O bom e velho jeans: Dos portos na época das grandes navegações às passarelas de moda

Entenda séculos de trajetória da peça e a influência de renomados artistas nesse processo

Laura Wie (@laura_wie) Publicado em 14/04/2022, às 12h28

Elvis Presley (à esq.) e James Dean (à dir.)
Elvis Presley (à esq.) e James Dean (à dir.) - Divulgação / Pixabay / WarnerColor

Os últimos desfiles das fashion weeks internacionais reafirmaram a presença do jeans como uma peça de importância ímpar para a moda mundial. Em inúmeros estilos, modelagens e lavagens, o denim azul não perde o status atual de roupa descolada.

Um título bem diferente dos seus primórdios, quando se tornou praticamente um uniforme para o trabalho braçal de estivadores e, mais tarde, mineradores. A trajetória curiosa do jeans, que envolve vários países e mais de quinhentos anos de história, eu sintetizo no podcast ao final desta matéria.

Foi apenas no século 20 que o jeans sofreu mudanças significativas em seu uso, tornando-se um item de desejo, principalmente entre a juventude. Marcas norte-americanas como a pioneira Levi’s e, pouco depois, Lee e Wrangler, disputavam a atenção do público consumidor, que passou de operários, fazendeiros e mecânicos nas primeiras décadas do século, para as novas gerações transgressoras dos anos 1950, que buscavam um “sentimento de liberdade”.

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Foi em 1953 que o célebre ator Marlon Brando dissemina o poder contraventor do jeans no filme “O Selvagem”, que retrata uma gangue de motociclistas liderados pelo astro, no papel de Johnny Strabler — vestido simplesmente com calça jeans e uma jaqueta de couro.

Marlon Brando em “O Selvagem” (1953) / Crédito: Divulgação / László Benedek

Outro clássico da cinematografia, que rende discussões apaixonadas até hoje, é “Juventude Transviada” de 1955, que trouxe James Dean, símbolo da rebeldia, usando calças jeans e camiseta em um comportamento desregrado. Seu personagem, Jim Stark, desafiava o conservadorismo da sociedade estadunidense.

James Dean em “Juventude Transviada” (1955) / Crédito: Divulgação / WarnerColor

Dois anos depois, em 1957, Elvis Presley atua e canta em “Jailhouse Rock” vestido calça e jaqueta jeans no cenário de uma prisão — executando sua coreografia absolutamente original e fora dos padrões.

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Elvis Presley, o Rei do Rock / Crédito: Divulgação / Pixabay

As moças do mundo inteiro se apaixonaram por ele e os rapazes queriam ser como Elvis.

Definitivamente o jeans fechou a década de 50 como um item do guarda-roupa que exalava a ideia de autoafirmação e contravenção. Mas o seu uso não ficaria restrito apenas às novas gerações; homens e mulheres de todas as idades e classes sociais no Ocidente inteiro começaram a perceber o toque diferenciado e a versatilidade do denim azul, com o uso cada vez mais frequente daquele que era o modelo padrão: a calça reta tradicional de cinco bolsos.

Isso até que, no ano de 1976, o estilista Calvin Klein coloca pela primeira vez a peça numa passarela, em Nova York. A partir daí o blue jeans tomou conta da moda internacional, transformando-se em item indispensável para criações das mais diversas.

Da alta-costura e seus detalhes espetaculares, passando por modelagens comerciais, a hegemonia do jeans comprova que o uso da sarja “de Nim’es” em calças “blue de Gênes”, séculos atrás, foi de uma perspicácia indiscutível.

Saiba mais sobre as origens do jeans e entenda as expressões acima no episódio a seguir de “Aventuras Narradas em Moda com História”.

Ouça o episódio: 


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