Matérias » Animais

Vida no tanque: a não tão conhecida saga da orca matriarca Kasatka

Conheça a história da orca do parque SeaWorld, que morreu em 2017, após ter passado a vida em um tanque

Giovanna Gomes Publicado em 18/11/2020, às 13h12

Kasatka e seu filhote
Kasatka e seu filhote - Getty Images

Kasatka foi uma famosa orca do SeaWorld, parque localizado em San Diego, na Califórnia. Ela era a matriarca das orcas do parque e encantava a todos com suas performances.

Porém, a vida de Kasatka não teve a mesma alegria daqueles que a contemplavam. Ela morreu em 2017, quando tinha cerca de 42 anos, tendo vivido quase todo o período em um ambiente altamente estressante e alvo de fortes medicamentos.

A vida em cativeiro

Kasatka foi capturada na costa da Islândia em outubro de 1978, quando tinha aproximadamente dois anos de idade. Ela foi levada para o parque Seaworld para ser treinada para entreter o público, onde permaneceu por 39 anos até o dia de sua morte.

Orcas do SeaWorld em apresentação - Flickr

O animal que tinha 5,4 metros de comprimento e pesava 2,2 toneladas, fazia a alegria de milhares de espectadores, contudo, teve uma vida extremamente estressante como prisioneira em um tanque. Em algumas ocasiões, a orca demonstrou comportamento agressivo devido ao estresse e chegou a atacar seu treinador Ken Peters.

Na última vez, em 2006, ela o arrastou para debaixo d'água em dois momentos durante uma apresentação. Porém, Peters conseguiu escapar com ferimentos leves.

Ao longo de sua vida, a orca teve quatro filhotes. Takara foi a primeira e nasceu em 1991. Em 2001, Kasatka teve seu segundo filhote, Nakai, o qual foi o primeiro da espécie a ser concebido por meio de inseminação artificial. A fêmea Kalia nasceu em 2004. Já o quarto e último filhote, Makani, nasceu em 2013 e, assim como o segundo, foi fruto de uma inseminação artificial.

Morte

Segundo o parque, a orca foi eutanasiada no dia 15 de agosto de 2017, devido a uma infecção respiratória bacteriana que não pode ser curada, mesmo após um tratamento que durou vários anos. No entanto, uma série de fotos de Kasatka com lesões no maxilar inferior surgiram na época, de modo que algumas pessoas desconfiaram da informação dada pelo parque. 

Kasatka em apresentação - Wikimedia Commons

 

Naomi Rose, cientista de mamíferos marinhos do Animal Welfare Institute foi uma dessas pessoas que questionaram o SeaWorld acerca das feridas do animal. “Eu não posso dizer o que elas eram,” declarou em entrevista ao site The Dodo. “Elas pareciam ruins, é tudo o que posso dizer. Elas eram incomuns. Certamente nunca vi nada parecido na natureza.”

Rose declarou ainda que o parque não comentou acerca das lesões e escondeu a necrópsia do animal, documento que ela acredita ser fundamental para o estudo das orcas. “É melhor para a ciência, é melhor para o público - as pessoas ficam arrasadas quando descobrem que os animais que conheciam pelo nome estão mortos e ouvem algo ridiculamente insuficiente”, disse ela.

“O problema é a falta de transparência, fingir que isso [morte] é algo perfeitamente comum quando algo estava claramente acontecendo com aquelas lesões", prosseguiu.

Kasatka e seu filhote - Getty Images

 

O Voice of the Orcas, grupo formado por ex-treinadores do SeaWorld e que hoje defendem os animais, disse que as lesões na pele devem ter sido agravadas devido ao estresse e ao uso de medicamentos pesados. Segundo eles, o parque faz isso para ajudá-las a sobreviver nos tanques.

A morte de Kasatka ocorreu algumas semanas após o óbito de sua neta, Kyara, a qual foi a última orca nascida no SeaWorld e tinha apenas 3 meses de vida quando morreu.

Muitos ativistas criticaram a morte dos animais, já que, na natureza, a espectativa de vida das orcas pode chegar a 80 anos, número que cai pela metade quando são submetidas a uma vida em cativeiro.


+ Saiba mais sobre orcas através de grandes obras disponíveis na Amazon:

Orca: The Whale Called Killer, de Erich Hoyt (1984) - https://amzn.to/3d05F3r

Beneath the Surface: Killer Whales, SeaWorld, and the Truth Beyond Blackfish, de John Hargrove e Howard Chua-Eoa (2015) - https://amzn.to/2A7KTjO

BlackFish - Fúria Aninal (2013) - https://amzn.to/2VPA0eK

Dentro da baleia e outros ensaios, de George Orwell (2005) - https://amzn.to/3gzmpAS

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/3b6Kk7du