esqui, uma meia calça, algemas, um picador de gelo e um pé de cabra.

Apesar disso, Boone continuou a mandar cartas para Ted enquanto ele estava preso, para manter a amizade que tinham construído e se aproximar ainda amis do homem a quem ela estava se apaixonando. Para cumprir os 15 anos de prisão que havia sido condenado, o assassino teria que se mudar para o Colorado, algo que ele não aceitou.

Fuga

Contando com a ajuda da amiga, Bundy pediu que Boone o levasse dinheiro na penitenciária. Com a quantia arrecadada, Ted conseguiu escapar da prisão e comprar uma passagem aérea para a Flórida. Lá, o serial killer realizaria suas mais famosas e cruéis façanhas, o assassinato brutal de duas meninas em uma sororidade, e a morte da garota de 12 anos, Kimberly Leach.

Com isso, a leal Carole se viu obrigada a se mudar para a Flórida para acompanhar o desenrolar das investigações e o julgamento pelo o qual seu grande amor estaria passando.

Boone e Bundy / Crédito: Divulgação

 

Nem mesmo as acusações pareciam abalar a admiração da mulher pelo amigo, e a mídia começou a cobrir a relação que os dois pareciam ter, sendo frequentemente questionada acerca das investigações e se ela acreditava na inocência do homem.

“Eu não acho que existam motivos para condenar Ted Bundy de assassinato” dizia Boone para a imprensa, a convicção era tamanha que a mulher se mudou para Gainesville, cerca de 60 quilômetro de distância da prisão onde Ted estava sendo mantido preso.

Casamento polêmico

Agora, dada a facilidade de ir até a cadeia, Carole frequentava o local semanalmente para as visitas que Bundy tinha direito. Nesse período, a mulher já teria admitido para a imprensa que estava, de fato, em um relacionamento com o assassino. A moça era simplesmente fissurada por Bundy, queria a todo custo ter um filho com ele.

Por mais absurdo que pareça, eles conseguiram, e ela engravidou em uma das visitas que realizou — muito provavelmente, ela subornou algum guarda para que conseguisse ter privacidade com o namorado. Tecnicamente, as visitas conjugais não eram permitidas, mas Boone afirmou que os guardas da prisão não se importavam com o que eles estavam fazendo, “eles eram muito legais”, dizia ela.

Entregue ao amor por Boone, Bundy usou seus conhecimentos legais — que adquiriu tentando ser seu próprio representante na corte — para descobrir que, na Flórida, bastava a presença de um juiz para que uma declaração de casamento se tornasse oficial e válida.

Foi exatamente isso que ele fez, depois de chamar Carole como sua testemunha, Bundy pediu para que ela o descrevesse, ao que ela apontou “gentil, caloroso e paciente”. Então, Ted simplesmente pediu a mão da mulher em casamento, ao que ela concordou.

Curiosamente, a essa altura, Bundy já estava condenado a morte por conta do massacre na sororidade, e viria a ser condenado outra vez pelo assassinato da menina de 12 anos. Passando 9 anos no corredor da morte, neste período que Carole repensou se deveria casar com o assassino.

Os primeiros anos depois de oficializado o casamento foram de união entre marido e mulher, tanto que a filha do casal, Rose Bundy, nasceu justamente nessa época. Mas isso durou somente quatro anos, quando Carole decidiu se separar do pai de sua filha.

Separação

Após o divórcio, pouco se soube da vida de Boone ou mesmo de Rose. Tendo provavelmente se mudado da Flórida com seus filhos (ela tinha um menino chamado Jayme com um de seus outros maridos), a mulher passou a viver uma vida pacata, longe dos holofotes.

Existem teorias de que ela teria ido para Oklahoma e mudado seu nome para Abigail Griffin, enquanto outros afirmam que ela se casou pela quarta vez e, finalmente, se estabeleceu com alguém bom para ela e os filhos. 


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