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Sobibór, o campo de extermínio nazista derrubado por prisioneiros judeus

Essencial no projeto da Solução Final, o campo da morte foi palco de uma revolta que levou os nazistas à apagarem as lembranças do local em 1943

André Nogueira Publicado em 17/09/2019, às 15h12

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Reprodução

Sobibór foi um importante campo de extermínio nazista implantado na Polônia, ou seja, diferentemente de Auschwitz ou Dachau, o local existia somente para o assassinato em massa de minorias. Seu principal alvo eram os judeus - resultou na morte de 350 mil durante a Guerra.

A Solução Final

O campo foi desenvolvido por 15 nazistas que projetaram o recanto da morte. Após a Conferência de Wannsee, em 1942, foi decretada a lógica da Solução Final, o esforço direcionado ao extermínio dos judeus como prioridade de guerra. O objetivo era claro: limpar o Espaço Vital dos alemães.

Diante deste compromisso, deu-se inicio à Operação Reinhard, que consistia na construção de diversos campos dedicados a operações de extermínio, sendo complementar à realocação de 2 milhões de judeus na Polônia. Deste projeto, nasceram três campos: Bełżec, Sobibór e Treblinka II.

A Operação foi coordenada pelo general Odilo Globocnik e ficou dividida em dois departamentos: um para logística de emigrações compulsórias em massa de judeus no país e outro responsável pela construção dos campos. 

Sobibór ficou sob administração de Franz Stangl e foi construído pelo capitão Christian Wirth, que o inaugurou em abril de 1942.  A dupla, que já havia se unido no extermínio de deficientes físicos nos anos anteriores, comandou a concentração de diversos judeus para Sobibór. Quando os trens partiam, a SS derrubava o local anteriormente ocupado pelas vítimas.

Uma das poucas imagens da região / Crédito: Reprodução

 

Depois de fundado, o campo foi dividido em três setores operativos: administração, recepção e assassinato. Tendo como principal estratégia a câmara de gás, a maioria dos presos era diretamente encaminhados para o extermínio. Um caminho estreito chamado de Tubo ligava a área de recepção às áreas de morte.

Apesar de algumas estimativas colocarem que 170 mil judeus morreram em Sobibór, julgamentos ocorridos em Haia após a guerra, revelou um total entre 250 (Wolfgang Scheffler) e 350 mil (Erich Bauer).

A Revolta

Diante das atrocidades sádicas em Sobibór, um grupo de prisioneiros planejou uma audaciosa e perigosa fuga do campo, em outubro de 1943. O medo de muitos era que, além dos próprios extermínios, com a retomada da defensiva soviética, os nazistas poderiam querer destruir tudo por lá, encobrindo seus crimes de guerra. Por isso, a fuga parecia uma decisão razoável.

Liderados inicialmente pelo ucraniano Leon Feldhendler, o movimento ganhou reforços quando um grupo de soldados judeus soviéticos chegou à estação; por isso, a liderança passou para Alexander Pechersky. Quando estourou a revolta, os líderes ensejavam, pelo menos, matar os oficiais que mandavam no local.

Judeus soviéticos após sobreviverem à Guerra / Crédito: Reprodução

 

Ao total, 11 oficiais da SS foram mortos, enquanto 600 judeus invadiram as fortificações do complexo industrial da morte, em direção às fronteiras com uma floresta da região. Muitos não saíram vivos.

“Cadáveres estavam por toda parte”, escreveu o sobrevivente de Sobibór, Thomas Blatt, em suas memórias. "O barulho de rifles, minas explodindo, granadas e o som de metralhadoras assaltaram os ouvidos. Os nazistas atiraram à distância enquanto em nossas mãos eram apenas facas e machadinhas primitivas."

Cerca de 300 amotinados conseguiram escapar com vida do campo de Sobibór. No entanto, o medo dos revoltosos se tornou realidade: após a derrota nazista, os alemães destruíram o local para encobrir os crimes e o acontecido naquele ano.

O plano era transformar as instalações de extermínio em um local de detenção para mulheres e crianças deportadas para o oeste da Bielorrússia ocupada após o assassinato dos homens de suas famílias. Entretanto, isso nunca aconteceu e os nazistas só tentaram encobrir a existência de Sobibór, o que deu certo por um tempo.