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154 vidas perdidas: o triste trajeto do voo 1907, acidente aéreo que chocou o país

Em 2006, um boeing se chocou contra um jato, provocando a morte das pessoas que estavam a bordo

Giovanna Gomes Publicado em 21/10/2020, às 15h35

Simulação do acidente
Simulação do acidente - Wikimedia Commons

Ocorrido em 2006, o acidente do voo 1907 da Gol representou uma das maiores tragédias envolvendo aeronaves já ocorridas. O boeing, no qual estavam 148 passageiros e 6 tripulantes, partiu de Manaus às 15h35 em direção ao Rio de Janeiro com escala em Brasília.

No entanto, o avião nunca chegou ao seu destino. Às 16h53 da tarde, o boeing bateu em um jato Legacy no ar e caiu, de modo que todas as pessoas que estavam a bordo morreram. O jato havia acabado de ser adquirido pela ExcelAire, dos EUA, e tinha partido de São José dos Campos em direção à cidade de Fort Lauderdale, na Flórida.

O acidente

O acidente ocorreu em 2006 - Crédito: Arquivo/Corpo de Bombeiros de Sinop (MT)

 

No dia 29 de setembro, o avião, que estava sob o comando de Décio Chaves Junior e do copiloto Thiago Jordão, sobrevoava o estado do Mato Grosso, quando foi surpreendido por um jato Embraer Legacy 600. O winglet (peça que fica na ponta das asas) esquerdo do jato atingiu a asa direita do boeing, de modo que um terço dela foi arrancado, o que fez com que a aeronave perdesse a estabilidade.

Nesse momento o piloto da aeronave gritou: “Rapaz do céu, não acredito que isso está acontecendo!” Ele tentou desesperadamente estabilizar o avião, no entanto, a aeronave já estava caindo. A queda do boeing ocorreu durante 63 segundos, com a aeronave dando voltas em parafuso, de modo que começou a se desintegrar ainda no ar.

A outra aeronave sofreu danos, mas conseguiu realizar um pouso de emergência na Base Aérea do Cachimbo, no Pará, onde a tripulação foi detida. Nenhum dos passageiros (dois executivos da ExcelAire, dois representantes da Embraer e um jornalista) que estavam a bordo do jato sofreram lesões. No entanto todas as 154 pessoas que estavam no boeing morreram.

A caixa preta do boeing foi encontrada - Crédito: Wikimedia Commons
 

Erros que levaram ao acidente

Vários foram os erros cometidos pelos pilotos do Legacy, Joe Lepore e Jan Paladino, e de outros envolvidos. O primeiro deles foi o fato de terem feito poucas horas de voo com o jato antes de realizarem uma viagem com passageiros. E esse foi o ponto crucial que acabou por levar ao acidente.

Durante o voo, Lepore e Paladino, que ainda estavam aprendendo os comandos, ativaram o piloto automático e desligaram acidentalmente o sistema anticolisão, o qual emite um sinal sonoro e visual para a torre de controle quando há outra aeronave próxima. Além disso, outros aviões não podiam perceber a presença do Legacy. Ou seja, uma verdadeira desgraça.

Assim que perceberam o erro, os controladores tentaram alertar Lepore e Paladino, no entanto, havia grande dificuldade em lidar com a comunicação: os pilotos não compreendiam o inglês deles.

Além disso, a torre local de São José dos campos informou aos pilotos que eles deveriam fazer o voo a 37.000 Pés. No entanto não disse que em algum momento essa altitude deveria ser alterada para 36.000 pés.

Destroços do boeing - Crédito: Arquivo/Corpo de Bombeiros de Sinop (MT)

 

Para o escritor Ivan Sant’Anna, os pilotos foram imprudentes ao não checarem as informações sobre o voo. “Eles estavam com a carta de voo na cabine, mas não se deram ao trabalho de checá-la”, declarou.

Em 2011, Lepore e Paladino foram acusados de negligência e condenados a três anos de prisão em regime aberto. Eles tentaram recorrer, mas foram condenados em última instância pelo Supremo Tribunal Federal em 2015. Em 2017, a Justiça Federal do Mato Grosso decretou a prisão deles.

No entanto, como se encontravam nos Estados Unidos, acabaram escapando da setença. A licença de ambos os pilotos foi renovada nos EUA. Além deles, um dos controladores, Jomarcelo Fernandes dos Santos, foi condenado, sendo sua pena de 1 ano e dois meses de prisão. 


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