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Gueules Cassées, as faces desfiguradas da Primeira Guerra

Os horrores da Grande Guerra ficaram estampados nos rostos dos soldados que foram mutilados durante o conflito

Caio Tortamano Publicado em 14/06/2020, às 09h00

Alguns dos soldado que sofreram com os vestígios da guerra
Alguns dos soldado que sofreram com os vestígios da guerra - Domínio Público

O livro Johnny vai à Guerra, do autor Dalton Trumbo, revelou ao mundo os horrores vividos por um soldado americano sobrevivente da explosão de uma bomba durante a Primeira Guerra Mundial. Sem pernas, braços, visão, voz e audição, ele narra a experiência de um ser vivo sem vida no hospital.

A situação dos mutilados se tornou muito comum durante o conflito, que foi considerado na época a “última guerra romântica”, com os horrores cada vez mais claros e expostos. As trincheiras protegiam os corpos dos soldados, mas deixavam suas cabeças expostas.

A introdução de capacetes de metal em 1916 diminuiu o impacto dos tiros disparados em suas cabeças. Todavia, por mais que a mortalidade tivesse diminuído houve um aumento de soldados sobreviventes mutilados.

Uma expressão cunhada na época foi "gueules cassées" (do francês, "caras quebradas"), uma termo usado pra designar os soldados desfigurados devido alguma ocorrência da Grande Guerra.

O termo origina do coronel francês Yves Picot, que foi barrado em um encontro de mutilados, por não considerarem seus ferimentos (falta de um olho) passíveis de se encaixar no grupo.

No começo da guerra, os combatentes que eram atingidos na cabeça não possuíam chances de sobrevivência, e eram ajudados por último no campo de batalha. Isso acabou mudando ao longo do curso do conflito, quando o progresso médico avançou em relação às cirurgias orais e maxilares.

Muitos dos gueules cassées perdiam olhos, bocas e partes do pescoço com os ataques da guerra. A situação só mudaria com o avanço das cirurgias plásticas. Médicos da época desenvolveram próteses que restauravam um pouco da dignidade que os homens achavam que tinham perdido perante a sociedade.

Sobreviventes da guerra em um hospital / Crédito: Wikimedia Commons

 

Os cirurgiões conduziram experimentos com ossos, cartilagens e transplantes de tecidos. Pelo caráter experimental dos procedimentos, muitos dos feridos em batalha escolheram por não realizar as operações.

Pouco mais de 4 milhões de franceses ficaram feridos. Dentre esses, 300.000 foram classificados como mutilados, perdendo alguma parte do corpo. Do número de mutilados, 5% poderiam ser categorizados como gueules cassées.

Soldado sem e com sua prótese facial / Crédito: Wikimedia Commons

 

Logo após a guerra, os desfigurados não foram considerados veteranos de guerra, e não receberam os benefícios e auxílios que outros veteranos receberam. O cenário mudou em 1921, quando uma união dentre esses feridos foi formada, reivindicando mudanças em prol dos feridos em combate.


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