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Rede de mentiras: Como as fake news impactam a política e a sociedade

Em entrevista exclusiva à AH, o jornalista Branco Di Fátima explicou qual é o verdadeiro poder das notícias falsas na atualidade

Pamela Malva e Thiago Lincolins Publicado em 08/05/2021, às 08h00 - Atualizado às 10h11

Imagem meramente ilustrativa de homem usando o celular
Imagem meramente ilustrativa de homem usando o celular - Divulgação/Pixabay

Chamada de Arpanet, a primeira rede de navegação online foi lançada em meados de 1969, décadas antes da chegada do WhatsApp, do Facebook e do Twitter. Naquele ano, nascia uma das maiores potências de disseminação de fake news da história.

O problema é que, mesmo décadas antes da criação da própria internet, as notícias falsas já eram usadas por líderes mundiais durante guerras e conflitos, por exemplo. Não é novidade dizer, portanto, que as fake news têm um grande impacto social.

Em entrevista exclusiva ao site Aventuras na História, o jornalista Branco Di Fátima, autor do livro ‘Dias de Tormenta’, lançado em 2019, explicou qual é o verdadeiro impacto das fake news na política de diversas sociedades com o passar dos anos.

Imagem ilustrativa de teclado projetando fake news / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Rápida disseminação

“É verdade que notícias falsas sempre existiram”, narra Branco. “O diferencial [da internet] é a velocidade de propagação, a complexidade dos conteúdos e o alcance das narrativas.” Por isso, inclusive, o jornalista explorou a verdadeira relação entre a internet e diversos fenômenos políticos dos últimos trinta anos em sua obra.

Nesse sentido, “as tecnologias digitais, como a internet, o celular e as redes sociais, são um elemento potencializador das notícias falsas”, segundo explica o autor. “Mas por que as fake news funcionam tanto?” A resposta, segundo Branco, é bastante complexa.

“Poderíamos dizer que as tecnologias digitais estabelecem uma espécie de bolha ideológica, onde as pessoas veem reverberar informações que reforçam os seus pontos de vista.” Dessa forma, sentimos certo conforto ao encontrar uma informação ou notícia que combina com a nossa opinião, mesmo que as fontes sejam questionáveis.

Fotografia de Hitler na janela da Chancelaria do Reich, em 30 de janeiro de 1933 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Impacto político

Da mesma forma que acontece hoje, então, as fake news também tiveram uma enorme influência na formação da opinião pública há algumas décadas. Um exemplo disso são os Protocolos dos Sábios de Sião, utilizados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial para difundir o ódio contra os judeus em toda a população.

Para Branco, tal manipulação das informações pode ser, de certa forma, comparada com episódios recentes da história. Isso porque “além de confirmar o que pensamos, as fake news ampliam o nosso vocabulário do ódio, sobretudo em momentos de alta tensão social”, explica o autor. “As Eleições de 2018 no Brasil são um exemplo disso.”

Ainda mais, Branco recorda o que aconteceu na política norte-americana enquanto Donald Trump tentava chegar ao posto de presidente dos Estados Unidos. Na época, as fake news foram basicamente usadas como propagandas do Partido Republicano.

Fotografia de Donald Trump, o 45º presidente dos Estados Unidos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Fábrica de notícias

“As campanhas de Trump usaram métodos similares para criar e amplificar o vocabulário do ódio”, pontua o jornalista. “Nos Estados Unidos, houve a participação direta de uma empresa de marketing político, chamada Cambridge Analytica.”

Formada por uma equipe de informáticos, marqueteiros e psicólogos, a instituição “criou propagandas que trabalhavam os maiores temores do eleitor americano médio, como o desarmamento da população e a imigração”, segundo Branco.

O maior problema é que, por trás das cortinas, a empresa criou todas as campanhas com base em “dados pessoais extraídos, ilegalmente, do Facebook, e que permitiram traçar o perfil psicológico dos diferentes segmentos do eleitorado” de Trump.

Imagem meramente ilustrativa de rede online / Crédito: Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Um poder imensurável

Dessa forma, apesar de parecerem inofensivas, “as notícias falsas oferecem explicações simples para problemas complexos e que tendem a confirmar o que já pensamos”, narra o jornalista. “No campo político, por exemplo, podem moldar a escolha dos eleitores, mais com base nas emoções do que em argumentos racionais.”

Ao final de todas as contas, então, as fake news, além de terem um profundo impacto na política mundial, ainda mexem com “os nossos relacionamentos interpessoais” e com a “forma como pensamos a vida em comunidade”, segundo explica Branco.

No âmbito da política, o poder das fake news é bastante preocupante, já que pode moldar quaisquer resultados, uma vez que “a própria escolha nas urnas, muito embora democrática, pode ser condicionada pela desinformação”. “No fundo, a forma como as pessoas pensam, hoje, é estruturada por tecnologias digitais, como a internet.”

Não existem “fórmulas mágicas”, no entanto, que coloquem um ponto final no fenômeno das notícias falsas. Para Branco, “não há dúvidas que o combate às fake news exige um trabalho conjunto, que articule as escolas, a imprensa, os governos, os usuários de redes e as próprias empresas de tecnologia, como Facebook, Google e Amazon”.

Por fim, fica claro que a luta contra as notícias falsas é urgente, já que "a internet tem um papel importante no jogo político e as fake news interferem na democracia”, explica o jornalista. “Não ficaria surpreso se as fake news estruturassem o debate político nas Eleições [Brasileiras] de 2022”, finaliza o autor.


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