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“Um desejo terrível de lar”: A intimidade de Che Guevara, segundo sua mulher

Em um livro publicado mais de 40 anos após a morte do revolucionário, Aleida March conta que o marido tomava vinho nos almoços de domingo e preferia seu café sem açúcar

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 10/03/2021, às 17h08

Che Guevara com filhos do segundo casamento
Che Guevara com filhos do segundo casamento - Domínio Público

Além da Revolução Cubana e de seus escritos filosóficos, Che Guevara era uma pessoa que tinha um “desejo terrível de lar”. A descrição foi feita pelo próprio comunista em uma carta à sua segunda esposa, Aleida March, que publicou a correspondência e suas lembranças no livro Evocação: Minha Vida Ao Lado Do Che, lançado apenas em 2009, mais de quarenta anos após a morte de Guevara.

A obra expõe a intimidade de um dos homens mais importantes de toda a história a partir da visão de sua, desde então, viúva. Ela narra o começo do relacionamento, seguido pelo namoro em meio à guerrilhas, o casamento e as dificuldades em se encontrarem, principalmente devido à agenda revolucionária do comunista.

March inclusive fala sobre a dor da partida, quando Che deixou o lar pela última vez para ajudar nas atividades revolucionárias da Bolívia. Com essa despedida, eles nunca mais se encontraram: o argentino viria a morrer no vilarejo de La Higuera, na Bolívia, em 9 de outubro de 1967.

A vida pessoal de um revolucionário

Che e sua segunda esposa, Aleida March / Crédito: Wikimedia Commons

 

O revolucionário se casou duas vezes ao longo de sua vida. A primeira vez foi em 1955, com a economista e líder comunista peruana Hilda Gadea, com quem teve sua primeira filha, Hilda, que faleceu em 1995. Depois, casou-se pela segunda vez em 1959 com a combatente cubana Aleida March. Os dois tiveram quatro filhos: Aleida, Camilo, Celia e Ernesto

Nas palavras do autor Roberto Rossi Jung, no livro As mulheres na vida do Che Guevara (2003): “Amou algumas, casou com duas e manteve relacionamento mais íntimo com pelo menos mais três. Bem menos, portanto, do que muitos autores afirmam, e a própria história divulgou, de que seria uma multidão”.

Nos dias de hoje, tudo o que podemos saber sobre a intimidade do famoso comunista está nos depoimentos de seus familiares, que conviveram com ele menos tempo do que o esperado. March, por exemplo, manteve um silêncio imposto por ela mesma durante mais de 40 anos, quando, finalmente, decidiu publicar suas lembranças da vida com Che.

No livro Evocação: Minha Vida Ao Lado Do Che, ela mostra ao leitor uma carta escrita pelo próprio Guevara. Nela, ele se definia como “uma mistura de aventureiro e burguês, com um desejo terrível de lar”, o que pode surpreender quem o vê apenas como um revolucionário.

Em dias comuns, que não eram muitos devido ao constante envolvimento do comunista com guerrilhas, sua segunda esposa narra que o marido assistia lutas de boxe na televisão durante o tédio de sábados à noite. 

Em relação às suas refeições, tomava vinho nos almoços de domingo e, para os cafés da manhã, preferia seu café sem açúcar, fumava charutos e comia pudim de leite. Uma rotina completamente ordinária para um homem que é conhecido por seus planos revolucionários e armamentos pesados durante grande parte de sua vida.

Além de ter um comportamento comum em casa, Aleida também conta que o homem era um romântico: em cartas escritas durante seu período de clandestinidade, ele afirmava que queria passar o resto da vida “de mãos dadas” com ela, com muitos filhos ao seu redor. 

Crédito: Domínio Público

 

Quem também conta isso é Aleida Guevara March, a filha mais velha de Che com sua segunda esposa, nascida em 24 de novembro de 1960. Embora não tenha tido um convívio pleno com o pai, ela conta que teve uma boa relação com ele.

Em entrevista ao The Guardian em 2009, disse: “Meu pai não teve a oportunidade de aproveitar nossa infância. Mas quando ele estava fora, na maioria das vezes, ele nos enviava histórias e desenhos em cartões postais”. De acordo com a viúva de Che, ele também enviava presentes para a família quando estava longe. 

"Ele era um ser humano mágico, especial, com capacidade de se entregar completamente a algo, a uma causa, a inspirar”, afirma a filha mais velha do guerrilheiro. Segundo ela, o homem passava valores muito importantes aos filhos: "não maltrate os livros. Essa era uma crença muito forte. Seja amigo da humanidade, não tolere injustiças de qualquer espécie, em nenhum lugar e seja digno do seu país. Nada mais do que isso, mas isso era muito”.


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