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88 dias preso injustamente: o insano caso do homem que teve a identidade roubada por um traficante

No final de 2020, Leandro Leite Silva ficou extremamente desolado ao descobrir que seria condenado a 14 anos de prisão por um crime que não cometeu

Giovanna Gomes Publicado em 06/02/2021, às 08h00

Leandro foi preso injustamente
Leandro foi preso injustamente - Divulgação/TVCA

No dia 26 de outubro de 2020, Leandro Leite Silva ficou extremamente surpreso após ter sido preso em sua residência em Várzea Grande, no Mato Grosso, por um policial disfarçado de entregador.

Dias depois se viu completamente perdido ao descobrir que fora condenado a 14 anos de prisão. Isso porque Silva nunca cometeu crime algum. O caso foi repercutido pelo portal de notícias UOL.

Contudo, algo que ocorreu alguns anos antes de sua prisão causaria sua condenação injustamente. Acontece que, no ano de 2012, Renan dos Anjos, um traficante de drogas, roubou a identidade de Leandro e se passou pelo rapaz quando foi preso em Rondonópolis. Dois anos depois, ele morreu em confronto com a polícia.

Diante da verdadeira 'confusão', a polícia entendeu que Leandro era um criminoso e o levou para a Cadeia Pública do Capão Grande, na cidade de Várzea Grande, onde dividiu cela com 17 detentos. Duas semanas depois, foi transferido para a Penitenciária Central do Estado, onde permaneceria até o dia 22 de janeiro de 2021.

Leandro teve sua identidade roubada / Crédito: Divulgação

 

Prisão injusta

"Quando perguntei o motivo, mandou calar a boca e disse que eu estava preso. Disse que nunca tinha mexido com drogas, mas minha palavra naquela hora não valeu nada", declarou o técnico de som em entrevista à UOL.

Dez dias após sua prisão, ele já não tinha esperanças de que conseguiria convencer alguém de sua inocência. "Foi quando percebi que não iria embora mesmo, que se fossem me tirar, já tinham tirado. Entendi que seria levado para a PCE. Não conseguia falar com ninguém, então já imaginava o que aconteceria.”

Na PCE, teve de dividir uma cela com 36 detentos na ala evangélica da penitenciária. A vítima também explicou que havia muito mais presos do que camas no local, de modo que a ordem de chegada determinava quem ficava com elas.

Imagem de cela / Crédito: Pixabay

 

"São oito camas para 36 presos, só o pastor dorme sozinho. Quando cheguei no cubículo 2, dormi seis dias dentro do banheiro, porque os novos presos que chegam vão para o final da 'fila', que é no banheiro. Conforme vão saindo pessoas, você vai indo para frente. O 'barro' é o corredor onde ficam as camas, embaixo da cama é a 'toca', três pessoas dormiam lá. Mais seis no corredor. Em nenhum momento dormi em uma cama."

Depois, foi transferido para outra cela, a qual os presos chamavam de "louvor", na qual 40 detentos dividiam um espaço tão minúsculo que cinco pessoas tinham de dormir no banheiro.

Com tamanha aglomeração, Leandro tinha medo de contrair a covid-19. E foi justamente em razão da pandemia que ele foi impedido de receber visitas, o que contribuiu para que se sentisse ainda mais sozinho e perdido.  

Segundo a vítima, Renan, o verdadeiro criminoso, foi namorado de sua prima e que, por esse motivo, visitava a casa da família com frequência. 

Fim do pesadelo

Logo que foi preso, sua esposa contatou um advogado e foi orientada. Contudo, o homem não prosseguiu com o caso.

"Ele [o advogado] não fez nada, porque ficou esperando dinheiro. Não o culpo porque quem trabalha quer receber mesmo, mas ele não avisou, não falou nada. Falou que o sistema não estava funcionando, que estava recolhendo provas. Foi enrolando e eu ficando lá [na PCE]", contou.

Quando o casal descobriu, a esposa do técnico de som foi até a Defensoria Pública e então, felizmente, a situação foi resolvida.


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