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Há 227 anos, Maria Antonieta era decapitada em praça pública

Condenada por uma revolução, a monarca morreu sem qualquer luxo ou extravagância, cercada apenas por traições e polêmicas

Pamela Malva Publicado em 16/10/2020, às 07h00

Último retrato oficial de Maria Antonieta, pintado por Elisabeth Vigée-Le Brun em 1788
Último retrato oficial de Maria Antonieta, pintado por Elisabeth Vigée-Le Brun em 1788 - Wikimedia Commons

Em meados de 1793, a condenação e decapitação de Maria Antonieta foram episódios cercados por um contexto político pulsante na França. No final, os bastidores do julgamento da Rainha contaram com uma insatisfação enorme vinda da população.

Sem bons resultados, a colheita de 1788 deixou os camponeses famintos, enquanto a sociedade francesa se revoltava com os altos impostos. Para piorar a situação, os boatos dos gastos exorbitantes de Maria Antonieta não agradavam em nada a burguesia.

Gastando apenas uma fração do dinheiro francês, a Rainha realmente tinha um estilo de vida luxuoso, mas não chegava perto da pomposa aristocracia. Diante desse cenário, a população se organizou em revoltas, a fim de tirar os polêmicos monarcas do poder.

Retrato de Maria Antonieta por Élisabeth Vigée-Lebrun, feito em 1783 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sensação de injustiça

Além de fazer o máximo para acabar com o absolutismo de Luís XVI, os franceses indignados ainda invadiram a Bastilha, libertando os presos do regime. O contexto não era positivo para a nobreza, muito menos para uma Rainha cercada por escândalos.

Nascida na Áustria, Maria Antonieta se casou muito cedo, aos 14 anos, e levou uma vida sob os holofotes. Tida como vaidosa e egoísta, ela ainda era considerada uma traidora, já que diversos boatos falavam sobre suas supostas traições.

Naquela época, a sociedade parisiense acreditava que, por Luís XVI teoricamente sofrer de fimose, Maria Antonieta buscava satisfação sexual fora do matrimônio. Nesse sentido, diziam que ela dormia tanto com homens, quanto com mulheres.

Retrato de Maria Antonieta em trajes de corte, por Elisabeth Vigée-Le Brun, 1779 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Duas faces da moeda

Muito além das ditas relações, o povo havia se cansado de uma Rainha que estaria gastando valores absurdos de dinheiro. Ao contrário do muitos imaginavam, contudo, Antonieta mostrava se importar, e muito, com os pobres da França.

No geral, a Rainha se preocupava bastante com a situação precária enfrentada pelo povo todos os dias. Em sua posição, ela tentava criar projetos para mudar essa realidade —  chegou a criar um lar para mães solteiras, além de doar comida para os necessitados.

Nada disso, todavia, contou como ponto positivo quando a cabeça de Maria Antonieta foi colocada na balança de um povo sedento por justiça. Poucos meses depois do assassinato de Luís XVI, foi a vez da monarca ser julgada por seus presumidos crimes.

Retrato de Maria Antonieta por Alexandre Kucharsky, 1791 / Crédito: Wikimedia Commons

 

No banco de acusados

O fim da vida de Maria Antonieta foi, no mínimo, torturante. Sozinha, a monarca passou suas últimas 11 semanas em uma pequena cela na prisão de Cociergerie. Assim, teve muito tempo para refletir e temer a própria morte — que parecia cada vez mais próxima.

Durante todo esse período, a Rainha sobreviveu ao confinamento usando apenas vestidos pretos, em sinal de luto por seu marido falecido. A prisão tinha lama e água suja escorrendo pelas paredes, condições que logo degradaram a saúde de Antonieta.

Nove meses depois da decapitação de Luís XVI, então, a antiga Rainha foi levada até o jurí que decidiria seu futuro. Foram 36 horas de um julgamento tortuoso e fatigante, até que o veredicto fosse anunciado para a sociedade francesa, que esperava uma condenação.

Pintura de Maria Antonieta quando estava na prisão. Crédito: Wikimedia Commons

 

Fim da linha

No dia de sua condenação, Maria Antonieta, aos 37 anos de idade, estava com os cabelos brancos e a pele pálida. Ela vestia seu traje preto de costume, enquanto a acusação tentava a qualquer custo destruir sua imagem pública.

Por fim, no dia 15 de outubro de 1793, a burguesia de Paris descobriu que a antiga monarca havia sido acusada de alta traição, esgotamento do tesouro nacional, conspiração e incesto. Por isso, ela seria levada à guilhotina.

Naquele mesmo dia, Antonieta teve seus cabelos cortados por sadismo, a fim de transformar a imagem da Rainha poderosa em uma condenada vulnerável. Ela, então, recebeu um vestido branco simples, sem qualquer ostentação.

O pintor Jacques-Louis David desenhando Maria Antonieta (de branco) em sua execução / Crédito: Wikimedia Commons

 

Pedido de desculpas

Na manhã do dia 16 de outubro, Maria Antonieta foi encaminhada para o local de sua execução. A ex-rainha subiu no púlpito em praça pública, na frente de centenas de parisienses ansiosos, que esperavam pelo seu fim implacável e impiedoso.

Antonieta, que provavelmente estava muito nervosa, tropeçou no pé de Charles Sanson, seu carrasco, e pronunciou suas últimas palavras: "Perdoe-me, senhor. Eu não pretendia fazer isso". Minutos depois, a antiga monarca foi guilhotinada.

Diante de todo povo francês, o vestido branco de Maria Antonieta se encharcou de sangue, enquanto a lâmina fazia seu trabalho. Em segundos, uma multidão comemorou ao som dos gritos: "Viva a França! Viva a República!".


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