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Do vinho a ancestral conversa de boteco: as curiosas festas nos antigos Simpósios

A mesma palavra que hoje se refere a um sério congresso acadêmico já quis dizer uma noitada de bebedeira

Redação Publicado em 22/07/2020, às 08h00

Detalhe das festas na Grécia antiga
Detalhe das festas na Grécia antiga - Acervo/Aventuras na História

Na Grécia Antiga, um simpósio (se sym, "juntos" e posis, "beber") era uma festa bastante descontraída, frequentemente caótica, onde as atrações eram muito vinho, música poesia e a ancestral conversa de boteco. Daquelas que, assim como oje, às vezes enveredavam para assuntos elevados e pretensiosos. 

No livro O Simpósio (geralmente traduzido como O Banquete), Platão descreve Sócrates e outros convivas discutindo animadamente sobre o amor. Por causa da influência de Platão, descrevendo um evento desses atipicamente civilizado, a partir do século 18, o termo passou a significar um encontro de acadêmicos para discutir um tema específico. 

Um simpósio grego não era sério, mas também não era uma orgia: beber demais era considerado uma gafe. Sexo podia acontecer, mas os relatos frequentes mostram os convidados simplesmente voltando para casa ou saindo às ruas para arruaças.

"Beer pong"

O vinho era consumido de uma tigela rasa chamada kylix (origem da palavra "cálice"), decorada com um desenho cômico que aparecia quando a bebida estava no fim. Nessa hora, os convidados jogavam os kotabbos: atiravam resto do líquido contra um disco de metal, com a intenção de fazê-lo cair sobre outro disco, provocando um barulhão.

Cortesãs finais

As hetairas eram prostitutas finas, treinadas nas artes da música, poesia e conversa. Eram as únicas mulheres admitidas ali. Seu papel era similar ao das gueixas do Japão: entreter os convidados com seu charme, beleza e inteligência. 

Mais um detalhe dos antigos Simpósios - Acervo/Aventuras na História

 

Nos espaços, os gregos mais ricos tinham um recinto exclusivo chamado andron, "sala dos homens", próximo da entrada, capaz de receber até 30 convidados em divãs. As ânforas, paredes e utensílios eram decorados com cenas dos próprios simpósios, muitas vezes eróticas, mostrando uniões entre homem e mulher ou dois homens.

Vinho agudo

A festa começava quando o anfitrião diluía vinho e água no kreter, um imenso jarro que podia ter mais de mil litros de capacidade, o que era seguido por uma libação: derramar a mistura em honra aos deuses. Beber vinho puro era considerado um hábito bárbaro.

Para uma boa conversa, a proporção era de três partes de água para uma bebida alcoólica. Para uma festança, duas para uma. Uma para uma só se o plano fosse mais "picante".

Já a cozinha da Grécia antiga tinha orgulho de sua frugalidade. Excesso de refinamento era considerado sinal de fraqueza e decadência. Azeitonas, queijo, pão, castanhas, trigo torrado e bolos de mel eram servidos antes e durante o simpósio para balancear a bebedeira.