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O dia em que tentaram matar o Papa João Paulo II — e como a URSS foi envolvida na história

O Santo Padre quase perdeu a vida em um atentado no Vaticano, contudo, depois de alguns anos, foi capaz de conversar e perdoar o seu quase assassino

Redação Publicado em 08/12/2020, às 16h02

Papa João Paulo II
Papa João Paulo II - Getty Images

João Paulo II acumulou diversas histórias durante a sua vida. Ele foi condecorado como papa e chefe da Igreja Católica em 16 de outubro de 1978, cargo que ocupou até a sua morte em 2005.

O seu papado foi o terceiro maior documentado na história da humanidade, sendo também aclamado como um dos líderes mais influentes do século 20.

No entanto, a sua personalidade também causou certa rejeição, e isso foi o suficiente para que ele fosse alvo de uma tentativa de assassinato.

Era 13 de maio de 1981, uma quarta-feira, quando um homem identificado como Mehmet Ali Ağca, acusado posteriormente de fazer parte de um movimento terrorista da Turquia, grupo militante fascista Lobos Cinzento, entrou na Praça de São Pedro, no Vaticano, com uma arma.

Naquele dia, seu objetivo era um só: matar o Santo Padre num dia em que ele se preparava para discursar em meio a uma multidão. O terrorista conseguiu atingir João Paulo II, que foi baleado duas vezes, sendo gravemente ferido.

Local na Praça de São Pedro em que ocorreu o atentado contra João Paulo II / Crédito: Wikimedia Commons

 

No mesmo minuto, as pessoas presentes no local assistiram a cena horrível que causou uma hemorragia no papa. Ağca também foi rapidamente capturado pelas autoridades do Vaticano após o ato que escandalizou o mundo.

O Papa então foi levado imediatamente a Policlínica Gemelli. Ainda no caminho para o hospital, ele perdeu a consciência, o que deixou todos aterrorizados, afinal, naquele momento acreditavam que a santidade não escaparia da situação com vida. 

No entanto, quando chegaram à Instituição, João Paulo II acordou consciente por alguns minutos antes da operação e fez um pedido especial aos médicos.

Ele não queria que, durante a operação, o seu Escapulário de Nossa Senhora do Carmo fosse removido, e assim foi feito. Após sair são e salvo das cirurgias, ele afirmou que Nossa Senhora de Fátima ajudou a mantê-lo vivo.

Após o choque

Em 13 de maio de 1983, o papa visitou pela primeira vez o Santuário de Nossa Senhora de Fátima para agradecer à santa de tê-lo livrado do momento de pânico. Lá ele ofereceu à Igreja uma das balas que o atingiu no incidente, que foi colocada na coroa da imagem da virgem, e permanece lá até os dias de hoje.

O local exato do atentando foi marcado no chão da Praça de São Pedro / Crédito: Wikimedia Commons

 

Como era de se esperar, após atirar contra o líder religioso e depois de passar por um tribunal italiano, o criminoso foi condenado à prisão perpétua. O Santo Padre fez questão de visitá-lo.

Eles conversaram por aproximadamente 20 minutos em uma sala privada, e depois disso, Paulo II disse que perdoou o ato. O então presidente da Itália, Carlo Azeglio Ciampi, também concedeu perdão o homem, a pedido do religioso. Depois disso, Ağca foi reportado para seu país de origem, onde permaneceu preso.

O papa João Paulo II viria a falecer em 2 de abril de 2005. Em memória ao seu legado, foi aberta uma comissão parlamentar italiana, que seria capaz de fazer uma revisão no caso de tentativa de homicídio.

A teoria

O parlamento então concluiu que a União Soviética teria sido a responsável por encomendar o atentado contra a vida de João Paulo II, como forma de protestar contra os apoios que a organização Solidariedade, movimento católico de trabalhadores pró-democracia na Bulgária comunista, recebia do Vaticano durante a sua chefia.

O relatório apontou que os departamentos de segurança da Bulgária soviética ajudaram a esconder o caso, para que a ação da URSS contra o papado não fosse descoberta.

Ainda conforme o relatório, a Inteligência militar soviética teria organizado a tentativa de assassinato. Ao saber da acusação, a Rússia se posicionou contra, e declarou que na época nenhum órgão da URSS esteve envolvido no atentado, chamando a acusação de "absurda".

O papa, por sua vez, quando ainda estava vivio, declarou em uma visita à Bulgária que não acreditava que o país tivesse sido o responsável pelo evento violento.

No entanto, o seu secretário, Cardeal Stanisław Dziwisz, alegou em seu livro 'A Life with Karol', que ele, na verdade, teria sim se convencido sobre o envolvimento da ex-União Soviética por trás da sua tentativa de assassinato.


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