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A análise da múmia de um faraó: a mais instigante novidade da última semana

O rei egípcio só teve sua morte completamente desvendada 3.600 anos depois do fatídico dia

Alana Sousa Publicado em 21/02/2021, às 09h00

Imagem da múmia que foi analisada
Imagem da múmia que foi analisada - Divulgação/Facebook/Ministério de Antiguidades do Egito

Ainda que curto, o reinado de Seqenenre Tao foi marcante. Faraó da Décima Sétima Dinastia do Egito Antigo, o rei comandou um dos últimos reinos de Tebas, então Waset. Durante seu tempo no poder — entre 1560 ou 1558 a.C. até 1555 a.C. — lutou incansavelmente contra os hicsos, que tomavam conta da parte norte do país.

Passando essa guerra para seus sucessores, ao morrer, Tao entrou na História como ‘O Bravo’. Enterrado em Deir el-Bahri, seu corpo descansou ao lado de grandes líderes egípcios, tais como Amenhotep I, Ramsés II e Seti I. Sua tumba repleta de cerâmicas foi revelada para o público em 1881.

Assim que o sarcófago foi aberto, algo chamou a atenção dos arqueólogos: o estado em que o esqueleto de Seqenenre se encontrava. A missão comandada pelo especialista M. Eugene Grebault e o professor Gaston Maspero, foi a primeira a constatar que havia algo de muito grave na morte do faraó egípcio.

Múmia de Seqenenre Tao / Crédito: Divulgação/Facebook/Ministério de Antiguidades do Egito

 

“Não se sabe se caiu no campo de batalha ou foi vítima de alguma conspiração; o aparecimento de sua múmia prova que ele teve uma morte violenta quando tinha cerca de quarenta anos de idade. Dois ou três homens, sejam assassinos ou soldados, devem tê-lo cercado e despachado antes que a ajuda estivesse disponível. Um golpe de machado deve ter decepado parte de sua bochecha esquerda, exposto os dentes, fraturado a mandíbula e jogado sem sentidos ao chão; outro golpe deve ter ferido gravemente o crânio, e uma adaga ou dardo cortou a testa do lado direito, um pouco acima do olho. Seu corpo deve ter permanecido deitado onde caiu por algum tempo: quando foi encontrado, a decomposição se instalou e o embalsamamento teve de ser executado apressadamente da melhor maneira possível”, diz parte da descrição do relatório da análise, ainda no século 19.

A partir de então, estudiosos do mundo inteiro buscaram uma explicação para os traços de violência no cadáver do antigo rei. Na década de 1960, uma análise com raios-X foi realizada, entretanto, a limitação da tecnologia impediu que detalhes específicos fossem constatados.

Um mistério desvendado

Por anos, o enigma da morte de Seqenenre Tao ficou adormecido. Até que, em fevereiro de 2021, uma tomografia computadorizada conseguiu desvendar, de uma vez por todas, esse mistério da Antiguidade.

O novo estudo foi publicado na edição deste mês da revista científica Frontiers of Medicine. Prometendo colocar um fim de vez na questão, uma equipe de especialistas foi convocada para analisar e comentar a pesquisa, entre eles o famoso egiptólogo Zawi Hawass.

Múmia do faraó egípcio / Crédito: Wikimedia Commons

 

“A tomografia computadorizada da múmia Seqenenre revelou detalhes dos ferimentos na cabeça, incluindo feridas que não haviam sido descobertas em exames anteriores e foram habilmente escondidas pelos embalsamadores”, explicam os autores no artigo.

Após o exame dos ferimentos de Tao, a arma do crime também foi identificada: um machado do povo hicso. O rumor já circulava desde as primeiras apurações do sarcófago e, enfim, foi confirmado.

O Ministério de Antiguidades do Egito publicou um comunicado sobre o estudo promissor: “O rei Seqenenre Tao foi morto enquanto lutava contra os invasores do Egito e seus embalsamadores esconderam habilmente alguns ferimentos na cabeça”. 

Os pesquisadores foram além, sugerindo que o assassinato pode ter sido parte de uma “cerimônia de execução”. Tao teria sido feito prisioneiro em um campo de batalha para, mais tarde, sofrer com a ira dos invasores do Egito.

“As mãos deformadas indicam que Seqenenre pode ter sido capturado no campo de batalha, e suas mãos estavam amarradas nas costas, impedindo-o de desviar o ataque feroz de seu rosto”, explica o estudo.

 3.600 anos depois da morte brutal, o faraó que viveu em uma realidade completamente distinta da que vemos hoje, acabou em uma mesa de tomografia, resultando em imagens 3D que selaram uma discussão centenária.


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