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Metrô de Moscou adota o reconhecimento facial

Por um lado, tecnologia aumenta praticidade, mas por outro ativistas argumentam que pode ser usada para controlar a população

Vivaldo José Breternitz Publicado em 18/10/2021, às 16h17

Fotografia meramente ilustrativa de vagão de metrô
Fotografia meramente ilustrativa de vagão de metrô - Divulgação/ Pixabay/ xusenru
Em mais de 240 estações da rede de metrô de Moscou, agora é possível pagar por uma passagem simplesmente olhando para uma câmera, utilizando aquela que parece ser a primeira aplicação em massa de um sistema de pagamento por reconhecimento facial.

Os passageiros podem acessar a opção de pagamento por reconhecimento facial vinculando sua foto, cartão bancário e cartão do metrô ao aplicativo Mosmetro.
 
Os responsáveis dizem que todas as informações serão criptografadas e que as informações capturadas pelas câmeras instaladas nas catracas serão armazenadas de forma segura, não sendo passadas a órgãos que não compõem o sistema de transportes, como a polícia, por exemplo.

Tratando-se de um regime autoritário, como o russo, é difícil acreditar nessa afirmação, ainda mais sabendo-se que desde 2017, as autoridades adicionaram tecnologia de reconhecimento facial às 170 mil câmeras de segurança da cidade, como parte de seus esforços para identificar pretensos criminosos nas ruas.

Ativistas foram à justiça contra essa medida, sem êxito; no início deste ano, a Reuters relatou que essas câmeras foram usadas para identificar pessoas presentes às manifestações antigovernamentais que aconteceram na época.

Stanislav Shakirov, fundador do Roskomsvoboda, um grupo que visa proteger os direitos digitais dos russos, disse à imprensa que a Rússia está se aproximando de países autoritários como a China, que dominam e utilizam amplamente a tecnologia de reconhecimento facial, e que como o metrô de Moscou é uma instituição governamental, certamente todos os dados chegarão às forças de segurança.

Enquanto isso, o Parlamento Europeu recomendou aos governos da União Europeia que banissem o reconhecimento facial automatizado em espaços públicos, especialmente em função da taxas relativamente altas de reconhecimentos equivocados, especialmente aqueles que envolvem determinadas faixas da população.

Nos Estados Unidos, alguns governos locais estão banindo o uso da tecnologia em espaços públicos, o que ocorreu nos estados de Massachusetts e Maine, por exemplo, estando em andamento projetos de lei que pretendem estender essa proibição a todo território americano.

Em São Paulo, uma das concessionárias de linhas do metrô foi condenada a pagar uma indenização por capturar, sem autorização, imagens de usuários que transitavam por suas estações; no início deste ano, o governo estadual vetou projeto de lei que autorizava a utilização dessa tecnologia no transporte público.

Não se pode deixar de reconhecer que essa ferramenta pode ser muito útil para a sociedade como um todo; o que se espera é que ela continue a ser aperfeiçoada e usada apenas quando houver certeza de que não causará problemas.

Sobre o autor

Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
 

Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie está na 103º posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.
 
Em 2021, serão comemorados os 150 anos da instituição no Brasil. Ao longo deste período, a instituição manteve-se fiel aos valores confessionais vinculados à sua origem na Igreja Presbiteriana do Brasil.