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George Murray: o homem que descobriu — e escondeu — a depravada vida sexual dos pinguins

Em 1912, Murray estava em uma expedição na Antártica, no entanto, o que ele descobriu no local só foi revelado anos depois

Penélope Coelho Publicado em 06/05/2020, às 16h56 - Atualizado às 16h57

Penguins fotografados por George Murray
Penguins fotografados por George Murray - Wikimedia Commons

O pesquisador, zoologista e cirurgião naval George Murray Levick, sempre foi um homem aficionado pelos mistérios da natureza. Como consequência, o britânico dedicou boa parte de sua vida em projetos de expedições arriscadas.

Uma dessas viagens iria mudar sua vida para sempre, além de quase morrer, o homem também fez uma descoberta, no mínimo, curiosa sobre o comportamento sexual dos pinguins, porém, essas revelações só foram expostas para o mundo 50 anos mais tarde.

Expedição Terra Nova

Tudo começou quando George recebeu uma autorização para acompanhar o explorador oficial da Marinha Robert Falcon Scott, como cirurgião e zoólogo em uma missão chamada de Expedição Terra Nova.

A viagem marcou uma importante exploração no território da Antártica entre 1911 e 1913. Levick fotografou tudo o que viu durante todo o percurso no Cabo Adare, no meio de uma colônia de pinguins-de-adélia.

A jornada foi bastante conturbada para a tripulação, o líder da viagem Scott, acabou falecendo devido às condições precárias. Além do capitão, outros quatro tripulantes também não resistiram. Levick e outros cinco companheiros conseguiram sobreviver.

Nesse itinerário difícil, George pareceu não se abalar e anotou em seu diário a descoberta insólita que fez sobre os pinguins locais, já que ele havia passado um bom tempo observando os animais.

George Murray Levick / Crédito:  Wikimedia Commons

 

Os pinguins-de-adélia

No verão antártico, o pesquisador pôde averiguar de perto como funcionava o sistema de reprodução dos bichos. Levick anotou em seu caderno relatos de casos pedofilia e acasalamento entre animais da mesma espécie, quando não existe intuito de procriação.

Porém, o fato que chocou de verdade o explorador foi a necrofilia: ele assistiu de perto a cúpula de pinguins machos com fêmeas já mortas. Como consequência, Murray ficou horrorizado com as descobertas, e por isso, registrou a vivência em grego, como tentativa de evitar que muitas pessoas tivessem acesso a estas informações. Ele também tinha medo da reação das pessoas da época, que poderia duvidar da pesquisa.

Quando regressou à Londres, em 1913, o explorador escreveu tudo o que tinha presenciado na fatídica expedição, mas dessa vez em inglês. Murray intitulou seu trabalho como Natural History of the Adélie Penguin.

Por muitos anos, as páginas desse diário permaneceram fechadas, até o Museu de História Natural de Londres resgatá-lo em 2013, revelando para o mundo essas descobertas chocantes.

Em suas anotações, o zoologista definiu os pinguins-de-adélia como baderneiros. Segundo ele, os jovens machos agiam de maneira extremamente depravada e hostil, praticando abusos sexuais e físicos nas fêmeas da espécie.

 “Grupos de baderneiros de meia dezena de indivíduos, ou mais, e vagam perto dos refúgios incomodando os ocupantes com seus reiterados atos de depravação”, escreveu George Murray durante a experiência.

Diário de George Murray / Crédito: Divulgação

 

Tempos atuais

Atualmente alguns pesquisadores acreditam que o homem tenha cometido exageros em suas anotações, principalmente quando o assunto é a necrofilia, levantando a hipótese de que talvez os machos não conseguissem distinguir a fêmea, ou, animais mortos.

Para Douglas Russell, curador do Museu de História Natural de Londres, e que redescobriu o artigo de Levick, esses atos dos pinguins, que causaram tanto estranhamento no explorador no século 20, teriam acontecido devido às condições climáticas da Antártica.

Russell argumenta dizendo que os pinguins-de-adélia têm pouco tempo para completar o ciclo de reprodução. “Os jovens adultos simplesmente não têm nenhuma experiência sobre como se comportar e podem usar pistas erradas”, afirmou o curador.

Até hoje, George é o único cientista que estudou de perto o ciclo reprodutivo dessa espécie na Antártica. Sua morte ocorreu em 1956 e o pesquisador deixou um grande legado histórico sobre expedições na Antártica.


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