Museu do Barco Viking

Embarcações ajudaramnórdicos a conquistar terras e espalharsua cultura pela Europa

Mário Araujo Publicado em 01/08/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Localizado na península do Bygdoy, a dez minutos do centro de Oslo, capital da Noruega, o pequeno Museu do Barco Viking (Vikingskipshuset, no original em norueguês) guarda achados arqueológicos que ajudam a entender como esse povo nórdico, que habitava uma das regiões mais remotas do globo, pôde se expandir e conquistar novas terras.

Entre os séculos 8 e 11, esses navegantes, com ataques-surpresa pelo mar, dominaram terras que iam da atual Rússia à Itália, além de regiões próximas ao mar Negro, como Kiev, na Ucrânia. Mas os vikings não pilhavam apenas – o objetivo principal dessas incursões ultramarinas. Eles também fundaram colônias em várias das terras conquistadas, como na Irlanda (a da cidade de Dublin é a mais conhecida), na Inglaterra e na França, e estabeleceram uma complexa rota comercial, que ia do Iraque ao Canadá.

Na cultura viking, quando uma pessoa morria, seus pertences eram sepultados com ela. Graças a esse hábito, barcos, cabanas e jóias sobreviveram até hoje – e muitas dessas peças estão no museu. Projetado em 1913 pelo arquiteto norueguês Arnstein Arneberg, o museu foi concluído em 1957 e é considerado uma obra-prima da arquitetura. Os objetos em exposição foram encontrados em quatro grandes escavações, nos sítios arqueológicos de Tune, Gokstad, Oseberg e Bore, entre 1852 e 1904, e são considerados os achados arqueológicos mais importantes desse povo.

1. Navio fantasma

Encontrado em 1867 na fazenda de Nedre Haugen, em Rolvsoy, na Noruega, a embarcação Tune é constituída de uma série de ripas sobrepostas e data de 900. Ela foi usada como urna funerária de um viking. Os navios, após sua vida útil, tinham quase sempre o mesmo destino: servir de “túmulo” para pessoas importantes.

2. Modelo feminino

Como durante a maior parte do tempo os homens estavam em guerras ou em caçadas, cabia às mulheres vikings cuidar dos mantimentos e suprimentos para a família. Para isso, um importante instrumento de uso cotidiano era uma espécie de carrinho que possibilitava o transporte de alimentos, água e suprimentos em geral. Este exemplar, o único encontrado nas quatro escavações de onde foram retirados os objetos do museu, é do sítio arqueológico de Oseberg.

3. Riqueza em madeira

O navio Gokstad foi usado como urna funerária de um homem rico, que morreu com cerca de 60 anos, idade considerada avançada para o século 9. Seu corpo foi encontrado ao lado da embarcação e de outros objetos pessoais, que mostram sua importância e suas condições econômicas: três barcos menores, uma tenda, um trenó e equipamento de montaria, além de fragmentos de jóias e tecidos – tudo confeccionado de madeira.

4. Batalha na tapeçaria

Os vikings deixaram sua história registrada em figuras, mais precisamente em tapeçaria. Esta conta a história de uma batalha travada contra outro povo: o cenário era terra firme e os equipamentos utilizados eram escudos redondos, capacetes e carruagem com tração animal.

5. Guerreiros artesãos

Os vikings dominavam a arte do entalhe em madeira. Em quase todas as peças desse período, de navios a objetos decorativos, é possível observar o trabalho desenvolvido por esses artesãos. No fragmento da cabeceira de uma cama encontrado nas escavações de Gokstad, as figuras entalhadas remetem à natureza e ao mar – em geral, os desenhos são cheios de linhas sinuosas e preenchidos com vários traços.

6. Ouro, prata e bronze

Este arreio de couro com detalhes de ouro, encontrado em Bore, mostra o domínio do povo viking no manuseio de metais e o uso do ouro como adornamento – para o arreio foram confeccionadas pequenas pastilhas idênticas umas às outras, fechos e fivelas. Além do ouro, o bronze era utilizado para a confecção de parafusos e ligas e a prata aparecia com freqüência em peças decorativas.

7. Patinação no gel

Trenós como este, de madeira, eram muito importantes para as conquistas de novos territórios e batalhas. Os veículos eram bastante utilizados para locomoção, já que a maior parte da região ocupada pelos vikings se encontrava em terras frias, cobertas por neve quase o ano inteiro.

8. Medo animal

Animais fantásticos como dragões, assim como cavalos e cobras, eram algumas das figuras utilizadas na decoração das peças vikings, de cajados a embarcações. Os desenhos eram usados para assustar os inimigos e representam, em sua maioria, os medos e os desafios que esse povo nórdico enfrentava no cotidiano.

9. Companhia eterna

O navio Oseberg foi encontrado em 1904, após a descoberta das embarcações Tune, em 1867, e Gokstad, em 1880. Ele foi utilizado como urna funerária de uma abastada senhora da sociedade, que morreu por volta de 834. O corpo de uma segunda mulher, provavelmente uma criada, foi encontrado ao lado do dela.

10. Gigante Viking

Construído em madeira, por volta de 890, o Gokstad é o maior navio do museu. Com 24 metros de comprimento e 5 de largura, a embarcação transportava até 32 homens e possuía mecanismos de controle de velocidade e estabilidade, ideal para navegação em águas turbulentas e ataques-surpresa, já que era bem veloz. O navio foi encontrado em 1880.

 

Saiba mais

www.khm.uio.no/english/viking_ship_museum