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Governo chinês mascarou total de casos de Covid no início da pandemia, diz CNN

De acordo com do documentos obtidos pela emissora americana, além de esconder o avanço da pandemia, a China também teve diversos erros de gestão no combate ao vírus

Fabio Previdelli Publicado em 01/12/2020, às 10h01

Imagem ilustrativa de um teste positivo para Coronavírus
Imagem ilustrativa de um teste positivo para Coronavírus - Pixabay

De acordo com documentos confidenciais do Centro Provincial de Controle e Prevenção de Doenças de Hubei, obtidos pela CNN dos Estados Unidos, a China escondeu informações sobre o avanço da pandemia de coronavírus e também errou em diversos pontos da gestão de combate ao vírus. As informações foram repercutidas pela Folha de S. Paulo.  

Os documentos foram revelados por um ex-funcionário do sistema de saúde do país, que pediu para não ser identificado. Os arquivos cobrem o período entre outubro de 2019 e abril de 2020, porém, ele está incompleto em algumas partes. 

Apesar das lacunas, a veracidade das informações foi checada por seis especialistas. Não se sabe como essa fonte teve acesso aos documentos e tampouco por que os mesmos foram selecionados especificamente.  

Em um dos pontos em destaque, que se diz respeito a 10 de fevereiro de 2020, é possível observar uma discrepância entre o número oficial relatado pelos chineses (2.478 novos casos relatados naquele dia) com os do relatório (5.918 casos detectados). 

Esses números eram divididos em três categorias: 2.345 “casos confirmados”, 1.772 “casos clinicamente diagnosticados” e 1.796 “casos suspeitos”. As autoridades de Hubei apresentavam oficialmente o número diário da primeira categoria (casos confirmados) e, em seguida, incluía o número de casos suspeitos, porém, não especificava o número de pacientes “clinicamente diagnosticados”. 

Além do mais, os documentos mostram que havia falhas no sistema de saúde, seja pelo excesso de burocracia ou pela falta de equipamentos e demora em monitorar os casos.

O orçamento de financiamento operacional do Centro Provincial de Controle e Prevenção de Doenças, por exemplo, também foi alvo de reclamações, ficando 29% abaixo da meta anual.  

Já nas primeiras semanas de 2020, em 10 de janeiro, os documentos apontam que, após uma auditoria em centros de testagem, as autoridades locais constataram que os kits usados para o diagnóstico não eram totalmente eficientes, com diversos deles apontando regularmente para um falso negativo.  

Também havia escassez entre os Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Outro problema era a média estabelecida entre os primeiros sintomas e o diagnóstico: 23,3 dias, segundo um levantamento de março.