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Testemunha do homicídio do século: os mistérios da senhora Babushka

A possível espectadora que filmou o assassinato de John F. Kennedy causou tumulto nos Estados Unidos, gerando polêmica e alimentando as teorias da conspiração

Alana Sousa Publicado em 23/07/2020, às 12h30

Imagem da senhora Babushka no momento de morte de Kennedy
Imagem da senhora Babushka no momento de morte de Kennedy - Divulgação

Era uma sexta-feira, dia 22 de novembro de 1963, quando o 35º presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy foi baleado. Cerca de 30 minutos depois ele estava morto e o país em desespero. O que era para ser um dia tranquilo acabou em tragédia, a imagem da ex-primeira-dama, Jackie Kennedy com seu vestido rosa ensanguentado eternizou a perda de uma nação.

Rapidamente Lee Harvey Oswald, o autor do disparo fatal, foi capturado. No outro dia, estava morto, assassinado por um dono de boate. Apesar do responsável ter sido detido e, de alguma forma, punido, muitas questões ainda estavam em aberto.

O FBI queria a todo custo vídeos do momento do tiroteio, assim como alguma testemunha que pudesse dar alguma informação valiosa. Entre muitos relatos vagos e nenhuma pista sólida, um detalhe se destacou entre as filmagens recebidas pela polícia e depoimentos de pessoas presentes no local.

Momento dos disparos direcionados a limusine presidencial / Crédito: Divulgação 

 

Uma mulher que, aparentava ter uma idade avançada, usava um casaco longo, um lenço na cabeça e portava uma câmera em suas mãos, aparecia em quase todas as gravações da morte do presidente. Ela poderia ter gravado tudo pela posição em que se encontrava.

Sempre de costas para todos os ângulos de vídeos recolhidos pelas autoridades americanas, era impossível ver seu rosto, logo, não se podia identificar seu nome, ou quem era aquela pessoa misteriosa. O FBI decidiu apelida-la de senhora Babushka, e publicou um pedido público para que ela, voluntariamente, aparecesse e pudesse entregar sua filmagem — que seria crucial para as investigações.

Senhora Babushka

Muitas mulheres se apresentaram ao Departamento Federal de Investigação, mas por diversas razões foram liberadas. Nenhuma apresentava evidências o suficiente que pudessem comprovar que se tratava da verdadeira Babushka.

No entanto, em 1970, uma história em particular chamou atenção não só dos oficiais, como dos muitos entusiastas de teorias da conspiração. Era Beverly Oliver, uma americana que confessara sua identidade e usou uma narrativa controversa para explicar os acontecimentos daquela tarde em Dallas.

A senhora Babushka no canto esquerdo da imagem / Crédito: Divulgação

 

Durante uma reunião na igreja cristã localizada em Joshua, no Texas, Oliver disse a Gary Shaw, um teórico da conspiração, que era a Senhora Babushka. Ela tinha gravado a morte de Kennedy completa em uma câmera Yashica do filme Super 8.

Todavia, antes que pudesse voltar para casa e, em seguida, entregar a gravação para as autoridades, ela contou que dois agentes do FBI a abordaram e solicitaram sua filmadora. Mesmo sem ver as credenciais dos detetives, ela não hesitou e entregou o que foi solicitado.

Esperou por alguns dias, pois, eles lhe haviam dito que devolveriam sua máquina em cerca de duas semanas, mas nunca mais viu os homens ou teve em sua posse as imagens do assassinato. Também não procurou a polícia, na época Beverly afirmou que portava algumas gramas de maconha e não queria se envolver em problemas.

Controvérsias

Rapidamente, sua história ganhou espaço, e novas minúcias, no mínimo, questionáveis, vieram à tona. Oliver falou que conhecia Jack Ruby — assassino de Oswald —, e que ele a apresentara para Lee Harvey Oswald. Mesmo com várias pessoas duvidando do fato, ela manteve sua versão.

Enquanto algumas pessoas se rendiam a mulher, acreditando totalmente em sua história, outras começaram a notar algumas incoerências. Uma deles foi sobre a câmera que ela teria usado. Beverly tinha dito que era o modelo Super 8, porém, aquele utensílio só fora inventado em 1969,  seis anos após a morte do presidente.

Outro ângulo da senhora Babushka / Crédito: Divulgação

 

Sobre isso, a suposta Babushka explicou que sua máquina era um molde experimental. O que incentivou ainda mais os conspiradores a criar teorias. Alguma delas incluía que a câmera era uma arma, e que ela era uma espiã russa, ou, até mesmo, uma ex-agente americana.

Outro ponto que foi muito discutido era a aparência. Nas filmagens, a senhora Babushka aparentava ser uma idosa, de estatura baixa. Por outro lado, supondo que Oliver estivesse falando a verdade, na época ela teria 17 anos, diferente das imagens, a mulher era alta e magra, em nada se parecia com a misteriosa testemunha.

Mesmo com grande atenção, Oliver jamais conseguiu provar, de fato, se era quem dizia. Por outro lado, o FBI jamais chegou perto de qualquer outra pessoa que pudesse colocar um fim na incógnita. Quase 60 anos após a morte de Kenendy, ainda estamos longe de, um dia, descobrir a verdade.


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