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Inglês revela fóssil de ictiossauro que seus antepassados enterraram em seu quintal

Com medo de punições divinas, família da Inglaterra vitoriana escondeu um grande segredo por 169 anos

Letícia Yazbek Publicado em 01/10/2019, às 08h00

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- Julian Temperley e o fóssil do ictiossauro / Crédito: Richard Austin / SWNS

Em 1850, a família inglesa Temperley, formada por comerciantes construtores, encontrou um enorme fóssil de ictiossauro. Eles descobriram o esqueleto perto de Langport, enquanto cavavam uma pedreira, e o levaram para casa.

No entanto, os Temperley, cristãos devotos, sentiram que estavam negando a Deus ao exibir o fóssil pré-histórico. Decidiram devolver os restos do ictiossauro à terra, enterrando-os em seu quintal.

Agora, 169 anos depois, Julian Temperley, descendente dos descobridores do fóssil, decidiu colocar o esqueleto de mais de 90 milhões de anos em exibição. Ele gastou cerca de 3.600 dólares para restaurar o fóssil.

“Os fósseis não foram realmente explicados até que Darwin apareceu. Até então, se você acreditava em fósseis, estava negando a Bíblia”, explicou Julian. “De qualquer forma, eventualmente Darwin apareceu e convenceu as pessoas de que fósseis não tinham nada a ver com Satanás”.

Julian cresceu no século 20, sem mais medo das punições cristãs. Mesmo assim, o ictiossauro permaneceu enterrado no quintal. Ele e sua família desenterraram o fóssil algumas vezes para dar uma olhada, mas nunca o tiraram de lá.

“Após algumas inundações que ocorreram em 2013 e 2014, percebemos que não era uma boa ideia deixá-lo enterrado. Pensei que devíamos cuidar dele”, afirmou Temperley.

Fabricante de brandy de sidra, Julian pretende usar a imagem do fóssil como marca de seus produtos. “Agora vamos mantê-lo na parede da nossa empresa, onde fará parte da história da família”.

O ictiossauro faz parte de um grupo extinto de répteis marinhos que apresentavam semelhanças em relação aos golfinhos. As primeiras descobertas desse ser foram feitas no início dos anos 1800, pela paleontóloga inglesa Mary Anning. O último tipo de ictiossauro desapareceu por volta de 93 milhões de anos atrás.