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Mongólia: O trágico destino de um império grandioso

A Mongólia já dominou 20% do planeta. Mas a concorrência dos chineses destruiu o reino de Gêngis Khan

Redação Publicado em 12/06/2019, às 00h00 - Atualizado às 09h00

Monumento a Genghis Khan
Reprodução

Repleta de desertos imensos e planícies áridas sem fim, a Mongólia é um país praticamente sem agricultura. Pouco de seu território é bom para o plantio. Também tem poucos habitantes: são 2,9 milhões de pessoas, ou 1,7 por quilômetro quadrado (12 vezes menos que no Brasil).

Para piorar, um antigo território, a Mongólia Interior, é controlado pela China há mais de 300 anos. É nessa região, rica em petróleo e gás natural, que fica a maior base espacial chinesa. Mas onde foi parar o grande Império Mongol, que chegou a dominar cerca de 20% da área da Terra?

Hoje, estátuas de Temujin Borgijin, o Gêngis Khan (1162-1227), estão espalhadas por todo o país, sendo o principal ícone do imaginário e da identidade do país, que é multicultural. Seu rosto estampa de notas de dinheiro a garrafas de vodka. Mas o grande conquistador, que transformou uma malha diversa de tribos em um reino quatro vezes maior que o Império Romano, é uma lembrança de um passado distante. Nos 792 anos que se passaram desde a morte de seu líder máximo, a Mongólia perdeu território, centralidade e poder. Mas a decadência não foi imediata.

Extensão do khanato mongol em suas fases / Crédito: Reprodução

 

Dois anos após a morte de Gêngis Khan, o terceiro filho do conquistador, Ögedei (1186-1241), levou adiante a campanha de conquista: aniquilou a dinastia Jin, no nordeste da China, e tomou Moscou, a Polônia e quase toda a Hungria. Ögedei estava às portas de Viena e de Veneza, no ano 1241, quando morreu.

A demora na sucessão, que só se completaria em 1246, freou o avanço na Europa. O império começou a ruir a partir de 1260, quando Ariq Böke se tornou imperador na ausência do irmão, Kublai Khan (1215-1294). O conquistador retomou o trono, mas, após sua morte, o reino se dividiu. Começou então uma série de conflitos com os chineses, que, a partir de 1644, dominariam a Mongólia até o início do século 20.

Em 1911, os mongóis declararam sua independência. Em 1924, uma revolução comunista fez com que o país se aproximasse da União Soviética. Durante a Segunda Guerra Mundial, as tentativas japonesas de ocupação do país foram frustradas pelo exército soviético e, em 1945, com a Conferência de Yalta, Stalin negociou o mantimento da independência da Mongólia Exterior, mas sob influência russa, como exigência para a participação da URSS na Guerra no Pacífico. Com isso, a Mongólia tornou-se satélite da URSS stalinista.

Mongolia atual / Crédito: Reprodução

 

Essa nova situação perdurou até 1990, com a dissolução do bloco comunista. O que não significa que a nação esteja perto de reviver os tempos áureos. Pelo contrário: nesses 19 anos de autonomia, a Mongólia se tornou financeiramente dependente de seu grande adversário histórico, a China.