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O brutal assassinato das irmãs Mirabal que desafiaram a ditadura dominicana

Morte das ativistas contribui para o fim do regime trujillista e criou o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher

Victória Gearini Publicado em 15/12/2019, às 21h00

Irmãs Mirabal
Irmãs Mirabal - Casa Museo Hermanas Mirabal

No dia 25 de novembro de 1960 a República Dominicana, até então sob regime autoritário de Rafael Leónidas Trujillo (1930-1961), recebeu a trágica notícia que as ativistas e irmãs Mirabal haviam sido brutalmente assassinadas. Mais conhecidas como Las Mariposas (tradução literal: as borboletas) elas são consideradas um dos maiores símbolos mundiais de luta contra a violência a mulher.

Nascidas em uma família de classe alta, na província de Salcedo — atualmente chamada de Hermanas Mirabal — as irmãs Mirabal eram engajadas no ativismo político. Casadas e com filhos, nunca deixaram o ativismo de lado, mesmo com todos os riscos eminentes.  

Ao todo, eram em quatro irmãs, sendo duas delas, Minerva e Maria ex presas políticas. Já Bélgica Adela, mais conhecida popularmente como Dedé, tinha uma participação menor no movimento, sendo a única sobrevivente.

"Se me matam, levantarei os braços do túmulo e serei mais forte", esta frase foi dita por Minerva Mirabal pouco antes de ser morta pelo regime trujillista. No dia 25 de novembro de 1960, seu corpo e de suas irmãs, Patria e Maria Teresa foram encontrados no fundo de um barranco, dentro de um jipe. Os corpos apresentavam sinais de torturas.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo as investigações, autoridades do serviço secreto interceptaram o veículo em que transportava as três irmãs. A intenção dos assassinos era forjar um acidente de carro, portanto as enforcaram e as espancaram até a morte.

"Foi um dia terrível, porque apesar de sabermos dos perigos, não pensávamos que o crime iria se concretizar. Eu agarrava os policiais e dizia: não foi um acidente, as assassinaram", declarou Dedé Mirabal no documentário Las Mariposas: Las Hermanas Mirabal.

As irmãs eram conhecidas no país, devido seus ativismos políticos, por isso seus assassinatos marcaram história da República Dominicana. Este crime, somado ao aumento de prisões, denúncias de torturas e desaparecimentos de opositores, contribuiu para a queda do regime trujillista.

Rafael Leónidas Trujillo (1930-1961) / Crédito: Getty Images

 

"O crime foi tão horroroso que as pessoas começaram a sentir-se totalmente inseguras, até mesmo aqueles que eram mais próximos do regime. Porque sequestrar três mulheres, matá-las e atirá-las em um barranco para fazer parecer um acidente é horroroso", disse De Peña Díaz em entrevista à BBC.

A obra El tiempo de las mariposas, de Julia Álvarez apresenta a trajetória das irmãs e denúncias as atrocidades cometidas durante este regime autoritário. Para a escritora, este crime foi o estopim para os dominicanos — até mesmo aqueles que apoiavam o regime — que passaram a se sentirem inseguros e perseguidos pelo governo.

A escritora ressalta ainda que é importante comparar e analisar o contexto histórico e atual da violência contra a mulher, uma vez que estes atos são comuns nos dias de hoje. No entanto, as irmãs Mirabal viraram símbolo mundial pela luta contra a violência a mulher.

Desde 1999, a ONU transformou o dia 25 de novembro em uma data comemorativa internacional, que celebra o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher. "As irmãs Mirabal levantaram os braços de seus túmulos de um jeito muito forte", concluiu Peña Díaz à BBC.


+Saiba mais sobre o casos das irmãs Mirabal: 

1. En el tiempo de las mariposas (Edição Espanhol), de Julia Alvarez (2019) - https://amzn.to/2RUcMm7

2. In the Time of the Butterflies (Edição Inglês), de Julia Alvarez (2010) - https://amzn.to/2svc6ZK 

4. Violência Contra Mulheres: Dê um basta!, de Jô Ramos (2015) - https://amzn.to/36yWjbi

5. História e Gênero: Faces da violência contra as mulheres no novo milênio, de Maria Beatriz Nader e Mirela Marin Morgante (2019) - https://amzn.to/2S2EJbR

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