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Retratado em The Crown: O atentado que tirou a vida de Louis Mountbatten e sua família

Saiba o que aconteceu com o primo da rainha Elizabeth, morto em 1979

Giovanna Gomes Publicado em 22/11/2020, às 12h00

À esquerda, o ator que interpreta Louis na série. À direita, o verdadeiro membro da família real.
À esquerda, o ator que interpreta Louis na série. À direita, o verdadeiro membro da família real. - Divulgação

O ano de 1979 foi um período um tanto conturbado para a família real britânica. Naquela época, um imenso conflito ocorria na Irlanda do Norte, que permaneceu sob domínio da coroa após a divisão território, ocorrida em 1922. Enquanto parte da população defendia que o país deveria se unir à República da Irlanda, outro grupo queria que ela continuasse sendo parte do Reino Unido.

No meio desse embate, um triste episódio ocorreu: enquanto se encontrava em seu barco de pesca na baía de Donegal, o primo da rainha Elizabeth, Louis Mountbatten, acabou sofrendo um atentado. Ele foi o último vice-rei da Índia e um herói naval da Segunda Guerra Mundial. A história do atentado foi retratada na quarta temporada da série The Crown, que já se encontra disponível na Netflix.

Louis Mountbatten / Crédito: Wikimedia Commons

 

O conflito na Irlanda do Norte

A Irlanda do Norte sofreu durante três décadas com um conflito político e religioso entre republicanos (católicos) e unionistas (protestantes). Os primeiros defendiam a reunificação com a República da Irlanda, enquanto os segundos queriam que o país permanecesse como território do Reino Unido. Até 1998, quando os Acordos da Sexta-Feira Santa colocaram um fim ao conflito, 3.500 pessoas perderam suas vidas.

O conflito eclodiu no ano de 1968, quando a polícia reprimiu de maneira violenta uma manifestação pacífica do grupo republicano em Londonderry. De repente, uma onda de confrontos envolvendo republicanos, unionistas e também a polícia teve início.

Em 1970, surgiu o Exército Provisório Republicano Irlandês (IRA), um grupo armado que realizava ataques aos militares. Os protestantes criaram grupos paramilitares, de modo que a violência somente aumentava conforme os dias passavam.

Manifestantes no Domingo Sangrento / Crédito: Divulgação

 

Em 30 de janeiro de 1972, a polícia repreendeu manifestantes em Londonderry de maneira tão violenta que o episódio ficou conhecido como "Domingo Sangrento". Naquele dia, 14 pessoas foram mortas por tiros disparados por paraquedistas britânicos. No mesmo ano, em março, o Parlamento da Irlanda do Norte foi dissolvido, de modo que a Inglaterra retomou o controle da administração da província.

Em resposta, no ano de 1974, o IRA realizou inúmeros atentados com bombas em território britânico. Em ataques realizados em pubs nas cidades de Guildford, Woolwich e Birmingham, 30 pessoas foram mortas.

No dia 27 de agosto de 1979 o IRA arquitetou um atentado contra o Lord Louis Mountbatten, primo da rainha Elizabeth II. Eles implantaram uma bomba no barco de pesca do príncipe, que se encontrava de férias em Mullaghmore, na República da Irlanda. Além de Mountbatten, outras três pessoas perderam suas vidas, entre elas o neto do Lord, Nicholas.

No mesmo dia, o grupo paramilitar executou também uma emboscada contra o exército britânico, na qual 18 soldados foram mortos.

Mentor do príncipe Charles

Príncipe Charles em 2012 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Louis era mentor de seu sobrinho-neto, o Príncipe de Gales, de quem era muito próximo. Enquanto se preparava para visitar o local do atentado, em 2015, Charles declarou: "Na época não podia imaginar como ia superar a angústia que uma perda tão grande como essa me causou". Ele considerava Louis como seu avô.

"Por esta experiência horrível, entendo de uma maneira profunda o sofrimento de outros nestas ilhas, não importam quais fossem suas convicções religiosas ou políticas", afirmou. "Sou consciente da longa história de sofrimento da Irlanda, não apenas nas últimas décadas, mas ao longo da história", declarou o príncipe em discurso na cidade de Sligo.


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