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Mais lidas: Sem doenças terminais, colombiana morre por eutanásia

Martha Sepúlveda foi submetida ao procedimento no último sábado, 8, após uma longa batalha judicial

Pamela Malva Publicado em 10/01/2022, às 19h00 - Atualizado em 15/01/2022, às 09h00

Fotografia da colombiana Martha Sepúlveda
Fotografia da colombiana Martha Sepúlveda - Divulgação/ Arquivo pessoal

No último sábado, 8, uma longa batalha judicial chegou ao fim na Colômbia, segundo anunciado pelo Laboratório de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (DescLAB). Com isso, a colombiana Martha Sepúlveda, de 51 anos, morreu por meio da eutanásia.

"Martha concordou com a eutanásia e morreu de acordo com sua ideia de autonomia e dignidade", narrou o DescLAB, em nota. Diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica (ELA), a mulher foi submetida ao procedimento no Instituto Colombiano de Dor (Incodol).

Acontece que, antes de conseguir seu direito à eutanásia, Martha teve que lutar pelos seus interesses. Segundo a BBC, via UOL, tudo começou em 10 de outubro de 2021, data em que a colombiana seria submetida ao procedimento.

Na Colômbia, a eutanásia passou a ser permitida para aqueles que sofrem com "intenso sofrimento físico ou mental" causado por lesão ou doença incurável em julho de 2021. Com isso, o caso de Martha tornou-se a primeira eutanásia autorizada em um paciente sem doença terminal na história do país.

36 horas antes do procedimento, contudo, o Incodol, que já tratava de Martha, anunciou que sua eutanásia seria suspensa. Na época, o instituto afirmou que, para a Comissão Científica Interdisciplinar pelo Direito de Morrer com Dignidade, "o critério de terminalidade não foi cumprido como tinha sido considerado pela primeira comissão".

No final do mesmo mês de outubro, mais uma reviravolta: a Justiça colombiana revogou a suspensão e ordenou que o Instituto Colombiano de Dor realizasse o procedimento. Isso porque, segundo o juiz, Martha cumpria "com os requisitos para exercer seu direito de morrer com dignidade por meio da eutanásia”.

Determinando que uma nova data para a eutanásia fosse definida, o magistrado afirmou que o Incodol violou "os direitos fundamentais de morrer com dignidade, a uma vida digna, ao livre desenvolvimento da personalidade e da dignidade humana de Martha".

Não demorou, então, até que o caso ganhasse amplitude nacional, com diversas discussões sobre o direito à morte assistida tomando as redes sociais. Foi assim que, em setembro, a própria Martha decidiu se posicionar, em entrevista à Caracol TV.

Sobre o plano espiritual, estou totalmente tranquila (...) Serei covarde, mas não quero mais sofrer, estou cansada. Luto para descansar", afirmou a colombiana. "Sou católica e me considero uma pessoa muito crente. Mas Deus não quer me ver sofrer. Com a esclerose lateral no estado em que está, a melhor coisa que pode me acontecer é que eu descanse.”

Em entrevista à BBC News Mundo, o filho de Martha, Frederico, por sua vez, falou sobre como a família reagiu ao ocorrido. Segundo o homem, a notícia de que a mulher poderia ser submetida ao procedimento foi recebida com alívio por seus parentes.

É importante pontuar, no entanto, que na última sexta-feira, 7, outro colombiano tornou-se o primeiro paciente sem uma doença terminal a ser submetido ao procedimento na Colômbia e na América Latina. Aos 60 anos, Victor Escobar sofria de doença pulmonar obstrutiva crônica e hipertensão, além de ter sofrido dois acidentes vasculares cerebrais.