Os Falsários de Hitler: A fantástica fábrica de dinheiro

Livro detalha golpe secreto nazista para destruir a economia inglesa

Carlos Minuano Publicado em 01/10/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Um plano mirabolante arquitetado silenciosamente durante as primeiras semanas da Segunda Guerra Mundial pretendia arruinar a economia inglesa. A idéia era espalhar pelo Reino Unido milhões de libras falsificadas. O enredo do esquema pouco conhecido, narrado em Os Falsários de Hitler, do jornalista americano Lawrence Malkin, lembra uma obra de ficção. Mas o autor garante: é tudo verdade.

O plano inicial era espalhar uma quantidade de notas falsas equivalente a 30% da moeda em circulação. Além dos próprios nazistas, a sabotagem aprovada por Adolf Hitler foi protagonizada por prisioneiros judeus, banqueiros, especialistas em lavagem de dinheiro, investigadores e, como o autor descreve, “patifes em geral”. Para os judeus, a missão representou uma pausa no caminho à câmara de gás. O sucesso ou o fracasso dela, porém, trazia de volta a dúvida quanto ao próprio destino.

O oficial Bernhard Krueger, que comandava a operação, logo localizou nos arquivos criminais o falsário ideal, Salomon Smolianoff – o sujeito teria falsificado dinheiro na prisão com uma chapa de gravação escondida no sapato. Para sorte dos nazistas, ele era judeu e estava em um campo de concentração. Sob direção especializada, a mão-de-obra judaica fez a indústria funcionar durante toda a guerra.

Após o conflito, Smolianoff tentou manter-se na atividade. Viveu em Roma, onde se casou, até que a policia italiana começou a investigar dólares falsos que circulavam no mercado negro. Em 1947, veio para a América do Sul e, em 1955, estabeleceu residência definitiva em Porto Alegre, no Brasil. Ao que tudo indica, aqui montou uma fábrica de brinquedos e viveu honestamente. O ofício criminoso já estava comprometido pelo mal de Parkinson, doença que o matou em 1977.

O livro tem o mérito de desvelar um episódio pouco conhecido dos tempos do nazismo. “É a história da maior operação de falsificação de dinheiro em tempos de guerra”, afirma Malkin. “Mas também da luta silenciosa pela sobrevivência individual travada pelos judeus, vítimas do maior tirano de todos os tempos.”