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Sozinho na floresta congelante: a história do eremita Jake Willams

Nascido na Escócia, o homem vive há mais de 40 anos em uma cabana isolada no meio do mato, sem qualquer companhia

Pamela Malva Publicado em 29/01/2021, às 08h00

Fotografia de Jake Willams em sua cabana
Fotografia de Jake Willams em sua cabana - Divulgação/Eva Vermandel

Em toda a história da humanidade, os primeiros registros dos eremitas, ou ermitãos, datam de meados do século 3 d.C., na Antiguidade — momento de grande expansão da prática. Para os cristãos, por exemplo, o primeiro eremita foi Paulo de Tebas.

Com o passar das eras, a ideia de se isolar da sociedade — e viver na solidão em um lugar distante de tudo e de todos — passou a ser uma escolha para diversas pessoas em todo o mundo. É o caso de Jake Willams, um escocês de 70 anos.

Para o homem, ser eremita não é uma questão de religião ou penitência, mas um estilo de vida. “Havia uma tradição no século 18 de pagar eremitas para morar em suas terras e entreter os convidados”, ele contou, em 2012. “Eu teria gostado disso.”

Jake Willams boiando no lago próximo à sua cabana / Crédito: Divulgação/Eva Vermandel

 

Um jovem perdido

Perto de Aberdeen, no meio das densas vegetações da Escócia, Jake Willams é dono de uma ampla propriedade. Emaranhado entre as árvores, flores e arbustos, ele vive sozinho, com pouco ou, por diversas vezes, quase nenhum contato humano.

Segundo o próprio eremita contou ao The Independent em 2012, ele escolheu essa vida há mais de 40 anos. “Vivo assim desde que comprei a casa [na floresta] nos anos 1980”, contou o homem. “Fiz isso porque estava cansado de lidar com [outros] proprietários.”

Acontece que, enquanto morava com alguns amigos em Aberdeen, o jovem Jakefoi despejado da sua residência na época. Com o susto, ele começou a economizar dinheiro, mas as coisas não saíram muito bem como o escocês esperava.

Uma das cabanas na propriedade de Jake / Crédito: Divulgação/Canal 5

 

A escolha que mudou sua vida

Uma vez sem ter onde morar, Jake lembrou-se do trabalho que desempenhou em 1973 e decidiu tentar mais uma vez. Assim, ganhou dinheiro como técnico e marinheiro mercante e economizou o suficiente para conseguir comprar a casa no meio do nada.

“Me mudei no primeiro dia em que consegui o lugar”, lembrou o eremita. O problema, no entanto, era que antes de Jake, ninguém morava na cabana há mais de 20 anos. A casa, portanto, estava suja, bagunçada e muito úmida.

Dormindo em uma montanha de feno em um galpão da propriedade, então, o escocês tratou de deixar a casa aconchegante antes que o inverno chegasse. Inicialmente, ele imaginou que os amigos iriam morar com ele, mas não foi bem assim que aconteceu.

Fotografia de Jake Willams / Crédito: Divulgação/Canal 5

 

Solidão na floresta

Com o passar dos anos, Jake percebeu que ele moraria sozinho dali para frente, já que poucas pessoas sonhavam com a vida no meio do mato. Ainda assim, de vez em quando, o eremita recebe visitas de amigos próximos e de viajantes curiosos.

Décadas se passaram e, hoje, o homem sobrevive sem depender de ninguém, com uma vasta plantação e um estilo de vida autossuficiente. Em seus jardins, ele cultiva couve, repolho e groselhas; e a madeira necessária, ele encontrada no chão.

A carne, por outro lado, é um pouco mais complexa. Sem uma renda fixa ou um mercado nas redondezas, Jake come apenas os restos de animais que foram atropelados nas estradas da região. "É fácil de encontrar e o preço é justo", explicou.

Fotografia da casa de Jake / Crédito: Divulgação/Eva Vermandel

 

Um apaixonado pela vida

“O verão é a melhor época”, contou. “Você pode escapar e cozinhar no fogo ao ar livre. É adorável. É uma vida fácil. Se eu quiser ficar em casa, eu posso. Eu estoco comida e lenha para não morrer de fome se não sair.”

Apesar de estar sozinho na maioria do tempo, Jake já recebeu diversas visitas inusitadas. Além de grupos de dança escoceses que ficaram na cabana, o eremita também acolheu o jornalista Ben Fogle, quando o mesmo resolveu fazer uma reportagem sobre o homem que vive sozinho no meio do mato, em janeiro de 2021.

Candidato do Partido Verde em 2012, Jake já foi até processado. Na época, durante um inverno rigoroso, ele esquiava 20 km regularmente para ir e voltar dos julgamentos, que duraram cerca de cinco meses. “Foi um pesadelo. Mas sobrevivi”, narrou.

Fotografia de Jake Willams ao lado do apresentador Ben Fogle / Crédito: Divulgação/Canal 5

 

Sem limites ou paradas

Com longos 70 anos nas costas, Jake contou, na entrevista que concedeu à Ben Fogle, que ainda sonha com uma parceira para dividir seus dias. “Estou envelhecendo e vou precisar de alguns jovens para me ajudar a administrar o lugar”, lamentou.

Sempre bem-humorado, o eremita ainda brincou que, quem sabe, ele chegue a se casar com uma Kardashian um dia. “Eu fui casado anos atrás, mas acabou. Ainda assim, continuo sempre esperançoso”, explicou o escocês, que se formou em ciências.

Sozinho ou não, casado ou solteiro, Jake Willams afirma que tem a vida que sempre sonhou. No final das contas, para o eremita, a falta de trabalho ou de uma companhia fixa não fazem tanta diferença, já que sua vida, como ele mesmo diz, é uma aventura.


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